De TPM? Não, de saco cheio mesmo.
Tem dias em que a gente acorda virada no avesso. E não, nem sempre é TPM. Às vezes é só a vida mesmo: o despertador tocando cedo demais, o cabelo que resolveu seguir carreira solo, o trânsito infernal, a reunião que podia ter sido um e-mail e a pia cheia de louça que ninguém viu. Mas basta uma franzida de testa, um suspiro mais fundo ou um olhar atravessado e lá vem ele, o diagnóstico clínico mais preguiçoso da humanidade:
— “Você tá de TPM, né?”
Ora, bolas. Não podemos nos irritar em paz? Somos obrigadas a ser Budas sorridentes 24 horas por dia, sete dias por semana? Porque se tem um homem estressado no escritório, ele é focado. Se está de cara amarrada, é concentrado. Mas se somos nós, automaticamente estamos reféns dos nossos hormônios — ou da nossa histeria, como diriam em 1920.
A verdade é uma só: TPM existe sim. E não, não é legal. Mas atribuir toda e qualquer emoção feminina a ela é uma forma confortável de deslegitimar o que sentimos. É como se a raiva só fosse aceitável se tivesse atestado médico. Spoiler: às vezes, o que nos irrita não é a TPM. São os comentários machistas, a desigualdade cotidiana, o acúmulo invisível de tarefas, o julgamento constante, o gaslighting emocional e, adivinhe? Essa sua perguntinha aí.
Aliás, se for pra falar de alterações de humor, não seria o caso de investigar se eles não estão sofrendo de alguma “Tensão Pré-Masculina”? Porque olha… tem muito homem por aí mais instável que wi-fi de rodoviária.
Então, da próxima vez que eu estiver de cara fechada, antes de perguntar se é TPM, pense: talvez seja só você mesmo.
Até a próxima!
Léia Alberti
Comunicadora
@leiaalberti
@agencia_bora



