As novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros já acendem um sinal de alerta na economia do Planalto Norte Catarinense. Um levantamento do jornal O Estado de S.Paulo, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), mostra que seis municípios da região aparecem entre os mais expostos às novas sobretaxas norte-americanas.
O estudo considera as exportações realizadas em 2024 — período anterior ao chamado “tarifaço” — e analisa os dez grupos de produtos brasileiros mais atingidos pelas novas medidas comerciais.
No Planalto Norte, Três Barras, Papanduva, Mafra, Porto União, Itaiópolis e Canoinhas somam aproximadamente US$ 54,5 milhões em exportações diretamente enquadradas nos grupos tarifados. Considerando também municípios vizinhos como Caçador, o montante ultrapassa US$ 230 milhões, equivalente a mais de R$ 1,5 bilhão em negócios potencialmente afetados.
Como funcionam as novas tarifas
Os Estados Unidos adotaram duas novas sobretaxas sobre produtos brasileiros:
Dependendo da mercadoria exportada, as duas medidas podem ser cumulativas, elevando significativamente o custo de entrada dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.
Três Barras lidera exposição regional
Entre todos os municípios do Planalto Norte, Três Barras é o mais vulnerável aos efeitos do tarifaço.
A cidade ocupa a 68ª posição nacional entre os municípios brasileiros com maior volume de exportações atingidas.
Embora seja conhecida pela indústria de papel e celulose, o levantamento revela que o principal impacto ocorrerá sobre o setor madeireiro.
Dos US$ 25,2 milhões exportados aos Estados Unidos em 2024 dentro dos grupos atingidos, apenas cerca de US$ 340 mil correspondem a papel e celulose. Todo o restante é composto principalmente por produtos de madeira.
Ranking regional das exportações afetadas
Total dos seis municípios: aproximadamente US$ 54,5 milhões.
Papanduva também aparece entre os municípios mais expostos
Logo atrás de Três Barras aparece Papanduva, na 131ª colocação nacional, com mais de US$ 9,3 milhões em exportações potencialmente atingidas.
Na sequência estão:
Mafra — US$ 6,8 milhões;
Porto União — US$ 5,7 milhões;
Itaiópolis — US$ 4,3 milhões;
Canoinhas — US$ 3,1 milhões.
Somente Três Barras e Papanduva concentram cerca de 63% de todo o volume exportado pelos seis municípios do Planalto Norte incluídos no levantamento.
Municípios vizinhos também aparecem entre os mais afetados
O impacto não se limita ao Planalto Norte.
Outros importantes polos industriais catarinenses também figuram entre os municípios brasileiros mais expostos às novas medidas comerciais.
Caçador, por exemplo, aparece entre os dez municípios brasileiros mais afetados, sendo o maior destaque catarinense do levantamento.
Madeira é o setor que mais preocupa
Entre os dez grupos de produtos atingidos pelas novas tarifas estão:
madeira;
máquinas e equipamentos;
rochas naturais;
calçados;
gorduras vegetais e animais;
outros produtos industrializados.
Para o Planalto Norte, a presença da madeira na lista representa um dos maiores desafios econômicos, já que a cadeia florestal movimenta milhares de empregos diretos e indiretos na região.
Por outro lado, alguns importantes produtos brasileiros ficaram fora das novas tarifas, entre eles:
carnes;
café;
combustíveis;
suco de laranja.
Empresas terão de buscar alternativas
Especialistas apontam que o impacto econômico dependerá da capacidade das empresas exportadoras de reagirem às novas condições do mercado internacional.
Entre as principais alternativas estão:
absorver parte do aumento dos custos;
renegociar contratos com compradores norte-americanos;
diversificar mercados consumidores;
ampliar as exportações para outros países.
Caso essas estratégias não sejam suficientes, parte da produção poderá perder competitividade no principal mercado consumidor dos produtos brasileiros atingidos.
Com forte dependência da indústria madeireira e de produtos industrializados, o Planalto Norte entra agora em um período de atenção. O desempenho das exportações nos próximos meses será decisivo para medir os reais efeitos das novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos e seus reflexos sobre a economia regional, geração de empregos e investimentos.
Por Demais FM / Jmais



