Panorama de Mercado

19 de março de 2025
4 mins read

Economia brasileira dá sinais de arrefecimento gradual

Os números de janeiro confirmaram a perspectiva de desaceleração moderada após resultados pouco animadores no fim do ano passado. No setor de serviços, a receita real recuou 0,2% na comparação mensal, em linha com as projeções. As atividades ligadas ao consumo das famílias têm perdido força, enquanto o varejo, embora registre certa melhora em segmentos mais dependentes de crédito, deve manter a tendência de esfriamento. Na indústria, a produção não saiu do lugar em janeiro, frustrando expectativas, ainda que, ao se observar os dados por setor, prevaleçam pontos positivos. Analistas estimam crescimento levemente superior a 1% do PIB no primeiro trimestre, alavancado sobretudo pela resiliência em áreas industriais, serviços e comércio. Uma desaceleração mais nítida, contudo, está projetada para começar no segundo trimestre.

Inflação pressionada por energia e imposto sobre combustíveis

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,31% em fevereiro, conforme o esperado, o que elevou a taxa em 12 meses de 4,56% para 5,06%. Esse patamar supera o teto da meta do Banco Central. Os fatores que contribuíram para o aumento incluem o retorno das tarifas de energia a um nível anterior ao desconto de janeiro (a variação da “energia elétrica residencial” chegou a 16,8%) e a alta de ICMS, que encareceu combustíveis em 2,9% no mês. Além disso, o reajuste de mensalidades escolares, típico de fevereiro, também impactou os preços. Especialistas veem a inflação pressionada ao longo de 2025, motivada tanto por fatores domésticos quanto externos, com peso maior do cenário interno. A projeção para o IPCA do ano se mantém em 6,0%.

Novo Orçamento e reforma do IR devem movimentar o Congresso

O Executivo enviou ao Legislativo um ofício pedindo ajustes no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), adicionando R$ 3 bilhões ao Auxílio-Gás e R$ 8 bilhões nos gastos previdenciários, ao mesmo tempo em que corta R$ 7,7 bilhões do programa Bolsa Família. O texto, assinado pela ministra Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), tem previsão de votação na próxima semana. Também está para ser apresentado um projeto de lei que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais. O plano inclui criar uma alíquota mínima efetiva para rendas mais elevadas, a fim de compensar a perda estimada entre R$ 25 bilhões e R$ 35 bilhões de arrecadação.

Isenção de imposto de importação sobre alimentos busca segurar inflação

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou, sem votos contrários, a retirada do imposto de importação em 11 itens alimentícios, como carnes bovinas desossadas, café, milho em grãos, azeite de oliva, óleo de girassol, açúcar, biscoitos, massas e sardinha. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a renúncia fiscal pode chegar a R$ 650 milhões, caso a desoneração seja mantida por 12 meses. A medida formaliza o anúncio feito anteriormente para conter os preços de alimentos.

CENÁRIO INTERNACIONAL

Guerra comercial se intensifica: EUA ampliam tarifas sobre metais, e China reage

Entrou em vigor a tarifa de 25% sobre as importações de aço e alumínio nos Estados Unidos, atingindo países como Canadá, México e Brasil. A iniciativa faz parte das promessas de Donald Trump para fortalecer a indústria nacional. A China, por sua vez, retaliou impondo taxas de 10% a 15% a produtos agropecuários americanos, incluindo frango e carne bovina. Além disso, o governo Trump determinou uma tarifa de 200% sobre vinhos e espumantes europeus, depois de a União Europeia elevar para 50% o imposto sobre uísque produzido nos EUA. As medidas contribuem para a alta de preços globais e reforçam o temor de uma guerra comercial generalizada.

EUA: inflação mais fraca e mercado de trabalho resiliente

Os preços ao consumidor subiram 0,2% em fevereiro, abaixo das estimativas. Em 12 meses, o índice recuou de 3,0% para 2,8%, enquanto o núcleo (sem itens voláteis) também avançou 0,2%, desacelerando de 3,7% para 3,2% no acumulado anual. Já a inflação ao produtor ficou estável. Em sentido contrário, os dados do relatório JOLTS mostraram 7,74 milhões de vagas abertas, superando as previsões do mercado. O recém-criado Departamento de Eficiência Governamental, responsável por cortes de pessoal, não impactou esse levantamento inicial de 2025. Persistem incertezas quanto ao crescimento econômico e à inflação futura, em meio ao contexto de novas tarifas comerciais.

Trégua na Ucrânia esbarra em exigências da Rússia

Os Estados Unidos propuseram um cessar-fogo de 30 dias na guerra na Ucrânia, e Kiev se mostrou favorável. Já o presidente russo, Vladimir Putin, endossou a ideia, mas ressaltou a necessidade de definir garantias para que o intervalo de paz não sirva apenas para reorganização das tropas ucranianas. O líder russo exige diálogo com os EUA para abordar as causas estruturais do conflito.

China aprofunda tendência de deflação

Dados recentes de inflação ao consumidor e ao produtor na China indicam continuidade de um quadro deflacionário. Em 12 meses, os preços ao consumidor recuaram -0,7%, superando as estimativas de -0,4%. A fraca demanda doméstica frente a uma produção ainda robusta alimenta o risco de queda de preços no país, o que preocupa analistas quanto ao desempenho econômico chinês em 2025.

BOLSA

Ibovespa fecha semana em alta de 3,1% e dribla perdas no exterior

Enquanto os índices norte-americanos registraram desempenho negativo (S&P 500, -2,3%; Nasdaq, -2,5%) e chegaram a entrar em território de correção, o Ibovespa contrariou o cenário internacional adverso e subiu 3,1% em reais (4,3% em dólares), terminando aos 128.957 pontos. Nos EUA, o mercado foi afetado pela incerteza das políticas comerciais do governo Trump, bem como pelos dados de inflação, que vieram mais brandos que o esperado, sem alterar substancialmente as apostas sobre a próxima decisão de juros do Federal Reserve (prevista para o dia 19 de março). No Brasil, o IPCA de fevereiro e as vendas do varejo de janeiro coincidiram com as expectativas, e alguns balanços agradaram, como o de Magazine Luiza (MGLU3, +22,1%) e CSN (CSNA3, +16,1%). Apesar disso, a safra de resultados do quarto trimestre de 2024 segue modesta: de 91 empresas acompanhadas, 38% superaram previsões, 41% vieram abaixo e 21% cumpriram o projetado.
Magazine Luiza foi o grande destaque positivo, impulsionada pelos números acima do previsto. Já Natura (NTCO3) despencou 28,9%, no pior desempenho diário de sua história, impactada por resultados fracos e questionamentos sobre a lucratividade da companhia.

FONTE:https://conteudos.xpi.com.br/acoes/relatorios/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-se-destaca-em-mais-uma-semana-de-volatilidade-global/ https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-sinais-mais-claros-de-desaceleracao-no-brasil/

Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119

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