Salto ou Tênis: Maratona de Julho e o Equilíbrio na Corda Bamba

16 de julho de 2026
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As férias de julho chegaram e, com elas, a tradicional operação de guerra doméstica. Se por um lado a política partidária exige jogo de cintura, a “política domiciliar” neste mês exige um verdadeiro milagre diplomático. É o momento em que nós, mães que defendemos a liberdade e a autonomia sem precisar demonizar os homens, nos vemos divididos entre o salto alto das reuniões e o tênis de corrida para acompanhar o ressentimento das crianças. Afinal, buscar nosso espaço no mundo e no mercado de trabalho não nos isenta do doce — e às vezes desesperador — fardo de gerenciar o recesso escolar enquanto a pilha de louça e as demandas profissionais teimam em não tirar férias.

Aqui em casa, a tarifa do confinamento de inverno tem duas frentes bem distintas. De um lado, a perspicaz Nina, de 9 anos, questiona até a terceira geração o porquê de termos que seguir certas rotinas, mostrando uma independência que me orgulha, mas que também me exige méritos dignos de um debate no Senado. Do outro, o Paulo Henrique, de 12 anos, com sua doçura gigante, cobra aquela atenção exclusiva que derrete o coração e zera o cronômetro da nossa sanidade. No meio desse fogo cruzado, meu marido e eu tentamos equilibrar os pratos, mostrando pelo exemplo que uma parceria se faz no trabalho e no estudo, dividindo o peso para que ninguém precise carregar o mundo nas costas sozinho.

O grande xis da questão — ou o grande “partido” que precisamos tomar — é como ocupar os espaços de poder e de entretenimento mais mulheres a entrarem na política quando mal conseguem tempo para ir ao banheiro sem uma audiência pública na porta. Brincadeiras à parte, a participação feminina nas decisões da sociedade começa justamente na nossa capacidade de liderar a própria vida e projetar essa voz para fóruns. Não queremos privilégios nem cotas de compaixão; Queremos o direito de competir de igual para igual, sabendo que os homens também têm suas lutas e vulnerabilidades. Mas convenhamos: governar um município parece fichinha perto de negociar o tempo de tela de um pré-adolescente carente e de uma menina que já nasceu pronta para presidir a CCJ.

Por isso, caro leitora, se você está prestes a arrancar os cabelos entre um relatório, um almoço queimado e um pedido de “mãe, o que tem para fazer agora?”, respire fundo. A nossa emancipação não é uma disputa contra eles, mas uma caminhada conjunta onde a maior vitória é ensinar aos nossos filhos a serem livres e responsáveis. Seja de salto ou de tênis, o importante é não perder o passo, manter o humor e lembrar que sobreviver a julho já é um tremendo ato de resistência política. No final das contas, as férias passam, a nossa sanidade (com sorte) se recupera, e o exemplo de que a vida se constrói com suor, estudo e muito amor fica para sempre.

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