Economia brasileira mostra sinais mistos no segundo trimestre
Os principais indicadores de atividade reforçaram a percepção de que a demanda doméstica começou a perder algum fôlego no segundo trimestre, embora sem indicar uma desaceleração abrupta da economia.
A receita real do setor de serviços recuou 0,4% em maio, depois de avançar 1,1% em abril. O principal destaque negativo veio dos segmentos de transporte e armazenagem. Ainda assim, na comparação com maio de 2025, o setor terciário registrou crescimento de 0,4%, completando o 26º mês consecutivo de expansão nessa base de comparação.
O varejo ampliado também apresentou desempenho fraco, com queda de 0,2% em maio, abaixo da expectativa de crescimento de 0,8%. Supermercados e atacarejo contribuíram negativamente para o resultado, em um período marcado pela pressão dos preços de alimentos sobre o orçamento das famílias.
Em contrapartida, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, avançou 0,1% em maio frente a abril, ligeiramente acima das projeções.
A estimativa é de que o Produto Interno Bruto tenha crescido 0,5% no segundo trimestre, depois da forte alta de 1,1% registrada nos primeiros três meses do ano. A projeção para o PIB de 2026 permanece em 2,0%.
Estados Unidos confirmam nova tarifa sobre produtos brasileiros
O governo americano confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil. A medida entra em vigor em 22 de julho.
Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o Brasil adotaria práticas que prejudicam ou restringem o comércio bilateral, incluindo questões relacionadas ao Pix, desmatamento ilegal e pirataria.
A lista de exceções, contudo, é relevante. Produtos como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram fora da nova cobrança. Segundo estimativas do governo brasileiro, aproximadamente 18% das exportações nacionais serão atingidas pela medida.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo prepara ações de apoio aos exportadores mais afetados, embora o volume de recursos ainda dependa da avaliação dos setores atingidos.
Do ponto de vista macroeconômico, o impacto tende a ser limitado. As exportações representam cerca de 18% do PIB brasileiro, a nova tarifa possui uma ampla lista de exceções e diversos setores têm capacidade de redirecionar vendas para outros mercados. Os efeitos, no entanto, podem ser relevantes para empresas mais expostas diretamente à demanda dos Estados Unidos.
Aposentadoria especial amplia pressão fiscal
O Senado aprovou a proposta que cria regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.
Como o texto já passou pelas duas Casas do Congresso, a proposta segue agora para promulgação.
As estimativas apontam impacto fiscal próximo de R$ 3 bilhões por ano sobre o orçamento federal. A aprovação ocorre em um momento de crescente preocupação com a trajetória das contas públicas, adicionando mais uma despesa permanente a um cenário fiscal já pressionado.
Oriente Médio volta a pressionar o petróleo
No cenário internacional, as tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram a dominar o noticiário.
O presidente Donald Trump reiterou que embarcações americanas continuarão circulando livremente pelo Estreito de Ormuz. Autoridades iranianas, por outro lado, voltaram a ameaçar restringir a passagem de navios até que haja avanço nas negociações entre os dois países.
Com a redução do tráfego marítimo e a percepção de prolongamento do conflito, o petróleo Brent voltou a se aproximar de US$ 90 por barril.
A alta reacende as preocupações com o funcionamento das cadeias globais de abastecimento e com a possibilidade de novas pressões sobre os custos de produção e a inflação mundial.
Inflação americana surpreende para baixo
Nos Estados Unidos, os indicadores de inflação de junho trouxeram uma surpresa positiva.
O índice de preços ao consumidor recuou 0,4% em relação a maio, registrando a primeira queda mensal desde abril de 2020. A principal contribuição veio da redução dos preços de combustíveis.
Com isso, a inflação acumulada em 12 meses caiu de 4,2% para 3,5%.
O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, também desacelerou, passando de 2,9% para 2,6% em 12 meses.
O índice de preços ao produtor seguiu a mesma direção, com queda de 0,3% em junho. O mercado esperava estabilidade e o resultado marcou a primeira retração desde agosto de 2025.
Os dados trouxeram alívio para as expectativas de curto prazo, mas parte dessa melhora pode ser temporária. A nova escalada do conflito no Oriente Médio e a retomada da alta do petróleo voltam a representar riscos para o comportamento dos preços.
O mercado reduziu as apostas em novas altas de juros pelo Federal Reserve ainda em 2026. Mesmo assim, o presidente da instituição, Kevin Warsh, ressaltou que a melhora de junho não significa que o problema inflacionário esteja resolvido e reafirmou o compromisso do banco central com a meta de 2%.
China cresce abaixo do esperado
A economia chinesa perdeu força no segundo trimestre.
O PIB avançou 4,3% na comparação com o mesmo período de 2025, abaixo da expectativa de 4,5% e inferior ao crescimento de 5,0% registrado no primeiro trimestre.
Foi o ritmo mais fraco desde o quarto trimestre de 2022. Na comparação com os três primeiros meses deste ano, o PIB cresceu 0,9%.
A indústria continua sendo o principal ponto de sustentação da economia, especialmente com o avanço das exportações ligadas ao setor de inteligência artificial. Em contrapartida, consumo e investimentos permanecem fragilizados pela crise imobiliária e pela fraqueza da demanda doméstica.
O mercado agora aguarda novas diretrizes econômicas do governo chinês, com expectativa de medidas adicionais de estímulo ao longo do segundo semestre.
Bolsa brasileira acompanha piora do cenário global
O Ibovespa encerrou a semana em queda de 2,3% em reais e 2,5% em dólares, fechando aos 173.714 pontos.
No exterior, os principais índices também recuaram: o S&P 500 caiu 1,1%, o Nasdaq perdeu 3,8% e o Dow Jones recuou 0,6%.
O setor de semicondutores concentrou parte importante das perdas. O ETF SMH, referência para as empresas de chips, caiu 8,9%, em meio à realização de lucros e ao aumento das dúvidas sobre o volume de investimentos destinados à infraestrutura de inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, os bancos americanos apresentaram resultados fortes no segundo trimestre, beneficiados pelo bom desempenho das áreas de mercado de capitais e negociação de ativos.
No Brasil, o aumento da aversão ao risco internacional, as incertezas políticas domésticas e a confirmação das tarifas americanas sobre parte dos produtos brasileiros pressionaram os mercados.
O índice chegou a apresentar alguma recuperação após a divulgação da inflação americana abaixo das expectativas, favorecendo principalmente ações domésticas mais sensíveis aos juros. Porém, novas pesquisas eleitorais e a confirmação das tarifas voltaram a pesar sobre os ativos locais.
Mesmo com a queda do índice, o fluxo de capital estrangeiro foi positivo em R$ 985 milhões na semana até quarta-feira. Ainda assim, desde 15 de abril, o saldo acumulado permanece negativo em aproximadamente R$ 32,9 bilhões.
Entre os destaques positivos, a Vibra avançou 6,3%, beneficiada pela alta do petróleo e por uma revisão positiva de preço-alvo feita por uma instituição financeira.
Na ponta negativa, a Auren recuou 11,3% após uma revisão desfavorável de sua avaliação de crédito pela Fitch Ratings.
Fonte: https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-acompanha-os-mercados-globais-e-fecha-a-semana-em-queda/?utm_source=AJO&utm_medium=Email&utm_campaign=Wrap+semanal+17%2F07%2F2026&utm_message=1b6cd2a9-92e2-4a2a-8c2f-e90c61b11494&correlationId=276976e8-5e13-4b0b-b894-f4b6d26ca30d-0 https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-sinais-de-alivio-na-inflacao-mas-petroleo-permanece-como-risco/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
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