Panorama de Mercado

21 de julho de 2026
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Economia brasileira mostra sinais mistos no segundo trimestre

Os principais indicadores de atividade reforçaram a percepção de que a demanda doméstica começou a perder algum fôlego no segundo trimestre, embora sem indicar uma desaceleração abrupta da economia.

A receita real do setor de serviços recuou 0,4% em maio, depois de avançar 1,1% em abril. O principal destaque negativo veio dos segmentos de transporte e armazenagem. Ainda assim, na comparação com maio de 2025, o setor terciário registrou crescimento de 0,4%, completando o 26º mês consecutivo de expansão nessa base de comparação.

O varejo ampliado também apresentou desempenho fraco, com queda de 0,2% em maio, abaixo da expectativa de crescimento de 0,8%. Supermercados e atacarejo contribuíram negativamente para o resultado, em um período marcado pela pressão dos preços de alimentos sobre o orçamento das famílias.

Em contrapartida, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, avançou 0,1% em maio frente a abril, ligeiramente acima das projeções.

A estimativa é de que o Produto Interno Bruto tenha crescido 0,5% no segundo trimestre, depois da forte alta de 1,1% registrada nos primeiros três meses do ano. A projeção para o PIB de 2026 permanece em 2,0%.

Estados Unidos confirmam nova tarifa sobre produtos brasileiros

O governo americano confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil. A medida entra em vigor em 22 de julho.

Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o Brasil adotaria práticas que prejudicam ou restringem o comércio bilateral, incluindo questões relacionadas ao Pix, desmatamento ilegal e pirataria.

A lista de exceções, contudo, é relevante. Produtos como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram fora da nova cobrança. Segundo estimativas do governo brasileiro, aproximadamente 18% das exportações nacionais serão atingidas pela medida.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo prepara ações de apoio aos exportadores mais afetados, embora o volume de recursos ainda dependa da avaliação dos setores atingidos.

Do ponto de vista macroeconômico, o impacto tende a ser limitado. As exportações representam cerca de 18% do PIB brasileiro, a nova tarifa possui uma ampla lista de exceções e diversos setores têm capacidade de redirecionar vendas para outros mercados. Os efeitos, no entanto, podem ser relevantes para empresas mais expostas diretamente à demanda dos Estados Unidos.

Aposentadoria especial amplia pressão fiscal

O Senado aprovou a proposta que cria regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.

Como o texto já passou pelas duas Casas do Congresso, a proposta segue agora para promulgação.

As estimativas apontam impacto fiscal próximo de R$ 3 bilhões por ano sobre o orçamento federal. A aprovação ocorre em um momento de crescente preocupação com a trajetória das contas públicas, adicionando mais uma despesa permanente a um cenário fiscal já pressionado.

Oriente Médio volta a pressionar o petróleo

No cenário internacional, as tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram a dominar o noticiário.

O presidente Donald Trump reiterou que embarcações americanas continuarão circulando livremente pelo Estreito de Ormuz. Autoridades iranianas, por outro lado, voltaram a ameaçar restringir a passagem de navios até que haja avanço nas negociações entre os dois países.

Com a redução do tráfego marítimo e a percepção de prolongamento do conflito, o petróleo Brent voltou a se aproximar de US$ 90 por barril.

A alta reacende as preocupações com o funcionamento das cadeias globais de abastecimento e com a possibilidade de novas pressões sobre os custos de produção e a inflação mundial.

Inflação americana surpreende para baixo

Nos Estados Unidos, os indicadores de inflação de junho trouxeram uma surpresa positiva.

O índice de preços ao consumidor recuou 0,4% em relação a maio, registrando a primeira queda mensal desde abril de 2020. A principal contribuição veio da redução dos preços de combustíveis.

Com isso, a inflação acumulada em 12 meses caiu de 4,2% para 3,5%.

O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, também desacelerou, passando de 2,9% para 2,6% em 12 meses.

