Reforma do Imposto de Renda e o cenário econômico
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta semana, a proposta de reforma do Imposto de Renda da Pessoa Física, ampliando a faixa de isenção para rendimentos mensais de até R$ 5 mil e criando descontos para quem recebe até R$ 7.350. O texto, que agora segue para o Senado, também inclui uma alíquota de 10% sobre dividendos distribuídos acima de R$ 50 mil mensais, além de uma taxa mínima efetiva para quem recebe mais de R$ 50 mil.
Uma emenda aprovada de última hora obriga o governo a apresentar um plano de atualização periódica dos valores de isenção. Segundo as estimativas, a proposta é neutra para as contas públicas, mas tende a ter efeito expansionista sobre a economia, já que a redução de impostos nas faixas mais baixas deve impulsionar o consumo, enquanto a nova taxação sobre rendas elevadas dificilmente muda o comportamento desse grupo.
Tarifa zero nos ônibus volta ao debate
Ganhou força em Brasília o rumor de que o presidente Lula teria solicitado estudos para zerar as tarifas de ônibus em todo o país. Embora improvável no curto prazo, a medida pode aparecer como promessa de campanha em 2026. Os cálculos preliminares indicam que o custo de uma gratuidade total alcançaria R$ 57 bilhões por ano, o que inviabilizaria a proposta dentro do orçamento de 2026. A discussão foi reacendida pela votação de um projeto semelhante em Belo Horizonte.
Mercado de trabalho perto do pleno emprego
A taxa de desemprego brasileira manteve-se em 5,6% no trimestre encerrado em agosto, dentro das expectativas. Na leitura mensal dessazonalizada, subiu levemente para 5,8%, ainda entre os níveis mais baixos da série histórica. O emprego formal e a renda real seguem estáveis, garantindo sustentação à massa salarial e, portanto, ao consumo das famílias. A criação de vagas dá sinais de arrefecimento, mas a expectativa é de um “pouso suave” da economia. Para 2026, espera-se reaceleração do PIB, impulsionada por novos estímulos fiscais.
Indústria em ritmo moderado
A produção industrial cresceu 0,8% em agosto ante julho, superando as projeções, mas caiu 0,7% na comparação anual. As condições monetárias restritivas e gargalos de oferta ainda limitam o avanço do setor. Mesmo assim, o mercado de trabalho e o bom desempenho da indústria extrativa ajudam a evitar retração mais profunda. As projeções indicam crescimento de 1,0% em 2025, após expansão de 3,1% em 2024.
Fiscal: déficit controlado
O governo central registrou déficit primário de R$ 15,6 bilhões em agosto, menor que o observado no mesmo mês do ano anterior (R$ 22,2 bilhões). No acumulado de 2025, o déficit chega a R$ 86,1 bilhões, equivalente a 0,3% do PIB. A expectativa é encerrar o ano com R$ 53,7 bilhões negativos (0,4% do PIB) — valor dentro da banda de tolerância, mas sem atingir a meta de equilíbrio. O aumento das receitas ordinárias e extraordinárias deve garantir o cumprimento da meta fiscal, apesar das despesas em alta.
Cenário internacional
Estados Unidos: governo paralisado
Os EUA enfrentam o primeiro “shutdown” em sete anos, resultado da falta de acordo entre republicanos e democratas sobre o orçamento. Sem consenso, o governo suspendeu parcialmente serviços públicos e a divulgação de dados econômicos oficiais. Analistas estimam que até 40% dos servidores federais — cerca de 80 mil pessoas — fiquem em licença não remunerada. O impacto imediato recai sobre a confiança e a coleta de estatísticas.
Emprego e juros
O relatório ADP mostrou fechamento líquido de vagas no setor privado americano em setembro — a maior queda em dois anos e meio. O dado reforça a percepção de fraqueza no mercado de trabalho e aumenta a probabilidade de novos cortes de juros pelo Federal Reserve nas próximas reuniões.
Europa próxima da estabilidade
Na zona do euro, a inflação anual subiu de 2,0% para 2,2%, em linha com as previsões do mercado. O núcleo — que exclui alimentos e energia — manteve-se em 2,3%. A leitura reforça que os preços estão próximos da meta do BCE, reduzindo a urgência de novos estímulos. Internamente, há divisão: parte dos dirigentes teme queda abaixo da meta, enquanto outra parte considera que a economia europeia, amparada pelo emprego e pelos gastos em defesa, permanece resiliente.
Mercados e Bolsa
O Ibovespa encerrou a semana em 145.395 pontos, queda de 0,3% em reais e 0,7% em dólares.
Nos EUA, o S&P 500 recuou 0,3% e o Nasdaq, 0,6%, após falas duras do Fed e revisão para cima do PIB do 2º trimestre. Os investidores agora precificam dois cortes de 25 bps até o fim de 2025 (probabilidade de 66%). Entre os destaques corporativos, Nvidia anunciou investimento de US$ 100 bilhões na OpenAI, enquanto Electronic Arts disparou 15% após rumores de compra avaliada em US$ 50 bilhões.
No Brasil, o ambiente político dominou a semana, com tensões entre STF e EUA após sanções diplomáticas, seguidas de um gesto de reaproximação entre Lula e Trump.
O destaque positivo foi a Embraer (EMBR3, +5,3%), após novo pedido de 24 aeronaves da LATAM. Já Cosan (CSAN3) caiu 17,3%, após anunciar aumento de capital de R$ 10 bilhões a R$ 5,00 por ação.
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Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
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