CAMINHONEIROS

25 de março de 2020
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EM 2018 muita gente criticava os caminhoneiros que fizeram uma das maiores greves deste país e que no final da história ganharam nada além de promessas.
Pois bem, como empresário do ramo de transporte vejo hoje uma falta de reconhecimento de toda a população por estes profissionais que estão na estrada se arriscando em rodovias esburacadas, mal sinalizadas, sem fiscalização, aonde ‘doidos varridos’ dirigem sem nenhuma noção do perigo que estão oferecendo aos outros que por lá transitam, e agora, ainda tem que enfrentar outras situações de risco.
O maior deles é claro, o risco de se contaminar com o Coronavírus, por mais que o álcool gel tenha se tornado ferramenta de trabalho, que outras medidas de proteção estejam sendo a cada dia implementadas, o risco existe.
Depois disso, e ainda pior, é sofrer preconceito por ser um viajante. Ninguém entende que se o motorista de caminhão está viajando é para que o alimento, o remédio, enfim, o básico das suas necessidades (incluindo o papel higiênico) esteja sendo produzido, entregue e colocado à sua disposição nos supermercados. Ou vocês acham que os produtos se ‘teletransportam’?
Então chega o meu motorista e diz que ao chegar em um restaurante na estrada para pedir um café foi tratado mal. E daí começo a conversar com outros motoristas e todos falam a mesma coisa: que aonde chegam as pessoas ficam olhando como se eles estivessem transportando o maldito Coronavírus.
E me pergunto se vale a pena continuar transportando aquilo que as pessoas precisam. Se elas merecem mesmo o esforço e sacrifício que estes profissionais estão fazendo neste momento. Porque não há justificativa para tratar um motorista mal. Ela passa a maior parte do tempo dentro da cabine, protegido. Ele que deveria ter medo das pessoas. Ele que deveria se afastar, cobrar comportamentos e atitudes para confirmar se o café que ele iria pedir realmente estava livre do vírus. Será que aquele copo ou xícara foi bem lavado? Será que aquela pessoa que lhe atendeu não estava infectada com o vírus?
Pensem nisso, a nação brasileira deveria agradecer e criar um fundo para estes profissionais que deixam família em casa e seguem para uma guerra diária, para enfrentar um inimigo que ele não sabe aonde está, pode ser em uma reta, em uma curva, ou agora, no balcão de um restaurante de beira de estrada.
Se os motoristas não tiveram apoio agora, eles irão parar, e daí então você verão que é muita maior a importância deles do que o risco que algumas pessoas dão a entender que eles oferecem.
Se você conhecer um motorista de caminhão, agradeça pelo que ele está fazendo por todos nós.

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