Salto ou Tênis?

21 de maio de 2025
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Ser mulher em 2025: entre a força esperada e a fragilidade permitida

Ser mulher em 2025 é viver no fio da navalha entre o que esperam de nós e o que de fato somos. É ser a rocha da família, da empresa, dos amigos — mesmo quando tudo dentro de nós desaba em silêncio. Esperam que sejamos fortes. Que aguentemos. Que saibamos conciliar. Que não reclamemos. Que abracemos o mundo sem esquecer o jantar no fogo.

Mas há algo que pouco se fala: a força da mulher, quando não respeitada em sua medida, esgota. Ser forte não é ser invulnerável. Não é sinônimo de estar bem o tempo todo, de dar conta de tudo com um sorriso no rosto. A força real também se manifesta no momento em que temos coragem de dizer: hoje não dou conta. Ou me ajuda. Ou eu também preciso de colo.

Nos últimos anos, muito se avançou na discussão sobre empoderamento feminino. E sim, temos voz, temos espaço, temos presença. Mas, curiosamente, junto com isso veio um novo tipo de cobrança: a de sermos invencíveis. A mulher multitarefa, que trabalha, estuda, cuida, ama, organiza, lidera, inspira — sem perder a elegância, a paciência ou a compostura. Um ideal quase inatingível que vai nos adoecendo aos poucos.

Em 2025, a mulher ainda luta para conquistar liberdade emocional. Não aquela que aparece nas propagandas de margarina, mas a liberdade real: de ser vulnerável sem parecer fraca. De chorar sem ser desequilibrada. De recusar mais uma tarefa sem parecer preguiçosa. De não querer ser tudo para todos — e mesmo assim se sentir inteira.

Não é sobre romantizar a fragilidade, mas sim entendê-la como parte do nosso humano. Somos feitas de fases, de ciclos, de marés internas. E é aí que mora o equilíbrio: na permissão. Na permissão para não ser perfeita. Para se refazer quando for preciso. Para ser forte quando necessário, mas sem vergonha de sentir.

Porque no fim das contas, ser mulher em 2025 ainda é um ato de coragem diária. E não por enfrentarmos o mundo, mas por enfrentarmos a nós mesmas, com todas as nossas dúvidas, medos, sonhos e contradições. E, mesmo assim, seguirmos.

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