Copom interrompe ciclo de alta e indica manutenção prolongada da Selic
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu elevar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 15,00%. A decisão foi dividida entre analistas: enquanto parte do mercado já esperava esse aumento, outra parcela — incluindo nossa equipe — previa a manutenção da taxa. O comunicado da reunião destacou o dinamismo do mercado de trabalho e as recentes tensões geopolíticas como justificativas para a decisão.
De forma clara, o Copom sinalizou que pretende manter a Selic nesse patamar por um período prolongado. A autoridade monetária afirmou que antecipa uma interrupção no ciclo de alta e reforçou a necessidade de avaliar os efeitos defasados do aperto monetário. Com isso, tenta conter expectativas de cortes nos juros em um futuro próximo.
Diante desse cenário, nossa avaliação é de que esta foi a última alta da Selic em 2025.
Câmbio atinge menor nível em nove meses com apoio externo
O dólar comercial recuou para abaixo de R$ 5,50 — o menor patamar desde outubro de 2024. A valorização do petróleo e a depreciação global da moeda norte-americana explicam parte da trajetória recente. No acumulado do ano, o real já registra valorização próxima de 11%, acompanhando outras moedas emergentes, em um movimento amplamente influenciado por fatores externos.
Câmara aprova urgência para projeto que revoga alta do IOF
Com apoio expressivo, a Câmara dos Deputados aprovou, por 347 votos a 97, o regime de urgência para o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que anula o aumento da alíquota do IOF. O mérito da proposta, no entanto, será votado apenas nas próximas semanas, prazo dado ao Executivo para apresentar medidas alternativas de compensação fiscal.
Atividade econômica segue em expansão, com destaque para o agro
O IBC-Br, índice de atividade econômica do Banco Central, registrou alta de 0,2% em abril frente a março, em linha com o consenso do mercado. Entre os setores, a agropecuária voltou a se destacar, com crescimento de 18% na comparação anual, sustentada pela safra recorde de grãos.
Os principais pilares do consumo — emprego, renda e crédito — continuam apresentando desempenho melhor do que o esperado. Além disso, medidas recentes do governo ainda não captadas nos dados do PIB do primeiro trimestre devem impulsionar o crescimento nos próximos períodos. Com isso, mantemos nossa projeção de alta de 2,5% do PIB em 2025.
Fed mantém juros e alerta para efeitos das tarifas na inflação
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve a taxa de juros entre 4,25% e 4,50%, decisão amplamente esperada. Em coletiva, o presidente Jerome Powell reiterou a estratégia de “esperar para ver” e mencionou os impactos já observados das tarifas sobre setores específicos da economia. O Fed reduziu a projeção de crescimento do PIB para 1,4% e elevou a previsão de inflação para 3,0%.
Os dados de atividade econômica reforçam o tom de cautela: as vendas no varejo caíram 0,9% em maio, após retração já registrada em abril, e a produção industrial recuou 0,2% no mês. Os números sugerem que a economia americana começa a sentir os efeitos das medidas protecionistas recentes.
Conflito no Oriente Médio pressiona preços do petróleo
A escalada do conflito entre Israel e Irã elevou o preço do petróleo Brent para acima de US$ 77 por barril — o maior nível desde janeiro deste ano. O aumento foi impulsionado pela possibilidade de ampliação do conflito e eventual intervenção dos Estados Unidos. Em discurso, o ex-presidente Donald Trump pediu a rendição incondicional do Irã, enquanto o governo iraniano alertou sobre “danos irreparáveis” caso os EUA intervenham. O Pentágono reforçou sua presença na região.
Embora o petróleo em alta favoreça a arrecadação fiscal e a balança comercial brasileira, também gera pressão inflacionária via combustíveis e insumos.
Juros mantidos também em outras economias relevantes
Diversos bancos centrais ao redor do mundo optaram por manter suas taxas básicas de juros nesta semana. No Japão, a taxa permaneceu em 0,5% — o maior nível desde 2008 — diante de uma inflação ainda acima da meta, que chegou a 3,5% em maio. Na China, a manutenção dos juros refletiu incertezas sobre o ritmo da atividade econômica, apesar dos avanços nas negociações comerciais com os Estados Unidos. Já o Banco da Inglaterra manteve os juros em 4,25%, diante da inflação persistentemente acima da meta de 2,0%.
Essas decisões reforçam o ambiente de cautela na política monetária global, em meio a tensões geopolíticas e desaceleração econômica em grandes economias.
Bolsa
O Ibovespa encerrou a semana em leve queda de 0,1% em reais e alta de 0,5% em dólares, aos 137.116 pontos. A semana foi marcada por decisões de política monetária ao redor do mundo e tensões no Oriente Médio. No Brasil, a surpresa da elevação da Selic pressionou os mercados: o índice recuou 1,2% no pregão de sexta-feira, com 74 das 84 ações do índice operando em baixa.
A curva de juros doméstica perdeu inclinação: os contratos curtos subiram (DI Jan/27: +11 bps) e os longos recuaram (DI Jan/34: -14 bps), refletindo a expectativa de juros altos por mais tempo.
Entre os destaques da semana, Embraer (EMBR3) avançou 9,2%, impulsionada por novos contratos anunciados durante o Paris Air Show. Na ponta oposta, Cosan (CSAN3) teve queda de 10,3%, após revisão negativa de preço-alvo por parte de um banco de investimentos.
Fonte: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-copom-sinaliza-fim-do-ciclo-de-alta/ https://conteudos.xpi.com.br/acoes/relatorios/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-tem-leve-queda-em-semana-de-decisao-de-juros-no-brasil-e-nos-eua/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
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