Panorama de Mercad

15 de setembro de 2026
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Panorama de Mercado

A semana combinou sinais mais favoráveis para a inflação brasileira com novas pressões vindas do cenário internacional. No Brasil, a deflação de agosto e a melhora dos núcleos ajudam a leitura de curto prazo, embora os serviços ainda permaneçam pressionados. No exterior, a escalada do conflito no Oriente Médio levou o petróleo novamente acima de US$ 100 por barril, enquanto Estados Unidos e Europa reforçaram uma postura monetária mais restritiva.

Inflação recua, mas serviços ainda exigem atenção
O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, ligeiramente abaixo das projeções. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,44% para 4,22%.
A queda foi explicada principalmente pelo pagamento do Bônus de Itaipu, que reduziu em 6,25% as contas de energia elétrica dos consumidores residenciais e puxou os preços administrados para baixo. Entre os preços livres, houve estabilidade: alimentação no domicílio caiu mais do que o projetado, enquanto os bens industrializados avançaram, sobretudo os cigarros, após o aumento do IPI.
Os núcleos de inflação, que retiram itens mais voláteis, vieram marginalmente melhores do que o esperado e mantiveram trajetória de desaceleração. A principal ressalva permanece nos serviços subjacentes e intensivos em mão de obra, que voltaram a acelerar e continuam em patamar bastante superior ao compatível com a meta de inflação de 3,0%.
A leitura, portanto, é positiva para o índice cheio, mas ainda insuficiente para indicar uma melhora definitiva da inflação. Parte relevante da surpresa veio de componentes voláteis e do efeito temporário da energia, que deverá ser revertido em setembro com o fim do bônus. Além disso, a alimentação no domicílio tende a deixar de contribuir para a queda dos preços nos próximos meses. As projeções permanecem em 5,0% para o IPCA de 2026 e 4,2% para 2027.

Governo amplia medidas para conter preços dos combustíveis
O governo anunciou novas medidas tributárias e de subvenção destinadas a reduzir a pressão dos combustíveis sobre a inflação. Pelas estimativas apresentadas, o conjunto das iniciativas poderá retirar até 0,17 ponto percentual do IPCA.
Na gasolina, o encerramento da MP 1358/2026 substituirá a subvenção de R$ 0,44 por litro por uma redução de R$ 0,63 por litro em PIS/Pasep e Cofins. A tributação cairá de R$ 0,79 para R$ 0,16 por litro até 9 de outubro. O efeito estimado é de aproximadamente -0,11 ponto percentual no IPCA, distribuído entre setembro e outubro.
No etanol hidratado, a zeragem dos tributos federais, atualmente equivalentes a R$ 0,19 por litro, pode provocar queda próxima de 5% nos preços ao consumidor e retirar cerca de 0,03 ponto percentual da inflação. Uma subvenção adicional ao etanol ainda permanece em discussão.
Para o diesel, uma nova medida provisória deverá instituir subvenção adicional de R$ 1,00 por litro. Caso a Petrobras não reajuste seus preços, a medida poderia reduzir em aproximadamente 12,6% o valor nas bombas e retirar outros 0,03 ponto percentual do IPCA.
O resultado efetivo dependerá, contudo, da política de preços da Petrobras e do diferencial entre os preços domésticos e internacionais. Há também risco fiscal, especialmente porque parte dos desembolsos futuros relacionados ao etanol não possui uma trava explícita.

Serviços ficam estáveis e apontam crescimento modesto
O volume real de receitas do setor de serviços permaneceu estável em julho, ligeiramente abaixo das expectativas e repetindo o comportamento observado no mês anterior. Na comparação com julho de 2025, houve crescimento de 0,9%, em linha com o esperado.
A composição foi mais favorável do que o índice agregado sugere. Quatro das cinco principais atividades cresceram na margem, enquanto a surpresa negativa ficou concentrada nos serviços de informação e comunicação, após um desempenho excepcionalmente forte em junho.
A expectativa é de expansão moderada para o setor. O mercado de trabalho ainda apertado continua sustentando a demanda das famílias os serviços prestados às famílias cresceram em quatro dos últimos cinco meses na comparação anual. Em contrapartida, juros elevados e maior comprometimento da renda com dívidas permanecem como importantes obstáculos. A projeção é de crescimento de aproximadamente 2,0% para as receitas do setor em 2026, após alta de 2,9% em 2025.

