Panorama de Mercado

12 de agosto de 2026
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A semana trouxe sinais importantes para a leitura do ciclo econômico brasileiro e internacional. No Brasil, a combinação entre inflação mais comportada, atividade industrial mais fraca e um mercado de trabalho ainda apertado voltou a colocar em debate a extensão do ciclo de cortes da Selic. No exterior, o petróleo recuou com sinais de avanço diplomático no Oriente Médio, enquanto os dados dos Estados Unidos reforçaram uma leitura mais dividida entre resiliência da atividade e perda de força no emprego.

Desaceleração e desinflação podem estar chegando antes do previsto?
As últimas leituras do IPCA vieram significativamente abaixo das expectativas, reacendendo a discussão sobre a velocidade do processo de desinflação. Ainda assim, é cedo para concluir que a política monetária restritiva já esteja superando os efeitos dos choques globais de oferta e dos estímulos à demanda doméstica.
A taxa de desemprego permanece próxima das mínimas históricas, o crédito segue resiliente, apesar de alguma moderação em determinadas modalidades, e o fenômeno El Niño ainda pode pressionar os preços dos alimentos no quarto trimestre. Por isso, a projeção para a Selic ao final de 2026 permanece em 14,00%.
Para o Produto Interno Bruto, a expectativa continua sendo de crescimento de 2,0% em 2026. Para 2027, a projeção de 1,0% passou a carregar viés de baixa, refletindo os efeitos de políticas fiscal e monetária mais contracionistas. No campo inflacionário, a estimativa permanece em 5,1% para este ano e 4,2% para o próximo.

Copom corta a Selic para 14,00% e evita antecipar os próximos passos
O Comitê de Política Monetária reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano, em decisão praticamente consensual entre os agentes de mercado.
O comunicado posterior à reunião foi interpretado como neutro e trouxe poucas pistas sobre a continuidade do ciclo. O Banco Central passou a incorporar uma leitura mais fraca para atividade e inflação, mas também destacou que monitora com atenção uma possível desancoragem adicional das expectativas de inflação nos horizontes mais longos.
Ao reforçar a necessidade de serenidade e cautela, o Copom sinalizou que as próximas decisões dependerão efetivamente da evolução dos dados. Os choques globais de oferta, os estímulos à demanda doméstica e as expectativas ainda acima da meta justificam, por ora, uma pausa no atual nível de juros.
Mesmo assim, aumentaram os sinais de que atividade e inflação podem estar arrefecendo em velocidade superior à prevista. Caso essa tendência seja confirmada, o Banco Central poderá voltar a reduzir a Selic nos próximos meses. A projeção permanece em 14,00% para 2026 e 11,50% para 2027.

Disputa presidencial começa a ganhar contornos mais definidos
As principais chapas para a eleição presidencial de 2026 começaram a ser oficialmente apresentadas. O Partido dos Trabalhadores confirmou a candidatura de Lula à reeleição, mantendo Geraldo Alckmin, do PSB, como vice, repetindo a composição da eleição de 2022.
Na oposição, Alfredo Gaspar, do PL, foi confirmado como candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Também já estão oficializadas as candidaturas de Ronaldo Caiado, pelo PSD, Romeu Zema, pelo Novo, e Renan Santos, pelo Missão. O prazo para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral termina em 15 de agosto.

Indústria recua pelo segundo mês consecutivo
A produção industrial brasileira caiu 1,8% em junho frente a maio, registrando a segunda retração consecutiva e um resultado consideravelmente pior do que o esperado.
A queda foi disseminada entre os principais segmentos da indústria e reforçou uma tendência de enfraquecimento na entrada do terceiro trimestre. Após a divulgação, a estimativa para o crescimento do PIB no segundo trimestre foi revisada de 0,5% para 0,4% na comparação trimestral.
Apesar do resultado mais fraco, a leitura ainda é compatível com a projeção de crescimento de 2,0% para a economia brasileira em 2026.

Cenário Internacional

Petróleo recua com sinais de reabertura diplomática
Depois de encerrar a semana anterior próximo de US$ 90 por barril, o petróleo Brent recuou cerca de 7%, devolvendo parte da alta de 25% acumulada em julho.
O movimento ocorreu após a sinalização de que Donald Trump teria cancelado um ataque planejado contra o Irã e buscaria retomar a negociação diplomática.
A redução das cotações tende a aliviar parcialmente as pressões inflacionárias globais. O cenário geopolítico, entretanto, segue frágil. Uma comissão do Parlamento iraniano discute uma proposta que impediria a passagem, pelo Estreito de Ormuz, de embarcações dos Estados Unidos, Israel e países considerados hostis, com multas de até 20% do valor da carga em caso de descumprimento.
Ao mesmo tempo, os houthis anunciaram novos ataques a posições sauditas no Iêmen, aumentando novamente a preocupação com as rotas do Mar Vermelho. Uma nova escalada poderia devolver rapidamente a pressão aos preços de energia e às próximas leituras de inflação.

Mercado de trabalho americano perde força, mas indústria segue robusta
O relatório de empregos dos Estados Unidos trouxe uma surpresa negativa relevante. A economia americana destruiu 23 mil vagas líquidas em julho, enquanto o mercado esperava criação de 80 mil postos.
A taxa de desemprego caiu de 4,2% para 4,1%, mas o movimento foi explicado principalmente pela redução da participação na força de trabalho.
Na indústria, entretanto, o sinal foi oposto. O ISM industrial avançou para 55,6 pontos em julho, acima das expectativas de 54,0 e da leitura de 53,3 registrada em junho. Foi o maior nível desde maio de 2022 e o sétimo mês consecutivo em território de expansão, acima da linha de 50 pontos.
O quadro permanece, portanto, misto: a atividade econômica segue resiliente e a inflação continua distante da meta de 2,0%, mas o emprego começa a demonstrar maior fragilidade. O mercado ainda trabalha com a possibilidade de uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros até o fim do ano, embora a piora do mercado de trabalho possa postergar esse movimento.

