Panorama de Mercado

4 de agosto de 2026
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A semana reuniu sinais mais favoráveis para a inflação brasileira, dados robustos do mercado de trabalho e uma combinação de melhora nas contas externas com novas incertezas no cenário internacional. Enquanto o Banco Central se aproxima de uma possível nova redução da Selic, os principais bancos centrais do mundo continuam cautelosos diante da inflação ainda acima das metas e da volatilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio.

Inflação mais baixa leva à revisão do IPCA de 2026
O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, avançou apenas 0,06% em julho na comparação com junho, resultado inferior a todas as projeções do mercado. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,80% para 4,52%. A composição do índice também mostrou melhora disseminada em relação ao mês anterior, com comportamento mais favorável em diferentes grupos de preços.
Diante da surpresa positiva, a projeção para o IPCA de 2026 foi reduzida de 5,2% para 5,1%. O dado contribui para aliviar as expectativas inflacionárias e reforça a possibilidade de continuidade do ciclo de flexibilização monetária. O cenário-base contempla um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom, seguido por uma pausa para avaliar a dissipação dos choques globais de oferta e os efeitos das medidas domésticas de estímulo à demanda.

Mercado de trabalho segue aquecid
Os indicadores de emprego voltaram a surpreender positivamente em junho. A taxa de desemprego recuou de 5,6% para 5,4% no trimestre móvel encerrado no mês. O rendimento médio real efetivo avançou 1,0% na margem, revertendo as perdas observadas em abril e maio, quando os choques inflacionários associados à guerra reduziram temporariamente o poder de compra.
No emprego formal, o país criou 145,2 mil vagas líquidas em junho, acima das expectativas e interrompendo dois meses consecutivos de resultados inferiores ao previsto. O setor de serviços liderou a recuperação e mais do que dobrou sua geração líquida de postos em relação a maio.
Apesar da força recente, a expectativa é de desaceleração gradual do mercado de trabalho nos próximos meses. As medidas governamentais de estímulo ainda sustentam a demanda no curto prazo, mas os efeitos da política monetária contracionista devem limitar o ritmo de expansão da economia e do emprego adiante.

Candidatura de Flávio Bolsonaro segue sem definição de vice
A convenção do Partido Liberal formalizou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro, mas a composição da chapa permanece incompleta. A senadora e ex-ministra Tereza Cristina chegou a aceitar o convite para ocupar a vice-presidência, porém o Partido Progressista anunciou que manterá neutralidade na disputa, afastando, por ora, essa possibilidade.
A convenção que oficializará a candidatura do presidente Lula está marcada para o próximo domingo. A expectativa é de manutenção de Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente.

Petróleo impulsiona arrecadação, mas despesas mantêm déficit
A arrecadação federal voltou a superar as expectativas em junho, beneficiada principalmente pelos preços elevados do petróleo. A receita somou R$ 264,4 bilhões, crescimento real de 7,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior e o melhor resultado já registrado para junho.
Mesmo com o desempenho expressivo das receitas, o governo central apresentou déficit primário de R$ 48,2 bilhões, superior ao observado em junho de 2025. A piora decorreu do avanço das despesas discricionárias e dos créditos extraordinários destinados ao subsídio ao diesel.
Para os próximos meses, as receitas devem permanecer fortes, mas em ritmo mais moderado, diante da combinação entre petróleo mais barato e atividade econômica menos intensa. Do lado das despesas, a pressão tende a diminuir até o fim do ano. A projeção é de déficit de R$ 45,5 bilhões, equivalente a 0,3% do PIB. Excluídas as despesas fora da meta, o resultado seria um superávit de R$ 14,5 bilhões, ou 0,1% do PIB, acima do limite inferior da banda fiscal.

Investimento estrangeiro reforça o real
Os dados do Balanço de Pagamentos trouxeram uma sinalização positiva para a moeda brasileira. O Investimento Direto no País somou US$ 9,1 bilhões em junho, muito acima das estimativas. No acumulado de 12 meses, o fluxo atingiu US$ 89,3 bilhões, equivalente a 3,58% do PIB e ao maior patamar desde junho de 2013.
A conta de transações correntes registrou déficit de US$ 2,3 bilhões, em linha com o esperado. A melhora do saldo comercial de bens foi suficiente para compensar o aumento do déficit no setor de serviços. O ingresso consistente de capital produtivo ajuda a explicar por que o real vem apresentando desempenho superior ao de outras moedas emergentes, mesmo em um ambiente doméstico marcado por incertezas políticas e fiscais.

Cenário Internacional

Fed mantém juros, mas mercado ainda espera alta
O Federal Reserve manteve a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% pela quinta reunião consecutiva. A decisão era considerada a mais provável pelo mercado, com cerca de dois terços de chance, mas houve divisão entre os membros: três dos nove dirigentes defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual.
Na entrevista após a reunião, o presidente da instituição, Kevin Warsh, reafirmou o compromisso com a meta de inflação de 2%, mas evitou detalhar a estratégia para alcançar esse objetivo.
O índice PCE, principal referência de inflação do Fed, desacelerou de 4,1% em maio para 3,7% em junho no acumulado de 12 meses. O núcleo do indicador também perdeu força, refletindo a queda temporária do petróleo. A retomada das hostilidades no Oriente Médio, contudo, pode tornar esse alívio passageiro.
A atividade econômica também perdeu algum ritmo. O PIB americano cresceu 1,5% em termos anualizados no segundo trimestre, abaixo da expectativa de 2,0%. Ainda assim, o consumo das famílias registrou o avanço mais forte desde o fim de 2022, indicando que a demanda interna permanece resistente. Por isso, o mercado continua projetando uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros até o fim do ano.

