BRASIL REPETE PIOR POSIÇÃO E SEGUNDA PIOR NOTA NO ÍNDICE DE PERCEPÇÃO DA CORRUPÇÃO

12 de fevereiro de 2026
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Em 2025, Brasil repetiu a segunda pior nota (35 pontos, numa escala de 0 a 100) da série histórica e continuou na 107ª posição, entre 182 países e territórios avaliados no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), elaborado pela Transparência Internacional. Em relação a 2024, o Brasil subiu um ponto, variação estatisticamente insignificante, o que indica estagnação.
Divulgado nesta terça-feira (10), o IPC é o principal indicador da corrupção no mundo. Em sua escala, quanto menor a nota, maior é a percepção de corrupção. Nesta edição, o índice avaliou a percepção da corrupção em 182 países e territórios, com base em até 13 indicadores independentes que avaliam a percepção de especialistas, pesquisadores e executivos sobre comportamentos corruptos no serviço público e mecanismos de prevenção da corrupção. No caso do Brasil, foram considerados oito indicadores, como no ano anterior. Detalhes sobre a composição do índice podem ser conferidos em sua nota metodológica.
O IPC é publicado anualmente desde 1995, mas, a partir de 2012, uma reforma metodológica permitiu a análise em série histórica, ou seja, comparar ano a ano os resultados dos países. Na série histórica, o Brasil pontuou melhor em 2012 e 2014 (com 43 pontos), em 2013 (42 pontos) e 2016 (40 pontos). As piores pontuações do país foram registradas em 2024 (34 pontos), 2018 e 2019 (35 pontos), e em 2023 (36 pontos). Desde 2015, o Brasil esteve estagnado abaixo da média global dos países.
O IPC 2025 posiciona o Brasil abaixo da média das Américas (42 pontos) e da média dos 182 países (42 pontos). Os melhores classificados em 2025 foram Dinamarca (com 89 pontos), Finlândia (88 pontos) e Cingapura (84 pontos). Os piores foram Somália e Sudão do Sul (ambos com apenas 9 pontos) e Venezuela (com 10 pontos).
Pontuaram próximos ao Brasil: Sri Lanka (também com 35 pontos); Argentina, Belize e Ucrânia (36 pontos, um a mais que o Brasil); e Argélia, Bósnia e Herzegovina, Indonésia, Laos, Malawi, Nepal e Serra Leoa (todos com 34 pontos, um a menos que o Brasil).
Em 2025, dois novos países — Brunei e Belize — foram incluídos no ranking do IPC, ambos posicionados acima do Brasil.
“Embora o Brasil tenha chamado a atenção internacional em 2025, pela resposta firme e histórica do Supremo Tribunal Federal na responsabilização do ex-presidente Bolsonaro e outros conspiradores que atentaram contra a democracia, também chocou o mundo com casos de macrocorrupção em escala inédita, como INSS e Master, impunidade generalizada mesmo para corruptos confessos e condutas desmoralizantes de ministros do próprio STF. A corrupção também corrói profundamente a democracia e o Brasil precisa, urgentemente, resgatar e priorizar o enfrentamento deste problema”, comenta o diretor executivo da Transparência Internacional – Brasil, Bruno Brandão.

Retrospectiva 2025
Em paralelo ao IPC, a Transparência Internacional – Brasil lança o relatório Retrospectiva 2025, uma análise independente dos principais avanços e retrocessos do país no enfrentamento à corrupção ao longo do último ano. A publicação destaca o agravamento da infiltração do crime organizado no Estado brasileiro e do aliciamento de autoridades públicas, revelado por uma sucessão de casos de grande impacto que expuseram vulnerabilidades profundas em duas áreas da economia formal: o sistema financeiro e a advocacia.
Do início ao fim, 2025 foi marcado por escândalos de macrocorrupção, alguns em escala inédita. O ano começou com os desdobramentos das operações Sisamnes — que apurou comércio de sentenças no STJ por suspeitos internos, advogados e lobistas — e Overclean, que investigou desvios de emendas, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro por meio de contratos públicos envolvendo lideranças partidárias e operando em pelo menos cinco estados. Deflagradas no final de 2024, ambas seguiram produzindo fases e revelações relevantes ao longo de 2025.
Em abril, veio à tona a Operação Sem Desconto, que expôs o maior esquema de corrupção previdenciária da história — atingindo centenas de milhares de aposentados e pensionistas e revelando falhas graves de governança no INSS. Em agosto, a Operação Carbono Oculto, liderada pela Receita Federal e pelo GAECO-SP, revelou um sistema estruturado de sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro por facções criminosas, infiltrado em fintechs, fundos de investimento, postos e distribuidoras de combustíveis. Em novembro, a Operação Compliance Zero (caso Master) escancarou a maior fraude bancária já registrada no país.
A Carbono Oculto merece destaque. Reconhecida como a maior operação contra o crime organizado da história recente, ela marcou uma mudança de paradigma ao priorizar a inteligência financeira da autoridade tributária e a interoperabilidade entre órgãos — abordagem considerada internacionalmente alinhada aos métodos mais eficazes. O contraste com episódios de ação policial bélica com resultados trágicos, como a chacina no Complexo do Alemão de outubro, reforça a importância de uma estratégia baseada em cruzamento de dados financeiros e coordenação interinstitucional.
Por outro lado, o governo federal falhou gravemente na resposta ao escândalo do INSS. As reformas vieram tardiamente e a substituição do ministro da Previdência por um aliado político direto gerou críticas adicionais. As investigações mostraram ainda continuidade do esquema entre gestões, com envolvimento de atores de alto escalão nos governos Temer, Bolsonaro e Lula.
No Legislativo, 2025 consolidou o movimento de captura orçamentária, com crescimento voraz das emendas parlamentares, que mais uma vez bateram recordes e já ultrapassarão R$ 60 bilhões no orçamento aprovado para 2026. A prática se disseminou também por assembleias estaduais e câmaras municipais, como evidenciado por estudo da Transparência Internacional – Brasil que subsidiou decisão do ministro Flávio Dino para estender regras de transparência e controle aos governos subnacionais.
Se o caso Master revelou uma rede poderosa de influência perpassando os três Poderes, foi no Judiciário — em especial no STF — que seus tentáculos se mostraram mais audaciosos. Tornou-se público um contrato ainda inexplicado de R$ 129 milhões entre o escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o banco fraudador de Daniel Vorcaro — cifra muito acima de padrões nacionais e internacionais de honorários, incluindo bancas globais envolvidas em litígios transnacionais.

 

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