O governo federal oficializou a adoção do padrão DTV+, baseado na tecnologia ATSC 3.0, marcando o início de uma nova fase para a televisão aberta no Brasil. O decreto, publicado no Diário Oficial da União, estabelece as diretrizes para a implementação gradual do novo sistema, que promete melhor qualidade de imagem e som, interatividade e serviços adicionais de conectividade.
O DTV+ é considerado a “TV 3.0”, uma evolução natural da TV digital implantada em 2007. O novo formato vai permitir transmissões em 4K, áudio imersivo, recepção mais estável — inclusive em dispositivos móveis — e integração com a internet para oferecer conteúdos sob demanda e informações locais em tempo real.
“A televisão aberta continua sendo o principal meio de comunicação de milhões de brasileiros. O DTV+ traz inovação sem excluir ninguém”, declarou o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, durante a cerimônia de assinatura do decreto.
De acordo com o Ministério das Comunicações, os testes iniciais começam em 2026 nas capitais de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Quem já possui televisores recentes compatíveis com o padrão ATSC 3.0 poderá receber o novo sinal automaticamente, enquanto aparelhos mais antigos poderão precisar de conversores específicos, semelhantes aos usados na transição da TV analógica.
Além da qualidade superior, o DTV+ permitirá que emissoras enviem alertas de emergência — como enchentes, deslizamentos e apagões — diretamente para as TVs conectadas, mesmo desligadas, o que reforça a segurança pública.
O Brasil é o primeiro país da América Latina a oficializar o ATSC 3.0 como base de seu novo padrão digital. Segundo especialistas, isso coloca o país em um patamar tecnológico comparável ao de Japão, Estados Unidos e Coreia do Sul, onde sistemas semelhantes já estão em operação.
Entretanto, a transição exigirá investimentos significativos por parte das emissoras e fabricantes. Estima-se que a troca total de equipamentos e torres de transmissão possa levar até dez anos.
“O desafio é equilibrar o avanço tecnológico com o acesso democrático. Não podemos repetir a exclusão digital que marcou outras transições”, alerta o engenheiro de telecomunicações Daniel Carvalho, da Universidade de Brasília.
Atualmente, mais de 90% dos lares brasileiros possuem TV digital, segundo dados da Anatel. Com o DTV+, o setor audiovisual espera abrir espaço para novos modelos de negócio, como publicidade interativa, transmissões segmentadas e integração entre TV e dispositivos móveis.
O governo também aposta na tecnologia para impulsionar a indústria nacional, estimulando a produção de equipamentos compatíveis e o desenvolvimento de softwares de transmissão e recepção no país.



