Panorama de Mercado

13 de julho de 2026
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Projeção de inflação é revisada para baixo

A queda mais intensa do preço do petróleo desde o acordo de paz no Oriente Médio levou a uma revisão do cenário econômico brasileiro. A premissa para o barril do Brent no segundo semestre foi reduzida de US$ 85 para US$ 75.
O novo patamar tende a diminuir parcialmente as receitas fiscais e as exportações brasileiras, mas, em contrapartida, reduz as pressões inflacionárias de curto prazo. A menor pressão sobre os preços globais também diminui a possibilidade de o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, elevar os juros neste ano.
Nesse ambiente, permanece a expectativa de que o Comitê de Política Monetária realize mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic antes de interromper o ciclo para avaliar os efeitos das decisões já tomadas.
A projeção para o IPCA de 2026 foi reduzida de 5,5% para 5,2%. Apesar da melhora, os riscos não desapareceram. Entre os fatores de pressão permanecem a alta internacional dos insumos tecnológicos, os possíveis efeitos climáticos do El Niño e a demanda doméstica fortalecida por estímulos fiscais e parafiscais.

IPCA de junho surpreende positivamente

A inflação oficial avançou 0,16% em junho, abaixo da projeção de 0,32% e também inferior ao consenso de mercado, de 0,31%.
Com o resultado, o IPCA acumulado em 12 meses recuou de 4,72% em maio para 4,64% em junho. As principais surpresas positivas vieram do grupo de alimentação, que apresentou comportamento mais favorável do que o previsto.
Os mercados reagiram bem ao dado, com queda das taxas futuras de juros. A probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom subiu para 85%.
Embora a leitura melhore o cenário inflacionário de curtíssimo prazo, o processo de desinflação ainda é considerado lento e incompleto. A projeção permanece em 5,2% para 2026 e em 4,2% para 2027.

Câmara aprova crédito de R$ 10 bilhões para o diesel

A Câmara dos Deputados aprovou, sem alterações, a medida provisória que abre crédito extraordinário de R$ 10 bilhões para subsidiar o óleo diesel.
O programa foi criado em março e reforçado em abril, após o agravamento do conflito no Oriente Médio. O mecanismo prevê ressarcimento de R$ 0,32 por litro aos produtores e importadores que aderirem à iniciativa.
A medida busca limitar o repasse da alta internacional dos combustíveis para a economia brasileira. O diesel responde por quase 100% do transporte público e aproximadamente 80% do transporte de cargas, o que amplia sua influência sobre a inflação e sobre o funcionamento das cadeias de abastecimento.
A proposta segue agora para análise do Senado.

Estados Unidos avaliam nova tarifa contra produtos brasileiros

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos iniciou uma audiência pública sobre a possibilidade de impor uma tarifa adicional de 25% a produtos brasileiros.
A investigação foi aberta com base na Seção 301 da legislação americana e envolve alegações de práticas restritivas nas áreas de comércio digital, meios de pagamento incluindo o Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento.
Segundo informações da CNN Brasil, o governo brasileiro considera reduzido o espaço para impedir a adoção da medida. O principal argumento de defesa é que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil, o que enfraqueceria a justificativa para novas sanções.
Jamieson Greer, representante do comércio americano, afirmou que a decisão será anunciada “muito em breve”.
Mesmo que a tarifa seja implementada, o impacto agregado sobre a economia brasileira tende a ser limitado. Os Estados Unidos respondem por 10,8% das exportações nacionais, participação que já diminuiu em 2025. No mesmo período, as exportações totais do Brasil alcançaram recorde, apoiadas pelo redirecionamento de produtos para outros mercados.

Escalada entre Estados Unidos e Irã volta a pressionar o petróleo

O cenário internacional voltou a ser marcado pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Donald Trump endureceu o discurso contra Teerã, autorizou novos ataques e restabeleceu sanções às exportações de petróleo iraniano. A ofensiva ocorreu após ataques a embarcações comerciais de países ocidentais no Estreito de Ormuz.
Em resposta, o Irã atingiu ativos americanos localizados em países do Golfo e declarou que a normalização do tráfego marítimo dependerá das condições definidas pelo próprio governo iraniano.
Segundo entidades do setor, o fluxo pelo Estreito de Ormuz caiu para aproximadamente 30 embarcações por dia, volume muito inferior ao observado antes do conflito. O petróleo Brent voltou a operar próximo de US$ 77 por barril, reacendendo preocupações com a oferta global e a inflação internacional.

