Pronto. Estava demorando para ela entrar no assunto moda. Mas não. Não vamos falar sobre o que é tendência ou sobre o que vai bombar na próxima estação. Hoje o papo é outro: vamos falar sobre não se importar. Apenas isso.
Pelo menos duas vezes por ano aparecem aquelas chamadinhas nos sites de “notícias” recheados de variedades, listando o que vai ser tendência no inverno ou no verão. É unha não sei do quê, salto sei lá de que tipo… e as cores, então, nem se fala. Mas, em meio a essa enxurrada de tendências e looks ultra fashionistas, eu me pergunto: onde fica o nosso gosto pessoal?
É estranho pensar que tanta gente usa roupas com as quais nem se identifica — e, pior, nem gosta — simplesmente porque celebridades estão usando ou porque está na moda, ditada sabe-se lá por quem.
E, quando falo de moda, entenda-se: moda para tudo! É o livro da moda, o joguinho da moda, a dancinha da moda, a trend viral do momento… e por aí vai a manada, obedecendo aos ditadores do que é considerado moderno.
É claro que o tempo passa, e com ele os padrões de consumo também mudam. Normal. A gente começa a ganhar um pouco mais, o que nos permite ser mais seletivos com nossas escolhas. A gente também amadurece, forma uma identidade, desenvolve um senso de estilo e personalidade. E é justamente por isso que essa reflexão me bate com mais força: onde ficam as nossas preferências pessoais quando o que vale é agradar à plateia, garantir likes e se manter visível?
Conheço pessoas que fazem dancinhas no TikTok só pelos likes. E, da mesma forma, vejo gente curtindo vídeos ou conteúdos não porque gostaram, mas porque acham que é o que “dá engajamento”. E assim seguimos, vivendo de aparências, fingindo gostar de coisas que outros fingem aplaudir. Por quê? Por que não podemos ser autênticos, reais, imperfeitos — e felizes com isso?
Será que precisamos ser famosos para sermos considerados autênticos? Será que liberdade de escolha só existe se estiver dentro do que foi previamente aprovado pelo algoritmo? O mais curioso é que, quanto mais se fala em romper padrões, mais prisioneiros da indústria acabamos ficando.
Em meio a tudo isso, só sei dizer que está cada vez mais difícil encontrar minhas calças boca de sino, digo flare, que insisto em continuar usando.
Até a próxima!
Léia Alberti
Comunicadora
@leiaalberti
@agencia_bora



