Atividade econômica dá sinais de fraqueza
O IBC-Br, índice de atividade do Banco Central usado como termômetro mensal do PIB, registrou queda de 0,2% em setembro frente a agosto, confirmando expectativas de desaceleração. No trimestre, o recuo foi de 0,9% — a primeira contração desde o terceiro trimestre de 2023. Todos os setores apresentaram retração: agropecuária, indústria, serviços e impostos. Apesar do desempenho mais fraco, ainda se projeta leve alta de 0,2% no PIB do terceiro trimestre, o que representaria crescimento de 1,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O arrefecimento da atividade tem sido atribuído ao encarecimento do crédito, ao aumento da inadimplência e ao endividamento das famílias, fatores que restringem o consumo. Por outro lado, a renda real segue em recuperação e o mercado de trabalho ainda mostra robustez, funcionando como amortecedores da desaceleração. A política fiscal, por sua vez, mantém caráter expansionista. As projeções indicam avanço de 2,1% para o PIB em 2025 e 1,7% em 2026.
Senado aprova pacote de contenção de despesas
O Senado Federal aprovou um conjunto de medidas voltadas à redução de gastos e reforço da meta fiscal. O texto inclui regras mais rígidas para o seguro-defeso, limite de 30 dias para o auxílio-doença por análise documental, e incorporação do programa Pé-de-Meia, de incentivo à poupança estudantil, dentro do piso constitucional da educação, reduzindo impacto fiscal. O projeto também restringe o uso de créditos tributários de PIS/Cofins por empresas, cria teto para compensações previdenciárias entre União, estados e municípios, e institui um regime especial de atualização de bens móveis e imóveis no Imposto de Renda, com alíquota reduzida sobre o ganho de capital. Segundo o governo, as medidas são essenciais para conter despesas obrigatórias e aproximar o resultado primário das metas de equilíbrio fiscal.
EUA suspendem tarifas sobre produtos brasileiros
Os Estados Unidos anunciaram a remoção das tarifas adicionais de 40% aplicadas sobre diversos produtos brasileiros — entre eles carne bovina, café e frutas. A decisão, com efeito retroativo a 13 de novembro, resulta de negociações iniciadas em outubro entre os presidentes Lula e Donald Trump. O Itamaraty classificou o ato como “avanço relevante” nas relações comerciais e indicou disposição para buscar novas reduções tarifárias. Os produtos agora isentos representam US$ 4,4 bilhões em exportações de 2024, equivalentes a 11% do total enviado aos EUA. Com a atualização, 55,4% das exportações brasileiras ao mercado americano estão livres da tarifa adicional, ante 44,6% anteriormente. O impacto econômico deve ser limitado em 2025, estimado em cerca de US$ 700 milhões, mas sinaliza melhora no ambiente de comércio bilateral.
Mercado de trabalho americano dá sinais mistos
Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho apresentou quadro desigual. Foram criadas 119 mil vagas em setembro, acima da projeção de 50 mil, mas a taxa de desemprego subiu para 4,4%, o maior nível desde 2021. Os dados dividiram analistas sobre o futuro da política monetária: parte do Federal Reserve defende cautela, enquanto outros membros — como John Williams, do Fed de Nova York afirmam ver espaço para um novo corte de juros ainda em dezembro.
Mercados globais enfrentam correção
Após uma sequência de altas, os principais índices acionários globais sofreram correção. A Nvidia apresentou receita recorde de US$ 57 bilhões, mas o movimento de reavaliação das empresas de inteligência artificial levou o S&P 500 a cair 1,6% e o Nasdaq, 2,3%.
O Japão contribuiu para o mau humor dos investidores: o rendimento dos títulos de 10 anos atingiu 1,835%, o maior nível desde 2008, após o governo anunciar um pacote fiscal de US$ 135 bilhões. O Nikkei caiu 3,3% e o iene se desvalorizou diante do aumento do risco fiscal.
Inflação se aproxima da meta na Europa
Na zona do euro, a inflação recuou para 2,1% em outubro, aproximando-se da meta de 2% estabelecida pelo Banco Central Europeu (BCE). O núcleo do índice, que exclui energia e alimentos, ficou em 2,4%, com alta nos serviços (3,4%) e queda de 1% na energia.
Com o cenário de desinflação consolidando-se, o BCE deve manter postura cautelosa até o início de 2026, quando poderá iniciar uma redução gradual dos juros.
China mantém juros estáveis e aposta em crédito direcionado
O Banco Popular da China (PBoC) manteve as taxas de 1 ano em 3% e de 5 anos em 3,5%, ambas nos menores níveis históricos. A decisão reflete preferência por estímulos seletivos, voltados a setores específicos, em vez de cortes amplos.Com a demanda interna enfraquecida e a crise imobiliária persistente, o governo chinês deve ampliar políticas de crédito e apoio a consumo e exportações para sustentar o crescimento.
Bolsa brasileira recua após forte rali
O Ibovespa encerrou a semana em queda de 1,9% em reais e 4,1% em dólares, aos 154.744 pontos, acompanhando a correção dos mercados internacionais. Nos Estados Unidos, o Payroll mais forte reduziu inicialmente as apostas de corte de juros, mas comentários posteriores de John Williams reacenderam as expectativas, elevando a probabilidade para 72%. Entre as empresas brasileiras, Cogna foi o destaque positivo, com alta de 9%, enquanto MBRF liderou as perdas, caindo 15,2% após forte valorização em novembro.
Apesar do recuo, os fluxos estrangeiros permanecem sólidos, com R$ 2 bilhões em entradas na semana e R$ 6 bilhões acumulados em novembro, sustentando o otimismo moderado dos investidores locais.
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-eua-removem-tarifas-adicionais-sobre-produtos-brasileiros/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
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