O índice de preços ao produtor seguiu a mesma direção, com queda de 0,3% em junho. O mercado esperava estabilidade e o resultado marcou a primeira retração desde agosto de 2025.

Os dados trouxeram alívio para as expectativas de curto prazo, mas parte dessa melhora pode ser temporária. A nova escalada do conflito no Oriente Médio e a retomada da alta do petróleo voltam a representar riscos para o comportamento dos preços.

O mercado reduziu as apostas em novas altas de juros pelo Federal Reserve ainda em 2026. Mesmo assim, o presidente da instituição, Kevin Warsh, ressaltou que a melhora de junho não significa que o problema inflacionário esteja resolvido e reafirmou o compromisso do banco central com a meta de 2%.

China cresce abaixo do esperado

A economia chinesa perdeu força no segundo trimestre.

O PIB avançou 4,3% na comparação com o mesmo período de 2025, abaixo da expectativa de 4,5% e inferior ao crescimento de 5,0% registrado no primeiro trimestre.

Foi o ritmo mais fraco desde o quarto trimestre de 2022. Na comparação com os três primeiros meses deste ano, o PIB cresceu 0,9%.

A indústria continua sendo o principal ponto de sustentação da economia, especialmente com o avanço das exportações ligadas ao setor de inteligência artificial. Em contrapartida, consumo e investimentos permanecem fragilizados pela crise imobiliária e pela fraqueza da demanda doméstica.

O mercado agora aguarda novas diretrizes econômicas do governo chinês, com expectativa de medidas adicionais de estímulo ao longo do segundo semestre.

Bolsa brasileira acompanha piora do cenário global

O Ibovespa encerrou a semana em queda de 2,3% em reais e 2,5% em dólares, fechando aos 173.714 pontos.

No exterior, os principais índices também recuaram: o S&P 500 caiu 1,1%, o Nasdaq perdeu 3,8% e o Dow Jones recuou 0,6%.

O setor de semicondutores concentrou parte importante das perdas. O ETF SMH, referência para as empresas de chips, caiu 8,9%, em meio à realização de lucros e ao aumento das dúvidas sobre o volume de investimentos destinados à infraestrutura de inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, os bancos americanos apresentaram resultados fortes no segundo trimestre, beneficiados pelo bom desempenho das áreas de mercado de capitais e negociação de ativos.

No Brasil, o aumento da aversão ao risco internacional, as incertezas políticas domésticas e a confirmação das tarifas americanas sobre parte dos produtos brasileiros pressionaram os mercados.

O índice chegou a apresentar alguma recuperação após a divulgação da inflação americana abaixo das expectativas, favorecendo principalmente ações domésticas mais sensíveis aos juros. Porém, novas pesquisas eleitorais e a confirmação das tarifas voltaram a pesar sobre os ativos locais.

Mesmo com a queda do índice, o fluxo de capital estrangeiro foi positivo em R$ 985 milhões na semana até quarta-feira. Ainda assim, desde 15 de abril, o saldo acumulado permanece negativo em aproximadamente R$ 32,9 bilhões.

Entre os destaques positivos, a Vibra avançou 6,3%, beneficiada pela alta do petróleo e por uma revisão positiva de preço-alvo feita por uma instituição financeira.

Na ponta negativa, a Auren recuou 11,3% após uma revisão desfavorável de sua avaliação de crédito pela Fitch Ratings.

Fonte: https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-acompanha-os-mercados-globais-e-fecha-a-semana-em-queda/?utm_source=AJO&utm_medium=Email&utm_campaign=Wrap+semanal+17%2F07%2F2026&utm_message=1b6cd2a9-92e2-4a2a-8c2f-e90c61b11494&correlationId=276976e8-5e13-4b0b-b894-f4b6d26ca30d-0 https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-sinais-de-alivio-na-inflacao-mas-petroleo-permanece-como-risco/

Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119

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