STF e Banco Master permanecem no radar político
O ambiente político foi marcado pelos desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master no Supremo Tribunal Federal. O presidente da Corte, Edson Fachin, adotou medidas para reorganizar a condução dos processos e deverá levar ao plenário, no dia 15, a discussão sobre os próximos passos.
O mercado acompanha não apenas os aspectos jurídicos do caso, mas também suas possíveis repercussões políticas às vésperas das eleições presidenciais de outubro. Pesquisas recentes apontam empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno.

Cenário Internacional

Petróleo volta a superar US$ 100 com escalada no Oriente Médio
O petróleo Brent atingiu US$ 108 por barril durante a semana, maior nível desde maio, em resposta a uma nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Forças americanas atacaram petroleiros iranianos, enquanto Teerã ameaçou estabelecer uma zona de exclusão no Estreito de Ormuz. Paralelamente, os rebeldes houthis atingiram instalações de energia na Arábia Saudita e ampliaram sua presença na região do Estreito de Bab el-Mandeb, importante rota alternativa para o transporte da commodity.
A persistência de preços elevados do petróleo tende a pressionar a inflação mundial nos próximos meses e pode reduzir o espaço para flexibilização monetária. O risco aumenta caso o choque energético se prolongue e passe a contaminar preços de outros bens, serviços e salários.

Recompras do Tesouro americano não impedem alta dos juros longos
Os juros dos títulos públicos americanos voltaram a subir apesar da primeira operação do programa ampliado de recompra anunciado pelo Tesouro em agosto.
A autoridade retirou do mercado até US$ 6 bilhões em títulos com vencimentos entre 10 e 20 anos, volume três vezes superior ao das operações regulares. O montante, porém, ficou aquém das expectativas dos investidores e não foi suficiente para conter a pressão sobre a curva.
Os Treasuries de dez anos chegaram a render 4,93%, maior nível desde o fim de 2023, enquanto os papéis de 30 anos voltaram a se aproximar de 5,30%, patamar mais elevado desde 2002. Juros longos elevados nos Estados Unidos mantêm as condições financeiras internacionais mais apertadas e aumentam a competição por capital global.

Inflação americana reforça aposta em nova alta do Fed
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor avançou 0,4% em agosto, em linha com as expectativas. Em 12 meses, a inflação permaneceu em 3,4%. A principal pressão veio da energia: a gasolina subiu 3,9% no mês e respondeu por mais de um terço da alta do índice.
O núcleo do CPI, que exclui componentes mais voláteis, avançou 0,3%, acima do esperado, embora tenha desacelerado de 2,5% para 2,4% em 12 meses. A pressão de custos também apareceu no índice de preços ao produtor, que subiu 0,4% no mês. O diesel, isoladamente, avançou 24%.
O mercado de trabalho continua resistente. Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego somaram 206 mil na última semana, próximos das mínimas históricas.
O conjunto dos dados mantém a inflação distante da meta de 2% e reforça a expectativa de aperto monetário. O mercado atribui probabilidade próxima de 85% a uma alta de 0,25 ponto percentual na reunião do Fed da próxima semana, o que levaria a taxa básica para o intervalo entre 3,75% e 4,00%.

Banco Central Europeu eleva juros pela segunda vez no ano
O Banco Central Europeu elevou a taxa de depósito em 0,25 ponto percentual, para 2,50%, na segunda alta de juros de 2026. A decisão foi unânime.
Segundo a presidente Christine Lagarde, o movimento tornou-se mais evidente diante do choque de energia provocado pelo conflito no Oriente Médio, que levou a inflação da região para acima de 3%. O BCE passou a projetar inflação média de 3,0% em 2026 e de 2,5% em 2027.
Lagarde evitou antecipar as próximas decisões, mas a comunicação foi interpretada como mais restritiva. O mercado passou a incorporar pelo menos mais uma elevação de juros até o final do ano.