Economias desenvolvidas mostram trajetórias distintas
Os indicadores de serviços de julho reforçaram diferenças relevantes entre as principais economias desenvolvidas. No Japão, o PMI do setor recuou de 52,2 para 51,2 pontos, mantendo-se em expansão, porém com menor intensidade diante da pressão dos custos sobre as margens.
Na Zona do Euro, o índice avançou para 51,7 pontos, maior nível em cinco meses. No Reino Unido, passou para 52,1 pontos, retornando ao campo expansionista. Já a Alemanha atingiu 49,8 pontos, aproximando-se da estabilidade.
Os PMIs compostos também vieram acima das prévias na Zona do Euro, Reino Unido e Alemanha. Mesmo com melhora na atividade, a inflação de custos continua sendo um ponto de atenção, sobretudo no Japão, onde o repasse de preços segue elevado.

Inflação ao produtor desacelera na Zona do Euro
Os preços ao produtor na Zona do Euro recuaram 0,3% em junho frente a maio, primeira queda mensal em quatro meses.
A principal contribuição veio da energia, com redução de 1,5% nos custos. Também houve moderação nos bens intermediários, cuja inflação passou de 1,4% para 0,3%; nos bens de capital, de 0,3% para 0,2%; e nos bens duráveis, também de 0,3% para 0,2%. Os preços de bens não duráveis permaneceram estáveis.
Na comparação anual, a inflação ao produtor caiu de 5,9% em maio para 4,6% em junho. A menor pressão de custos favorece o cenário inflacionário, mas continua condicionada à evolução das tensões no Oriente Médio.

Bolsas

Mercados globais avançam, enquanto Ibovespa recua
O Ibovespa encerrou a semana em queda de 3,1% em reais e de 3,2% em dólares, aos 172.455 pontos, em um período marcado por leve depreciação de 0,2% do real.
Nos mercados internacionais, o movimento foi oposto. O S&P 500 avançou 3,5%, o Nasdaq subiu 5,1% e o Dow Jones ganhou 3,0%. O S&P 500 encerrou acima de 7.700 pontos pela primeira vez, beneficiado pelas expectativas de um acordo entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz.
O petróleo Brent caiu 5,8% na semana e encerrou próximo de US$ 83 por barril, após o cancelamento de um ataque americano planejado contra o Irã e a retomada das expectativas de negociação.
No ambiente macroeconômico, o payroll de julho decepcionou, com destruição de 23 mil vagas ante expectativa de criação de 80 mil. Além disso, revisões retiraram 103 mil postos das leituras de maio e junho. Como consequência, os rendimentos dos Treasuries recuaram: 5 pontos-base no prazo de dois anos e 10 pontos-base no vencimento de dez anos.

Inteligência artificial volta a liderar os ganhos no exterior
No ambiente corporativo, os destaques ficaram novamente com as empresas ligadas à inteligência artificial. A Palantir avançou 39,8% na semana após divulgar crescimento de 93% na receita em relação ao mesmo período do ano anterior.
A SpaceX também registrou forte valorização, de aproximadamente 22,8%, apesar de os investimentos trimestrais terem alcançado US$ 18,4 bilhões.

Petróleo, juros e balanços pesam sobre a Bolsa brasileira
No Brasil, a queda do petróleo pressionou empresas de grande peso no índice. O setor de óleo, gás e petroquímicos recuou 3,1% na semana, enquanto a temporada de resultados manteve elevada a volatilidade dos papéis.
No cenário macroeconômico, o Copom reduziu a Selic para 14,00% na quarta-feira, conforme esperado. A comunicação, entretanto, gerou interpretações distintas entre os investidores. O Banco Central manteve aberta a possibilidade de novos cortes, mas destacou um balanço de riscos com assimetria altista para a inflação.
Com isso, a curva de juros passou a embutir aproximadamente 70% de probabilidade de uma nova redução de 0,25 ponto percentual em setembro.
A temporada de resultados também segue relevante. Até o momento, 39% das companhias acompanhadas já divulgaram seus números. Desse grupo, 25% superaram as estimativas de receita, 16% ficaram acima das previsões de EBITDA e 38% excederam as expectativas de lucro líquido.

Destaques da semana
O Fleury foi o principal destaque positivo, com alta de 10,8%, após divulgar resultados do segundo trimestre que reforçaram a avaliação de boa execução operacional.
Na ponta negativa, a Marcopolo recuou 15,1%, pressionada por números mais fracos no segundo trimestre, um mix de produtos menos favorável, aumento dos custos de matérias-primas e efeitos cambiais adversos.

FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-copom-corta-juros-e-deixa-cenario-prospectivo-em-aberto/ https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-queda-nos-precos-do-petroleo-pressiona-o-ibovespa/?utm_source=AJO&utm_medium=Email&utm_campaign=Wrap+semanal+07%2F08%2F2026&utm_message=d3f204ed-2a64-4fe0-a99b-7b7ecbd76f04&correlationId=537eae7b-bc0c-4c22-b765-4fd801e96696-0

Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119

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