Panorama de Mercado

11 de março de 2025
4 mins read

 

Economia brasileira avança 3,4% em 2024, mas ritmo perde força

A atividade econômica do país cresceu 3,4% ao longo de 2024, conforme dados divulgados recentemente. No entanto, o resultado do quarto trimestre – com expansão de 0,2% em relação aos três meses anteriores – frustrou expectativas do mercado, que projetava algo em torno de 0,4% a 0,5%. Em comparação ao mesmo período de 2023, o avanço foi de 3,6%. A principal surpresa negativa ficou por conta do consumo das famílias, que recuou 1% no trimestre. Por outro lado, o investimento das empresas manteve trajetória positiva, fechando o ano com incremento de 7,3% e alta de 0,4% no quarto trimestre.
Para 2025, estima-se um crescimento de 2%, com destaque para a agropecuária, beneficiada por uma safra recorde de grãos. O mercado de trabalho, embora apresente sinais de acomodação, ainda exibe níveis sólidos de emprego e renda. Medidas anunciadas pelo governo podem oferecer estímulos de curto prazo, contrabalançando a desaceleração econômica.

Governo reforça pacote para baratear alimentos

Seis medidas foram anunciadas com o propósito de segurar os preços dos alimentos. A principal delas zera a alíquota de importação em nove itens (incluindo carnes, café e açúcar). Também estão previstas a ampliação de estoques estratégicos e estímulos a setores específicos. Além disso, o Executivo pretende convencer governadores a zerar o ICMS sobre produtos da cesta básica. Embora o corte de tarifas possa ter efeito limitado na inflação, a remoção desse imposto estadual teria potencial mais robusto de aliviar os preços ao consumidor.

CENÁRIO INTERNACIONAL

Trump adia cobrança de tarifas sobre vizinhos, mas eleva pressão contra a China

O governo dos Estados Unidos voltou a postergar a aplicação de taxas contra produtos do México e do Canadá até 2 de abril, mantendo dúvidas sobre a intensidade da disputa comercial. Já em relação à China, foi concretizado o aumento das tarifas de 10% para 20%. O gigante asiático, em retaliação, também elevou impostos sobre itens importados dos EUA. O chanceler chinês, Wang Yi, criticou Washington e disse estar disposto a negociar, mas que seu país não recuará diante de uma “guerra tarifária”.

Crescem sinais de desaceleração nos EUA, e Fed vê menor pressão para subir juros

Indicadores recentes apontam para um arrefecimento da economia americana. Vendas no varejo vieram abaixo do esperado e o ritmo de geração de emprego ficou aquém das projeções do mercado, com 151 mil vagas criadas em fevereiro. A inflação, por sua vez, segue próxima das metas. Diante desse cenário, as chances de o Federal Reserve elevar os juros neste ano diminuíram, aliviando os temores de parte dos investidores. Os rendimentos dos títulos do Tesouro recuaram, impulsionando mercados emergentes como o Brasil, onde o dólar chegou a cair para cerca de R$ 5,75 após ter encerrado antes do feriado próximo de R$ 5,92.

Europa reduz juros em meio à estagnação e mantém foco na inflação

Na zona do euro, o resultado final do PIB do quarto trimestre de 2024 apontou alta de 0,2% frente ao período anterior, muito próximo de um quadro de estagnação. Com isso, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu cortar os juros em 0,25 ponto percentual, fixando-os em 2,5%. Apesar de a inflação dar sinais de queda, os preços de serviços e salários seguem elevados, e as tarifas impostas pelos Estados Unidos podem pressionar custos. O BCE elevou a projeção inflacionária de 2,1% para 2,3% em 2025, acima do objetivo de 2%. O mercado espera um novo corte de mesma proporção na próxima reunião.

Alemanha planeja pacote de 500 bilhões de euros e revê regras de endividamento

Partidos que negociam formar o próximo governo alemão acertaram a criação de um fundo de infraestrutura no valor de 500 bilhões de euros, além da reformulação das normas de empréstimo, visando fortalecer as Forças Armadas e reaquecer a maior economia da Europa. O anúncio elevou os juros dos títulos alemães de dez anos a 2,80%, enquanto o euro se valorizou frente ao dólar.

China prevê 5% de crescimento e amplia déficit para enfrentar tarifas

O governo chinês fixou a meta de expansão econômica em 5% para 2025 e projeta um déficit de 4% do PIB, o mais alto em 30 anos, como forma de atenuar o impacto das tarifas americanas. Embora a atividade venha desacelerando, o país sinaliza estímulos fiscais para cumprir seus objetivos de crescimento. Se essas medidas surtirem efeito, setores exportadores do Brasil podem se beneficiar, dada a relevância da China para a balança comercial brasileira.

BOLSA

Ibovespa avança 1,8% em semana de menor liquidez

O principal índice da B3 subiu 1,8% em reais (3,5% em dólares), fechando aos 125.035 pontos, em semana mais curta devido ao Carnaval. Nos Estados Unidos, o S&P 500 e o Nasdaq recuaram cerca de 3%, pressionados por sinais de desaceleração econômica e incertezas comerciais. Também pesaram fatores técnicos ligados a grandes fundos quantitativos. Em sentido oposto, mercados de Hong Kong (HSI, +5,7%) e Europa (STOXX50, +4,4%) exibiram ganhos, reforçando a tendência de rotação regional. Já no Brasil, o fechamento da curva de juros e a queda do dólar, que encerrou o período em R$ 5,79 (-2,7%), contribuíram para o desempenho positivo das ações, mesmo após dados de PIB mais fracos no quarto trimestre. Entre as empresas locais, papéis ligados ao consumo, como Magazine Luiza e Cogna (MGLU3, +9,9%; COGN3, +8,6%), destacaram-se favoravelmente com a redução das taxas de juros. Já a Petrobras (PETR3, -4,2%; PETR4, -3,6%) refletiu a desvalorização do petróleo no mercado internacional (Brent, -3,9%), liderando as quedas da semana.

 

FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-pib-brasileiro-desacelerou-no-final-de-2024/
https://conteudos.xpi.com.br/acoes/relatorios/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-sobe-em-semana-mais-curta-e-em-meio-a-volatilidade-global/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119

 

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

Publicação anterior

DERIVATIVOS E CRISE

Próxima publicação

Destruição Criativa

Última publicação de Mateus H. Passero

Panorama de Mercado

Petróleo recua, mas incertezas ainda desafiam economia global Os mercados internacionais encerraram mais uma semana acompanhando atentamente os desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e

Panorama de Mercado

Brasil entre inflação, petróleo e ruído político A economia brasileira voltou a conviver com um ambiente de maior volatilidade nos últimos dias. A combinação entre

Panorama de Mercado

Real abaixo de R$ 5 e consumo em retomada marcam início de 2026 A taxa de câmbio brasileira encerrou a semana abaixo de R$ 5,00

Panorama de Mercado

A Inteligência Artificial nos Salvará? O avanço da inteligência artificial (IA) vem gerando uma nova onda de otimismo sobre produtividade — uma relação que, se

PANORAMA DE MERCADO

Escalada geopolítica eleva incerteza e pressiona ativos brasileiros A intensificação do conflito no Oriente Médio passou a influenciar diretamente o comportamento dos mercados brasileiros. A
Vá para oTopo