Inflação chinesa acelera, mas consumo continua frágil
Na China, a inflação ao consumidor atingiu 0,8% em 12 meses até agosto. Na comparação mensal, os preços avançaram 0,4%, acima da expectativa de 0,3% e na maior variação desde fevereiro.
A alta foi impulsionada pelos custos de transporte, refletindo combustíveis mais caros, enquanto os alimentos registraram queda pelo quinto mês consecutivo. A inflação ao produtor avançou 3,8% em 12 meses, acima da projeção de 3,6%, sustentada por commodities e pela demanda de setores de alta tecnologia.
Os números sugerem redução das pressões deflacionárias, mas não uma recuperação consistente da demanda interna. A economia chinesa continua dependente das exportações. Com uma inflação um pouco mais firme, diminui a pressão por novos cortes de juros no curto prazo, e eventuais estímulos adicionais tendem a vir pela política fiscal, especialmente em medidas voltadas ao consumo e ao mercado imobiliário.

Bolsas

Ibovespa avança enquanto mercados globais recuam
O Ibovespa encerrou a semana em alta de 1,0% em reais e de 1,3% em dólares, aos 186.967 pontos. O real valorizou 0,1% frente à moeda americana, e o dólar terminou próximo de R$ 5,12.
No exterior, os principais índices recuaram: o S&P 500 caiu 0,8%, o Nasdaq perdeu 0,6% e o Dow Jones recuou 1,6%. O movimento refletiu a combinação de petróleo mais caro, inflação ainda pressionada e avanço dos juros longos americanos.
O Brent acumulou valorização de 8,7% na semana e encerrou próximo de US$ 104 por barril, apesar de alguma realização na sexta-feira. Ao mesmo tempo, o rendimento dos Treasuries de dez anos voltou a se aproximar de 5,0%, pressionando principalmente as ações de tecnologia.
Na Europa, o aumento de 0,25 ponto percentual nos juros pelo BCE reforçou a percepção de que o choque energético está reduzindo o espaço para políticas monetárias mais flexíveis. No ambiente corporativo, a Oracle apresentou resultados acima das expectativas e perspectiva favorável para a receita, embora sua projeção de lucro tenha limitado a reação das ações.

Política, petróleo e juros movimentam a Bolsa brasileira
A Bolsa brasileira avançou na contramão do exterior em uma semana mais curta devido ao feriado de 7 de setembro. Um dos principais vetores foi a reprecificação das expectativas eleitorais após novas pesquisas, movimento que beneficiou especialmente bancos e empresas ligadas ao ciclo doméstico.
Parte dos ganhos foi devolvida durante a semana diante da elevação dos juros americanos e do aumento da aversão ao risco. Posteriormente, o setor financeiro e as petroleiras voltaram a sustentar o índice com a alta do petróleo.
Na sexta-feira, o Ibovespa recuou com a realização do petróleo e do minério de ferro, além de novos ruídos políticos, mesmo após a deflação do IPCA de agosto superar as expectativas.
A curva de juros apresentou elevada volatilidade. O contrato DI para janeiro de 2036 encerrou a semana com queda de 5 pontos-base, depois de recuar 21 pontos-base na terça-feira e subir 19 pontos-base no pregão seguinte.
O fluxo estrangeiro foi positivo em R$ 850 milhões até quarta-feira. No acumulado de 2026, o saldo é positivo em R$ 24,5 bilhões, embora desde 15 de abril haja retirada próxima de R$ 44 bilhões.

Destaques da semana
O Assaí liderou as altas do índice, com valorização de 8,6%, beneficiado principalmente pelo fechamento da curva de juros.
Na ponta negativa, a Azzas recuou 8,3% após notícias de que, apesar das conversas com potenciais interessados nos ativos da Farm Rio, ainda não existia proposta vinculante nem operação formalmente aprovada.

FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-avanca-diante-de-atualizacoes-no-cenario-politico/ https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-petroleo-e-inflacao-indicam-alta-de-juros-nos-eua/

Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119

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