Votar em mulher… só por ser mulher?

15 de setembro de 2026
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E se a melhor proposta vier de um homem?
Há uma frase que aparece em toda eleição como se fosse uma verdade absoluta: “mulher vota em mulher”. Sempre que ouço isso, a minha primeira reação é uma pergunta bem simples: será?
Eu sou mulher. E justamente por ser mulher, acredito que tenho discernimento para analisar propostas, trajetória, capacidade e caráter de quem se apresenta para um cargo público. Reduzir meu voto ao gênero do candidato é, de certa forma, dizer que eu não sou capaz de fazer uma escolha racional. E isso me incomoda profundamente.
As mulheres conquistaram, com muita luta, o direito de votar, de serem votadas e de ocupar espaços que durante muito tempo lhes foram negados. Essa luta é legítima e precisa continuar. Precisamos incentivar mais mulheres a participarem da política, das empresas, das universidades, dos sindicatos e de todos os lugares onde decisões são tomadas. Mas incentivar participação é muito diferente de transformar o voto em uma obrigação de gênero.
Querer mais mulheres em posições de liderança não significa fechar os olhos para a competência. Posso admirar uma candidata, desejar sinceramente que mais mulheres tenham oportunidades e, ainda assim, concluir que, naquela eleição, o candidato mais preparado é um homem. Isso não faz de mim menos mulher, menos solidária ou menos comprometida com a causa feminina.
Aliás, talvez a maior demonstração de igualdade seja justamente esta: sermos avaliadas pelos mesmos critérios que exigimos dos homens. Competência, preparo, ética, capacidade de diálogo e compromisso com a sociedade. Não queremos um desconto por sermos mulheres, queremos reconhecimento pelo que somos capazes de fazer.
A igualdade que eu defendo não pede um voto automático. Pede liberdade. Liberdade para apoiar uma mulher excelente quando ela for a melhor opção. E liberdade para votar em um homem quando ele reunir mais condições de exercer aquele cargo.
No fim das contas, o voto não deveria ter gênero. Deveria ter consciência.
Porque espaço se conquista com oportunidade, mas permanência se conquista com competência. E é isso que fortalece, de verdade, a presença feminina onde ela merece estar: em qualquer lugar, por mérito e por escolha livre.
De salto ou de tênis é uma coluna sobre o olhar feminino diante da vida, da política, da maternidade e das escolhas que fazemos todos os dias.

Até a próxima,

Léia Alberti

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