Conflito mantém petróleo próximo de US$ 90
Novos confrontos militares entre Estados Unidos e Irã voltaram a ampliar a volatilidade dos mercados de energia. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, as ofensivas americanas tiveram como objetivo responder a tentativas iranianas de atacar bases dos EUA na região. O Estreito de Ormuz permanece fechado.
Nesse ambiente, o petróleo Brent oscilou fortemente e encerrou a semana próximo de US$ 90 por barril. A instabilidade mantém elevados os riscos para inflação, atividade econômica e decisões de política monetária ao redor do mundo.

Inflação europeia permanece acima da meta
Na Zona do Euro, a inflação ao consumidor avançou de 2,8% para 2,9% em julho no acumulado de 12 meses, impulsionada principalmente pela alta do petróleo. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, subiu de 2,4% para 2,5%, enquanto os preços dos serviços avançaram 3,3%.
Os indicadores permanecem acima da meta de 2% do Banco Central Europeu e reforçam a expectativa de nova elevação de juros na reunião de setembro. A autoridade busca impedir que os preços mais altos de energia se espalhem para salários e outros componentes da economia.
Ao mesmo tempo, o PIB da região cresceu 1,0% no segundo trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior, superando a expectativa de 0,5%. O resultado afasta, ao menos por enquanto, o risco de recessão e amplia o espaço para uma política monetária mais restritiva.

Reino Unido e Japão mantêm postura cautelosa
O Banco da Inglaterra manteve a taxa básica em 3,75%, conforme esperado. Três integrantes do comitê votaram por uma alta, diante dos riscos inflacionários relacionados ao conflito no Oriente Médio. As projeções indicam inflação de 3,2% ainda neste ano e permanência acima da meta de 2% até o início de 2028.
No Japão, o banco central preservou a taxa de juros em 1,0%. A autoridade projeta inflação de 2,5% em 2026, com desaceleração gradual nos anos seguintes. Em ambos os casos, os bancos centrais seguem condicionando suas próximas decisões à evolução dos dados de atividade e preços.

Bolsa

Ibovespa avança com inflação baixa e expectativa de corte da Selic
O Ibovespa encerrou a semana em alta de 2,3% em reais e de 2,1% em dólares, aos 177.999 pontos. No acumulado do mês, o índice avançou 3,5% em moeda local e 5,3% em dólares. O real valorizou 0,3% no período.
No exterior, os principais índices também terminaram em alta: o S&P 500 subiu 1,0%, o Nasdaq avançou 0,5% e o Dow Jones ganhou 1,0%. O setor de semicondutores foi o principal foco de volatilidade. Após quedas fortes, que levaram o Kospi a acionar circuit breaker em dois pregões consecutivos, houve uma recuperação expressiva no fim da semana, impulsionada pelo acordo da Citadel para adquirir ativos da carteira da Situational Awareness.
A temporada de resultados das grandes empresas de tecnologia apresentou sinais mistos. Microsoft e Amazon superaram as expectativas e sustentaram o entusiasmo com inteligência artificial, enquanto Meta e Apple decepcionaram. No cenário macroeconômico, as tensões entre Estados Unidos e Irã, a decisão do Fed e a divulgação do PCE dominaram as atenções. O PIB americano abaixo do esperado teve impacto menor, diante das dificuldades de interpretação dos componentes do resultado. Na Europa, o crescimento acima das projeções reforçou a percepção de resiliência econômica.

Ações domésticas se beneficiam da queda dos juros futuros
No Brasil, a expectativa de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã impulsionou inicialmente o apetite por risco e favoreceu as empresas mais ligadas à economia doméstica, embora a queda temporária do petróleo tenha pressionado o setor de óleo e gás.
O principal impulso veio do IPCA-15 de julho. A alta de apenas 0,06%, menor resultado para o mês desde 2023 e muito abaixo do esperado, provocou queda das taxas futuras de juros em toda a curva e beneficiou especialmente as ações mais sensíveis à Selic.
Parte dos ganhos foi devolvida após a nova escalada das tensões no Oriente Médio e a decisão do Federal Reserve. Resultados abaixo das projeções de bancos como Santander Brasil também pesaram sobre o setor financeiro. Na temporada de balanços, a Embraer surpreendeu positivamente com uma carteira recorde de pedidos, enquanto Vivo, TIM, Santander e Usiminas apresentaram números abaixo das expectativas.

Destaques da semana
A MBRF foi o principal destaque positivo, com alta de 18,2%, após a abertura da fronteira americana para a importação de gado mexicano, movimento que tende a ampliar a oferta nos Estados Unidos.

Na ponta negativa, a Usiminas recuou 13,7% após divulgar resultados acompanhados de uma perspectiva mais fraca do que o esperado para o terceiro trimestre.

 

FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-inflacao-mais-baixa-no-brasil-e-nos-eua/ https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-alivio-na-inflacao-impulsiona-ibovespa-na-semana/?utm_source=AJO&utm_medium=Email&utm_campaign=Wrap+semanal+31.07.2026&utm_message=1266d74a-ff70-4746-b5e9-432ca974d15b&correlationId=7832eb27-4c4a-4c60-a084-a0390b15a664-0

Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119

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