Panorama de Mercado
IPCA confirma tendência de desaceleração da inflação
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,09% em outubro, abaixo das estimativas, reforçando o cenário de desinflação no país. Em 12 meses, a inflação caiu de 5,17% para 4,68%, impulsionada pela queda nos preços de alimentos e bens duráveis, beneficiados pelo fortalecimento do real e pela redução de custos de importação vindos da China. Apesar da melhora, os serviços intensivos em mão de obra seguem pressionados: a média móvel trimestral anualizada indica alta próxima de 7%, mais que o dobro da meta de 3%. As projeções indicam que a inflação encerrará 2025 em 4,5%, exatamente no limite superior da banda de tolerância, e deverá seguir dentro do intervalo em 2026, diante do crescimento acima do potencial e de estímulos fiscais adicionais.
Copom reforça cautela e mantém juros elevados
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou o tom conservador adotado no comunicado oficial. O colegiado sinalizou maior confiança de que a atual taxa de juros é suficiente para garantir a convergência da inflação à meta, mas ressaltou a intenção de manter a Selic inalterada por um período prolongado.
O Banco Central reconheceu a melhora gradual do quadro inflacionário, mas destacou a resiliência dos serviços e o dinamismo do mercado de trabalho. O documento também incorporou os efeitos preliminares da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, embora tenha destacado que o impacto ainda é incerto. Em síntese, o Copom reafirmou que a política monetária deverá permanecer contracionista até que os sinais de desinflação estejam plenamente consolidados.
Brasil e EUA avançam em acordo comercial provisório
O chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio discutiram o “mapa do caminho” para as negociações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro apresentou propostas para a redução das tarifas americanas sobre produtos nacionais e espera resposta de Washington até o fim do mês.
Enquanto o acordo não se concretiza, o governo ampliou de R$ 30 bilhões para um valor superior o crédito emergencial às exportadoras afetadas pelo “tarifaço” norte-americano, agora também disponível para fornecedores. O Conselho Monetário Nacional reduziu de 5% para 1% o faturamento mínimo exigido de empresas impactadas, e as taxas do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) passaram a variar de 1% a 6% ao ano, conforme porte e finalidade.
Serviços resistem, varejo perde fôlego
O setor de serviços cresceu 0,6% em setembro, acumulando avanço de 0,9% no terceiro trimestre, sustentado por um mercado de trabalho ainda firme. Já o varejo recuou 0,3% no mês e 0,4% no trimestre, encerrando oito altas consecutivas e refletindo o enfraquecimento do consumo das famílias. Enquanto atividades dependentes de crédito sentem o impacto dos juros elevados, setores ligados à renda impulsionados por transferências fiscais continuam sustentando parte da demanda. A projeção para o PIB de 2025 permanece em 2,1%, com crescimento moderado, porém estável.
Cenário internacional
EUA encerram paralisação histórica do governo
Após 43 dias de shutdown, o Congresso americano aprovou o fim da paralisação mais longa da história. O acordo prevê o pagamento retroativo de 670 mil servidores federais e a reabertura de serviços essenciais, mas exclui reivindicações democratas, como a ampliação do Obamacare. A falta de dados econômicos oficiais levou dirigentes do Federal Reserve a defender maior cautela na condução da política monetária. Ainda assim, o mercado mantém expectativa de novo corte de juros em dezembro.
Washington amplia influência na América Latina
Os Estados Unidos firmaram um acordo comercial com a Argentina, que prevê abertura de mercados, redução de tarifas e maior proteção à propriedade intelectual. Medidas semelhantes beneficiarão Equador, Guatemala e El Salvador, especialmente no setor de alimentos, com o objetivo de conter a inflação americana.
Economia chinesa desacelera
Na China, os principais indicadores de outubro vieram abaixo do esperado: a produção industrial cresceu 4,9%, as vendas no varejo avançaram 2,9%, e os investimentos em ativos fixos recuaram 1,7%, na segunda queda consecutiva. A taxa de desemprego, porém, caiu para 5,1%, o menor nível em quatro meses. A fraqueza da demanda interna e o risco de deflação indicam que Pequim poderá adotar novos estímulos para sustentar o crescimento.
Bolsa renova recordes históricos
O Ibovespa avançou 2,4% em reais e 3,5% em dólares, encerrando a semana aos 157.739 pontos, sua 15ª alta consecutiva, novo recorde histórico. O principal impulso veio do IPCA abaixo do esperado, que reforçou as apostas em corte de juros no início de 2026.
Além disso, o bom desempenho dos balanços do 3º trimestre, com 55% das empresas superando expectativas, e a aproximação do período eleitoral contribuíram para o rali.
Nos EUA, os índices ficaram mistos (S&P 500 +0,1%; Nasdaq -0,2%), com oscilações provocadas por dúvidas sobre o ritmo dos investimentos em inteligência artificial e sobre os próximos passos do Fed. O destaque positivo no Brasil foi MBRF (+33,7%), enquanto Hapvida despencou 42,7%, após divulgar resultados fracos.
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-paralisacao-mais-longa-da-historia-do-governo-dos-eua-chega-ao-fim/
https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-estende-alta-historica-com-maior-otimismo-em-relacao-ao-ciclo-de-corte-de-juros-pela-frente-no-brasil/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
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