Dias atrás, vi nas redes sociais uma postagem da belíssima Paolla Oliveira, onde ela lamentava não ser chamada para campanhas publicitárias com temática familiar, pelo fato de ainda não ter filhos. Segundo ela, isso seria injusto, já que fala com frequência – e com carinho – sobre seus pais. O desabafo levantou um ponto delicado: o incômodo de se ver excluída por determinados anunciantes por uma escolha pessoal. Mas… e se eu fosse reclamar por não ser escolhida rainha da bateria, isso faria o mesmo sentido? Antigamente eu até tinha um corpinho aceitável pra essa finalidade, mas, mesmo tendo a mesma idade da Paolla, não tenho seu rosto, seu público, seu talento. E mesmo que tivesse, minhas escolhas me fariam diferente dela. Não que eu esteja sendo convidada para estrelar comerciais de margarina… O que parece difícil para algumas pessoas entenderem é que toda escolha carrega, inevitavelmente, uma renúncia.
No caso da Paolla, talvez estejamos apenas falando de coerência de casting, e não de exclusão social. Campanhas familiares buscam mães com filhos porque a conexão é direta e imediata para quem assiste. Paolla tem todo o direito de escolher não ser mãe — ou de adiar essa decisão o quanto quiser — mas os patrocinadores também têm o direito de escolher rostos que representem, literalmente, o que desejam comunicar. É assim com todos nós. Eu, por exemplo, adorava uma boa balada e muitas vezes voltava pra casa com o dia amanhecendo. Mas, quando escolhi me casar e ser mãe, sabia que essa escolha implicaria abrir mão de um estilo de vida que não combinava mais com meus novos papéis. Sinto falta, às vezes? Claro. Mas eu escolhi, e com isso veio também um novo tipo de alegria, responsabilidades e recompensas diferentes. É chato quando quero silêncio e tudo o que consigo é escutar o som das crianças brincando ou brigando. Mas minhas manhãs de domingo, quando eles transformam minha cama em um ninho, são de uma riqueza que dinheiro nenhum no mundo poderia comprar.
É sobre isso que precisamos refletir: ninguém é proibido de mudar, recomeçar ou até voltar atrás. Só não dá pra exigir que o mundo nos aplauda por decisões que tomamos sozinhas — muito menos reclamar quando essas decisões nos fecham algumas portas. A maturidade está em reconhecer o peso (e o valor) de nossas escolhas. Ser protagonista da própria história é assumir as consequências do que escolhemos, sem vitimismo, sem cobranças irreais, mas com orgulho do caminho que decidimos trilhar. E isso não é papo motivacional. É a pura realidade — porque a vida não é um aplicativo que se adapta às nossas vontades e, o principal: não tem política de reembolso.
Assumir nossas escolhas é um ato de amor-próprio — e de bom senso também. Vamos parar de dramatizar tanto e rir um pouco mais das nossas renúncias. Porque, olha, ser adulta já é difícil o bastante sem a gente ficar tentando fingir que dá pra ter tudo, sempre. Bora brindar às nossas vitórias? De preferência com café forte e aquele restinho de chocolate escondido das crianças. Porque, no fim, o que a gente planta… é mesmo o que a gente colhe.
Até a próxima!
Léia Alberti
Comunicadora
@leiaalberti
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