Banco Central reforça tom duro e afasta expectativa de corte de juros
O Banco Central manteve sua postura firme em relação à política monetária. A ata da reunião de setembro do Copom deixou claro que a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, deverá permanecer elevada por um período prolongado. O documento reforça o compromisso da autoridade em trazer a inflação à meta de 3%, ainda distante do atual cenário.
O Relatório Trimestral de Inflação, divulgado na última quinta-feira, reforçou o tom. Segundo as projeções do próprio BC, a inflação só deve se aproximar da meta, em 3,1%, no primeiro trimestre de 2028, mesmo considerando a trajetória de juros prevista pelo mercado. Diante disso, analistas descartam cortes este ano. A expectativa é de início de flexibilização apenas no começo de 2026, com a Selic em torno de 12% no fim do período.
Inflação dá sinais de alívio, mas continua acima da meta
O IPCA-15 de setembro subiu 0,48%, levemente abaixo das projeções, mas elevou a taxa acumulada em 12 meses de 4,95% para 5,32%. O avanço refletiu, sobretudo, a alta de 12,2% nas tarifas de energia elétrica após o fim do bônus de Itaipu.
Os núcleos da inflação, que excluem itens voláteis, mantiveram estabilidade em torno de 4,5%, sinalizando perda de fôlego após a valorização do câmbio no início do ano. A projeção permanece em 4,8% para 2025 e 4,5% para 2026.
Governo amplia bloqueio orçamentário e revisa meta fiscal
O Ministério da Fazenda ampliou o bloqueio de despesas no Orçamento de 2025 para R$ 12,1 bilhões, diante da alta das despesas obrigatórias, como Previdência e BPC. O Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias também revisou a meta fiscal: o resultado esperado é de déficit de R$ 30,2 bilhões, dentro da margem de tolerância de R$ 31 bilhões, mas sem zerar o déficit como havia sido prometido.
A arrecadação federal somou R$ 208,8 bilhões em agosto, queda real de 1,5% na comparação anual, afetada pela desaceleração da economia. No acumulado, a expectativa é de crescimento de 3,5% em 2025, somando cerca de R$ 2,88 trilhões. O TCU ainda determinou que o governo busque o centro da meta fiscal, e não apenas o piso da banda de tolerância.
Cenário internacional
Economia dos EUA segue aquecida
O PIB dos Estados Unidos avançou 3,8% no segundo trimestre, acima da estimativa anterior de 3,3%, puxado pelo consumo das famílias. O resultado reduz as apostas de cortes mais agressivos de juros pelo Federal Reserve, que já iniciou um ciclo de redução em setembro. A expectativa, no entanto, é de pelo menos mais um corte ainda este ano e até dois em 2026.
Trump amplia tarifas, mas sinaliza diálogo com Brasil
O presidente Donald Trump anunciou novas tarifas que entram em vigor em 1º de outubro: 100% sobre medicamentos patenteados, 50% sobre armários de cozinha, 30% para móveis e 25% para caminhões pesados. As medidas devem afetar exportadores da Europa, Ásia e México, além de elevar custos globais de produção. Economistas alertam para impactos sobre a inflação e o comércio mundial.
Em paralelo, Trump e o presidente Lula tiveram encontro informal na Assembleia da ONU, onde sinalizaram reaproximação. Entre os temas em negociação estão tarifas, comércio de etanol, acesso a minerais estratégicos e investimentos em tecnologia.
China mantém juros; Europa mostra recuperação tímida
O Banco Popular da China manteve suas taxas de referência em 3,0% (um ano) e 3,5% (cinco anos), pelo quarto mês consecutivo, sinalizando cautela, apesar da meta de crescimento de 5%.
Na Europa, o PMI composto subiu para 51,2 pontos em setembro, maior expansão em 16 meses, puxado pelos serviços (51,4), enquanto a indústria segue em contração (49,5).
Mercados
O Ibovespa fechou a semana em queda de 0,3% em reais e 0,7% em dólares, aos 145.395 pontos. Nos EUA, o S&P 500 recuou 0,3% e o Nasdaq, 0,6%, refletindo a percepção de que o Fed será mais cauteloso nos próximos cortes.
Destaque positivo para a Embraer (EMBR3), que subiu 5,3% após anunciar a venda de 24 aeronaves à Latam Airlines. Na ponta negativa, a Cosan (CSAN3) caiu 17,3% após anunciar aumento de capital de R$ 10 bilhões a R$ 5,00 por ação, medida voltada ao reforço de caixa.
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-bcb-mantem-discurso-duro/
https://conteudos.xpi.com.br/acoes/relatorios/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-cai-com-tom-duro-do-copom-e-incertezas-nas-relacoes-brasil-eua/