Fed demonstra preocupação maior com os preços

A ata da última reunião do Federal Reserve mostrou que cresceu a preocupação dos dirigentes com a inflação.
Alguns integrantes já consideravam justificável uma elevação dos juros na reunião anterior, embora a taxa tenha sido mantida entre 3,50% e 3,75%. O documento também eliminou indicações mais claras sobre o próximo movimento da política monetária.
Desde que assumiu a presidência do Fed, Kevin Warsh passou a defender uma comunicação mais curta e menos dependente de orientações antecipadas ao mercado.
O banco central americano também anunciou a criação de cinco forças-tarefa para revisar aspectos como comunicação, produtividade, uso de dados e modelos de inflação. Entre os integrantes dos grupos estão Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil, e Mervyn King, ex-presidente do Banco da Inglaterra.
Os trabalhos deverão ser concluídos até o fim do ano e poderão resultar em mudanças no processo decisório do Fed.

Custos industriais aumentam na Ásia

Os índices de preços ao produtor voltaram a mostrar aceleração na China e no Japão.
Na China, o PPI avançou 4,1% em junho na comparação anual, acima dos 3,9% registrados em maio e no maior ritmo desde julho de 2022. O movimento refletiu aumentos nos setores de energia, equipamentos elétricos, eletrônicos e metais.
No Japão, o índice subiu 7,1% em 12 meses, maior avanço desde o início de 2023.Parte dessa pressão decorre da valorização de commodities e da forte demanda por componentes tecnológicos ligados à inteligência artificial.
Na China, o repasse aos consumidores ainda é limitado pela fraqueza da demanda doméstica. No Japão, os dados reforçam a perspectiva de continuidade do ciclo de alta de juros.

FMI reduz projeção para a economia mundial

O Fundo Monetário Internacional reduziu sua projeção de crescimento global para 2026 de 3,1% para 3,0%.
A revisão considera os efeitos da guerra no Oriente Médio, a fragmentação do comércio internacional e a possibilidade de correções nas expectativas relacionadas à inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, a projeção de inflação global foi elevada de 4,4% para 4,7% em 2026.
Apesar dos riscos, o FMI avaliou que a economia mundial vem resistindo melhor do que o previsto, apoiada pela demanda do setor de tecnologia, pela liberação de reservas estratégicas de petróleo e pela adaptação das cadeias de suprimento.

Bolsa brasileira avança com inflação mais baixa

O Ibovespa encerrou a semana em alta de 2,1% em reais e de 3,4% em dólares, beneficiado pela valorização de 1,2% do real. O índice fechou aos 177.681 pontos.
Nos mercados internacionais, o S&P 500 subiu 1,3%, o Nasdaq avançou 1,7% e o Dow Jones recuou 0,5%.
O setor de inteligência artificial voltou a liderar os ganhos. A Nvidia avançou 7,8% após notícias de que a China poderia autorizar vendas limitadas de chips. A AMD subiu mais de 7,4%, enquanto a SK Hynix valorizou mais de 12,7% em sua estreia na Nasdaq.
O petróleo teve forte volatilidade durante a semana. O Brent chegou a superar US$ 80 por barril após Donald Trump afirmar que o cessar-fogo no Oriente Médio havia terminado.
No Brasil, o Ibovespa começou a semana pressionado pela saída de capital estrangeiro e pela rotação global em direção às empresas de tecnologia. Após entrada de R$ 1,65 bilhão na semana anterior, houve retirada líquida de R$ 1,2 bilhão
A recuperação ocorreu na reta final da semana, com a queda do petróleo, o fechamento da curva de juros e a surpresa favorável do IPCA de junho. O dado reforçou as apostas em um novo corte da Selic na reunião de agosto.
A CSN Mineração foi o principal destaque positivo, com alta de 20,2%, apesar da queda do minério de ferro. O movimento foi parcialmente sustentado pelo crescimento de 18% nas exportações brasileiras de minério em junho de 2026.
Na ponta negativa, a MRV recuou 8,1%, após divulgar a retomada da geração de caixa operacional em sua divisão de incorporação no segundo trimestre.

Fonte: https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-em-semana-de-volatilidade-elevada-ibovespa-fecha-no-positivo/?utm_source=AJO&utm_medium=Email&utm_campaign=wrap+semanal+10.07.2026&utm_message=6fba68dd-2ceb-480a-92a8-4fcac15de120&correlationId=0c474e1d-d4a6-4960-ab68-fd71d86480f4-0 https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-ipca-abaixo-do-esperado-reduz-juros-futuros/

Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119

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