O ambiente global permanece desafiador, porém ainda favorável ao Brasil no curto prazo. O dólar deve se manter nos níveis atuais, enquanto os preços das commodities seguem voláteis, sem tendência clara. As tensões geopolíticas, em especial a disputa comercial com os Estados Unidos, marcaram o início do segundo semestre, mas as recentes isenções tarifárias atenuaram parte dos impactos projetados.
No exterior, julho apresentou ganhos moderados no MSCI ACWI (+1,8%), mas as ações brasileiras interromperam a sequência de cinco meses de alta. A imposição de tarifas de 50% pelo governo norte-americano sobre exportações brasileiras gerou forte saída de capital estrangeiro (-R$ 12,5 bilhões) e contribuiu para a queda de 4,2% do Ibovespa em reais e 6,3% em dólares. O real se depreciou 3% no mês, encerrando julho a R$ 5,60.
Apesar do choque inicial, o anúncio de isenções no fim de agosto — abrangendo entre 35% e 42% das exportações brasileiras — reduziu o impacto econômico direto. A alíquota efetiva da tarifa foi recalculada para cerca de 30%, e a projeção de perda no PIB de 2025 passou de -0,3 p.p. para -0,15 p.p. O efeito esperado sobre a inflação também caiu, sendo agora temporário e limitado.
Atividade Econômica e Projeções
A economia brasileira segue acima do seu potencial, mas sinais de desaceleração se intensificam. O mercado de crédito perde fôlego e setores mais sensíveis ao ciclo — como comércio, serviços e indústria de transformação — mostram fraqueza desde o início do ano. Apesar disso, o mercado de trabalho ainda sustenta parte da atividade.
A XP revisou a projeção de crescimento do PIB de 2025 de 2,5% para 2,2%, mantendo 1,7% para 2026. O hiato do produto deve se fechar apenas no terceiro trimestre de 2026. Entre os componentes do PIB para 2025, destacam-se: agropecuária (+7,2%), indústria (+1,4%) e serviços (+2,1%). A Formação Bruta de Capital Fixo deve avançar 4,5%, enquanto exportações e importações crescem 2,7% e 4,2%, respectivamente.
Contas Públicas e Dívida
A PEC 66/2023 cria espaço adicional para despesas em 2026, mas mesmo com essa folga, o nível de discricionárias e investimentos deve cair. O governo está mais próximo da meta fiscal, embora a trajetória de sustentabilidade de longo prazo ainda preocupe. O resultado primário projetado para 2025 é de -0,4% do PIB, com melhora gradual até 2028. A dívida bruta do governo geral deve seguir em alta, passando de 76,5% do PIB em 2024 para 78,9% em 2026.
Setor Externo
A balança comercial deve registrar superávit de US$ 60,6 bilhões em 2025, levemente inferior a 2024, com exportações de US$ 339,3 bilhões e importações de US$ 278,7 bilhões. A conta corrente, por sua vez, foi revisada para déficit de US$ 73,5 bilhões (3,1% do PIB) em 2025, com expectativa de US$ 69,4 bilhões (2,7% do PIB) em 2026. O Investimento Direto no País permanece robusto, sustentado por reinvestimento de lucros e aportes em capital.
Inflação e Política Monetária
O cenário inflacionário de curto prazo é benigno, com deflações no atacado e apreciação cambial no primeiro semestre ajudando a conter preços de bens duráveis e semiduráveis. A curva de juros precifica início do ciclo de cortes entre o 4T25 e o 1T26, com redução acumulada de cerca de 2,15 p.p. na Selic até o fim de 2026, partindo do atual patamar de 15,00% ao ano.
Mercado de Ações
O primeiro semestre de 2025 foi marcado por forte desempenho da Bolsa, sustentado por fluxos estrangeiros líquidos de R$ 25,2 bilhões, valuations atrativos (P/L de 8,5x) e perspectiva de queda de juros. No entanto, o segundo semestre começou com realização, influenciada pelo cenário político e tarifário.
O impacto das tarifas gerou rotação setorial: saída de cíclicos domésticos e maior peso para commodities. Em julho, mineração e siderurgia (+2,7%) e óleo & gás (+3,4%) tiveram ganhos, enquanto varejo (-12,7%), transportes (-10,3%) e educação (-9,8%) recuaram. Apesar da volatilidade, mantêm-se atrativos os papéis de alta qualidade e balanços sólidos, com projeção de Ibovespa em 150 mil pontos no fim de 2025.
Historicamente, períodos de queda de juros e inflação em desaceleração trouxeram retornos anualizados médios de 11,2% para o índice, reforçando a visão construtiva para o médio prazo. O status do Brasil como potência em commodities, aliado a reformas estruturais e potencial avanço em privatizações, sustenta o argumento de valorização no longo prazo.
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/acoes/relatorios/raio-xp-tarifas-dos-eua-causam-inicio-fraco-para-o-segundo-semestre-no-brasil/



