Trabalhadores e usuários entram no foco da nova regulação
A atuação de motoristas e entregadores de aplicativos – vulgarmente conhecidos como “Apps” – ganha nova atenção no Congresso Nacional. Está em tramitação o Projeto de Lei Complementar 152/2025, que versa sobre a regulamentação dos serviços de transporte remunerado privado individual de passageiros e de coleta e entrega de bens prestados por empresas operadoras de plataforma digital.
A proposta encontra-se sob a relatoria do deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE) e tramita por meio de Comissão Especial designada para debater o tema.
O que o PLP 152/2025 propõe
Entre os principais pontos da proposta, destacam-se a criação de um novo marco legal para plataformas digitais de transporte e entregas, com obrigações tanto para as empresas quanto para os usuários e trabalhadores.
Para o usuário/consumidor, o projeto prevê: transparência na remuneração e uso de algoritmos pelas plataformas; obrigação de identificação de veículos ou entregadores; maior responsabilidade das plataformas em casos de danos.
Para o trabalhador pelas plataformas (“motoristas/ entregadores de aplicativos”) o texto busca garantir direitos como: proteção previdenciária, seguro contra acidentes, regulação clara da relação com a plataforma, registro de contratos de prestação de serviço.
Uma das inovações está no reconhecimento de que, embora a proposta mantenha a condição de autonomia dos trabalhadores (ou seja, não os transforme necessariamente em empregados com vínculo CLT), ela impõe deveres e garantias.
O relator Augusto Coutinho afirmou que a intenção é abarcar “todos os trabalhos por aplicativo” num mesmo marco, com capítulos distintos para transporte, entrega e outros serviços intermediados por plataformas digitais.
Impactos esperados na economia local
A aprovação do PLP 152/2025 pode gerar efeitos diretos no mercado de trabalho por aplicativo – que, embora seja mais visível em grandes centros, também tem atuação local via entregas, transporte escolar, corridas urbanas ou mesmo no entorno de atividades logísticas. Se a regulamentação avançar, motoristas ou entregadores locais poderão ter acesso a maior proteção previdenciária e contratual, enquanto as plataformas terão de se adaptar às normas nacionais.
Para consumidores da região, isso significa que corridas, entregas ou serviços de Apps poderão contar com regras de transparência – como saber quem vai atendê-lo, em qual veículo, sob qual condição, o que traz segurança maior.
Por outro lado, as plataformas alertam para o risco de custos maiores e eventual redução de oferta de serviços em localidades menores se os requisitos se tornarem muito onerosos. Entregadores também já criticam o texto, afirmando que ele “não rompe com a precarização” e mantém autonomia limitada, o que exige atenção local para que o benefício chegue realmente ao trabalhador.
Principais debates e negociações em andamento
O projeto abre divergências fundamentais: o ministro do Trabalho defende que o vínculo empregatício (regido pela CLT) seja reconhecido para motoristas e entregadores, enquanto o projeto opta por mantê-los como autônomos, preservando a flexibilidade de horários como ponto principal.
Especialistas em Direito Previdenciário avaliam que a inclusão dos trabalhadores pela plataforma no sistema formal de previdência é uma “questão de justiça social”. Porém, outras vozes, como do Ministério Público do Trabalho, ponderam que ainda há risco de manutenção de precarização se os direitos não forem efetivos.
Ainda não há data certa para votação em Plenário da Câmara, mas a comissão especial realiza audiências públicas e debates com sindicatos, plataformas e trabalhadores.
O Presidente da Câmara dos Deputados, Dep. Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o texto busca “segurança, direitos e oportunidades”.
O que vale a pena acompanhar
– Se você trabalha por aplicativo (como motorista ou entregador), acompanhe se a regulamentação vai melhorar seu acesso à previdência, seguro contra acidentes, contrato de prestação de serviço e transparência nos algoritmos de remuneração.
– Se você é usuário ou consumidor de Apps, pode esperar maior clareza sobre quem te atende e sob quais condições. Isso pode gerar maior segurança, mas também pode alterar valores ou condições dos serviços.
– Prefeituras e os órgãos de fiscalização locais devem preparar-se para possíveis adaptações no marco regulatório – por exemplo, autorização de plataformas, controle de veículos, exigências locais.
– Em contrapartida, fique atento: se os custos para plataformas forem elevados, pode haver redução de oferta ou aumento de tarifas em localidades de menor demanda.



