Tributação emperra, câmbio volta a 5,50 e governo aposta em crédito e habitação
A Medida Provisória nº 1303/25, que reformulava a tributação de investimentos, perdeu a validade após ser retirada da pauta da Câmara por 251 votos a 193. Com isso, deixam de vigorar propostas como o fim da tabela regressiva da renda fixa, novas regras para apostas online e mudanças sobre fundos de investimento. Voltam a valer as normas anteriores, entre elas a alíquota de 15% sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP), CSLL reduzida para fintechs e a tributação escalonada por prazo. Segundo estimativas, a MP poderia aliviar em R$ 22,7 bilhões as contas públicas em 2026. Sem ela, o governo deve buscar fontes alternativas de arrecadação para evitar cortes logo no início do próximo ano.
Novo modelo de crédito imobiliário pretende destravar o setor
O governo federal lançou uma nova modalidade de financiamento habitacional, com a promessa de ampliar o acesso à moradia e flexibilizar o uso de recursos da poupança. A proposta elimina a obrigação de destinar 65% dos depósitos para o Sistema Financeiro da Habitação, permitindo que bancos recorram ao mercado via LCIs e CRIs. O teto do SFH sobe de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, beneficiando famílias de classe média. Segundo o Banco Central, a mudança libera R$ 111 bilhões já no primeiro ano, sendo R$ 36,9 bilhões imediatamente. A meta é financiar até 80 mil moradias até 2026, com impacto direto no emprego e na construção civil.
Real sente pressão e dólar retorna a R$ 5,50
Após duas semanas em torno de R$ 5,30, o dólar voltou à casa dos R$ 5,50, em meio à combinação de incerteza doméstica e volatilidade externa. No exterior, o movimento foi influenciado pela queda do petróleo e pelo fortalecimento do dólar frente ao euro e ao iene.
Internamente, o ambiente político e fiscal – com indefinições em torno da MP e das negociações com os EUA – também contribuiu para a desvalorização do real.
Lula e Trump abrem canal de negociação
Em telefonema ocorrido nesta semana, os presidentes de Brasil e Estados Unidos deram início a um processo formal de reaproximação. Donald Trump afirmou ter tido uma “boa conversa”, elogiou o foco em economia e comércio e prometeu um encontro presencial “em breve”. Lula solicitou a retirada das tarifas impostas a produtos brasileiros e o fim das sanções a autoridades. As negociações serão conduzidas, do lado americano, por Marco Rubio, e, do lado brasileiro, por Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e Mauro Vieira.
IPCA mostra trégua, mas segue acima do alvo
O IPCA de setembro avançou 0,48%, levemente abaixo das projeções, elevando a taxa anual de 5,13% para 5,17%. A pressão veio da alta de 10,3% na energia elétrica, com o fim do bônus de Itaipu. Por outro lado, alimentos registraram deflação, e os serviços – especialmente os intensivos em mão de obra – desaceleraram, indicando alívio nas pressões de demanda. A projeção de inflação para 2025 permanece em 4,7%. Apesar da melhora, o Banco Central deverá manter juros elevados por mais tempo, com início de cortes apenas em março e Selic projetada em 12% para o fim de 2026.
Cenário Internacional
Petróleo cai com tensões comerciais e acordo no Oriente Médio
O Brent recuou de US$ 66 para US$ 62 por barril, refletindo o temor de desaceleração global. Trump ameaçou impor novas tarifas à China após Pequim anunciar controle sobre exportações de terras raras. Ao mesmo tempo, avançou a primeira fase de um acordo de paz entre Israel e Hamas, com cessar-fogo e troca de reféns, mediado pelos EUA.
A queda do petróleo é um risco ao Brasil, importante exportador da commodity e arrecadador de royalties.
Fed mantém cautela, mercado precifica corte em outubro
Com o governo americano ainda paralisado, faltaram indicadores oficiais, mas a ata do Federal Reserve mostrou alerta com a inflação. Parte do comitê defendia manter juros na última reunião. Mesmo assim, o mercado atribui 92% de chance de novo corte em 29 de outubro, diante da desaceleração do mercado de trabalho.
Europa em crise política, Japão em transição
Na França, o premiê Sébastien Lecornu renunciou após menos de um mês, aprofundando a instabilidade num país com dívida de 114% do PIB. O euro caiu 1% na semana.
No Japão, Sanae Takaichi assumiu a liderança do Partido Liberal Democrata e pode se tornar a primeira mulher a liderar o país. Ela defende políticas fiscais expansionistas e rejeita novos aumentos de juros, o que levou o iene a recuar 1,6% frente ao dólar.
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-mp-sobre-tributacao-de-investimentos-perde-validade/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119



