MP que substitui o aumento do IOF tem impacto limitado e enfrenta resistência no Congresso
O governo federal apresentou uma Medida Provisória (MP) com o objetivo de compensar a perda de arrecadação decorrente da reversão parcial do aumento do IOF. A proposta contempla medidas voltadas principalmente à elevação de receitas, embora inclua também alterações no campo das despesas. Estimativas indicam que, se aprovada como está, a MP poderá gerar um impacto fiscal de R$ 18,9 bilhões em 2026. No entanto, essa quantia ainda seria insuficiente para cobrir integralmente a perda de receita do IOF, especialmente considerando que parte das alterações no imposto permanece vigente. As medidas no lado das despesas são bem-vindas, mas limitadas diante da necessidade de assegurar a sustentabilidade do teto de gastos em 2026.
A MP ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional. O presidente da Câmara, Hugo Motta, já declarou que irá votar a urgência para derrubar o aumento do IOF, afirmando que “o clima na Câmara não é favorável para o aumento de impostos”. O cenário sinaliza forte resistência política à proposta do Executivo.
Inflação desacelera com valorização do real e queda em alimentos
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,26% em maio, abaixo das projeções de mercado. No acumulado de 12 meses, a inflação desacelerou de 5,53% para 5,32%. Entre os fatores de maior impacto está a valorização do real, que contribuiu para uma alta modesta de 0,06% nos bens industrializados. Por outro lado, os serviços subjacentes seguem pressionados, com alta de 6,75% em 12 meses, e a bandeira amarela na conta de luz influenciou negativamente os custos de energia elétrica. Os alimentos, no entanto, apresentaram desaceleração significativa.
Mantemos a projeção de inflação para 2025 em 5,5%, com atenção a riscos persistentes como estímulos fiscais, mercado de trabalho aquecido e expectativas inflacionárias elevadas.
Setores de varejo e serviços indicam perda de fôlego na economia
As vendas no varejo ampliado recuaram 1,9% em abril frente a março, desempenho abaixo das projeções de mercado. O varejo restrito caiu 0,4%, interrompendo uma sequência de três meses de alta. Os dados refletem um enfraquecimento nas atividades mais sensíveis ao crédito e sugerem cautela no consumo das famílias, embora a comparação com bases anteriores elevadas também influencie o resultado.
O setor de serviços, por sua vez, registrou crescimento real de 0,2% no mesmo período, alinhado às expectativas, e acumula avanço de 1,8% em relação a abril de 2024. Em geral, os dados confirmam a tendência de desaceleração moderada da atividade econômica, com o mercado de trabalho e estímulos pontuais atuando como contrapesos às condições monetárias mais apertadas. Estimamos crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre.
Cenário internacional: tensão geopolítica e acordos comerciais influenciam mercados
O preço do petróleo tipo Brent subiu para US$ 75 por barril após ataques de Israel ao Irã, representando valorização de 12,6% na semana. A escalada no Oriente Médio alimenta temores inflacionários globais, ao mesmo tempo em que favorece a balança comercial brasileira por meio de maior arrecadação e superávits comerciais. No entanto, o aumento dos combustíveis e de insumos industriais pode pressionar a inflação interna.
Nos Estados Unidos, representantes do Tesouro e do governo chinês anunciaram um novo acordo comercial em Londres. Os EUA manterão tarifa de 55% sobre produtos chineses, enquanto a China aplicará tarifa de 10% sobre mercadorias americanas. O pacto segue pendente de aprovação por Donald Trump e Xi Jinping e foi possível após impasses envolvendo terras raras e chips.
A inflação norte-americana também desacelerou em maio. O índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 0,1%, enquanto a inflação anualizada ficou em 2,4%. O índice de preços ao produtor (PPI) caiu para 2,6%, o menor nível desde agosto de 2024. A combinação entre desaceleração inflacionária e avanço nas negociações com a China reforça a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve no segundo semestre, embora o impacto futuro das tarifas elevadas ainda não tenha sido refletido nos índices.
Na Zona do Euro, os dados foram menos animadores: a produção industrial caiu 2,4% em abril, superando as expectativas negativas (-1,7%) e marcando o pior resultado desde julho de 2023. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve alta modesta de 0,8%, abaixo do previsto.
Mercado acionário se recupera com apoio de exportadoras e setor de energia
O Ibovespa encerrou a semana com alta de 0,8% em reais e 1,5% em dólares, aos 137.213 pontos, revertendo três semanas consecutivas de queda. O destaque positivo veio das ações ligadas ao petróleo e energia, impulsionadas pela valorização do Brent. Entre os principais ganhos da semana estão Petrobras (PETR4, +9,8%), PetroRecôncavo (RECV3, +7,3%), Brava Energia (BRAV3, +5,8%) e Prio (PRIO3, +3,5%).
Na ponta negativa, Raízen (RAIZ4) recuou 7,6% após ser rebaixada por um banco de investimentos. No cenário doméstico, a MP com medidas fiscais voltou a dominar os debates. O fim da alíquota reduzida da CSLL para instituições financeiras e a tributação de LCIs, LCAs e FDICs chamaram atenção do mercado. Apesar da surpresa positiva com o IPCA de maio, as taxas de longo prazo dos títulos atrelados à inflação (NTN-Bs) subiram de 7,25% para 7,30% na semana, influenciando os valuations das empresas listadas.



