
Detox mental também é saúde
Existe uma culpa silenciosa que acompanha muitas mães: a de admitir que, às vezes, elas querem ficar sozinhas.
Não é porque amam menos os filhos. Não é porque se cansaram da família. É justamente porque amam tanto, entregam tanto e estão disponíveis o tempo todo que, de vez em quando, precisam se encontrar de novo. E talvez isso fique ainda mais evidente depois das férias escolares, quando a rotina muda, a casa fica cheia, o barulho se prolonga e o conceito de privacidade praticamente desaparece.
Há quem ache egoísmo desejar uma hora sem interrupções. Mas experimente ouvir uma música inteira sem alguém chamar “mãe” no refrão. Experimente escolher um filme sem negociar com personagens animados ou super-heróis. Experimente tomar uma taça de vinho sabendo que o carro vai continuar na garagem e que ninguém vai precisar de você pelos próximos minutos. Parece pouco. Mas, para muitas mulheres, isso se tornou um luxo.
E, antes que alguém interprete mal, esse tempo não precisa ser apenas longe dos filhos. Às vezes, ele também precisa ser longe do marido. Porque ser esposa também exige presença. Conversa. Acordos. Afeto. Cuidado. E ninguém consegue ocupar tantos papéis o tempo inteiro sem que, em algum momento, sinta falta de ser apenas ela mesma.
A maternidade nos ensina que o amor é entrega. Mas ninguém falou que essa entrega deveria significar desaparecimento. Há uma diferença enorme entre dividir a vida e abrir mão da própria identidade. Mães também têm músicas favoritas que não são infantis. Filmes que não são dublados. Restaurantes onde não existe cadeira de alimentação. Pensamentos que precisam de silêncio para existir.
Talvez o maior presente que uma família possa dar a uma mãe seja permitir que ela vá. Sozinha. Sem culpa. Sem justificativas. Algumas horas bastam para recarregar o que semanas de cansaço consumiram.
Porque uma mulher que volta para casa depois de respirar a própria liberdade não volta menos mãe. Volta inteira.
E filhos não precisam de mães perfeitas.
Precisam de mães que ainda saibam quem são quando ninguém está chamando por elas.
Até semana que vem!
Leia Alberti



