Copom prepara o terreno para o início do corte de juros
A ata mais recente do Comitê de Política Monetária reforçou a leitura de que o Banco Central se aproxima do início de um ciclo cauteloso de flexibilização. O documento reiterou a avaliação de que a atividade econômica vem perdendo ritmo conforme o esperado, enquanto a inflação mostra sinais consistentes de desaceleração tanto no índice cheio quanto nas medidas subjacentes — indício de que a política monetária restritiva começa a surtir efeito.
Apesar disso, o Copom evitou antecipar compromissos quanto ao ritmo ou à intensidade do ciclo, destacando que os juros devem permanecer em território restritivo até que a desinflação esteja plenamente consolidada e as expectativas ancoradas. No nosso cenário, o conteúdo da ata é compatível com o início dos cortes em março. Projetamos cinco reduções consecutivas de 0,50 ponto percentual, levando a Selic para 12,50% — patamar que ainda implica juros reais elevados, sobretudo diante dos desafios fiscais do país.
Indústria fecha 2025 praticamente estagnada
A produção industrial brasileira recuou 1,2% em dezembro frente a novembro, resultado alinhado ao consenso. Com isso, o setor encerrou 2025 com crescimento modesto de 0,6% em relação a 2024. O desempenho reflete a combinação de retração da indústria de transformação (-0,2%) e avanço expressivo da indústria extrativa (+4,9%).
A queda observada em dezembro foi ampla. Bens de Capital registraram forte recuo de 8,3%, sinalizando enfraquecimento do investimento no curto prazo. Bens Duráveis seguiram pressionados por crédito restritivo e estoques elevados, enquanto Bens Intermediários caíram no quarto trimestre, impactados por derivados de petróleo e produtos químicos. À frente, a indústria deve permanecer praticamente estável, com crescimento próximo de 1,0% em 2026, sustentada por mercado de trabalho resiliente e estímulos fiscais que ajudam a evitar um cenário recessivo.
Crescimento revisado para cima e inflação menor em 2026
No relatório Brasil Macro Mensal de fevereiro, revisamos para cima a projeção de crescimento do PIB em 2026, de 1,7% para 2,0%. O ajuste reflete um mercado de trabalho ainda robusto e o aumento das transferências de renda às famílias, que seguem sustentando a atividade, apesar da perda de fôlego observada nos últimos trimestres.
Ao mesmo tempo, o cenário inflacionário se mostrou mais benigno. A valorização de cerca de 5% do real no ano, a oferta elevada de alimentos e a entrada de bens industrializados mais baratos — especialmente da China — permitiram a redução da projeção do IPCA de 4,0% para 3,8% em 2026. Para 2027, no entanto, o desempenho econômico dependerá de reformas fiscais mais profundas, sobretudo pelo lado das despesas, tema que ainda carece de definição política clara no ciclo eleitoral que se aproxima.
Mercado de trabalho dos EUA segue em normalização
Nos Estados Unidos, os dados recentes apontam continuidade do processo de acomodação do mercado de trabalho. O relatório JOLTS mostrou queda das vagas em aberto para 6,5 milhões em dezembro — recuo de 386 mil em relação ao mês anterior e de cerca de 1 milhão na comparação anual, no menor nível desde setembro de 2020.
Pedidos semanais de seguro-desemprego subiram para aproximadamente 231 mil no fim de janeiro, enquanto o relatório ADP indicou criação modesta de vagas, concentrada em poucos setores e com revisões negativas para meses anteriores. O conjunto de dados sugere normalização gradual, sem sinais de deterioração abrupta do emprego.
EUA ampliam acordos e buscam reduzir tensões geopolíticas
No campo internacional, os Estados Unidos anunciaram acordo comercial com a Índia após o compromisso do país asiático de interromper a compra de petróleo russo. Em contrapartida, Washington reduzirá tarifas sobre produtos indianos de 25% para 18%. O entendimento inclui a promessa de compras indianas superiores a US$ 500 bilhões em bens americanos, sobretudo energia, tecnologia e produtos agrícolas.
Paralelamente, Estados Unidos e Irã retomaram negociações indiretas sobre o programa nuclear iraniano, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio. Apesar do sinal inicial de diálogo, divergências relevantes persistem, mantendo elevado o grau de incerteza geopolítica.
Europa mantém postura cautelosa na política monetária
O Banco Central Europeu manteve a taxa de depósito em 2%, no quinto encontro consecutivo sem alterações, destacando o elevado nível de incerteza econômica global. A autoridade avalia que a inflação tende a convergir para a meta de 2% no médio prazo e sinaliza conforto em manter a política inalterada ao longo de 2026.
No Reino Unido, o Banco da Inglaterra manteve a taxa básica em 3,75%, em decisão dividida. Embora novos cortes sigam no horizonte, o comitê adota abordagem gradual diante de pressões inflacionárias ainda persistentes.
Bolsa brasileira sustenta alta, mas com maior seletividade
O Ibovespa encerrou a semana em alta de 0,8% em reais e 1,8% em dólares, aos 182.950 pontos. Após o forte rali de janeiro, fevereiro começou com desempenho mais moderado, ainda sustentado por fluxo estrangeiro robusto — com entrada líquida de R$ 2,9 bilhões na semana.
Nos mercados globais, o setor de tecnologia voltou a pressionar os índices, diante de preocupações com novos produtos de inteligência artificial e anúncios de capex elevado por parte das big techs. Amazon e Alphabet divulgaram planos de investimento entre US$ 175 bilhões e US$ 200 bilhões, reforçando dúvidas sobre retorno.
No Brasil, o início da temporada de resultados trouxe reações distintas no setor financeiro, enquanto ações ligadas a commodities perderam parte do protagonismo recente. C&A se destacou positivamente, com alta de 9,3%, enquanto Totvs recuou 15%, acompanhando o movimento global de correção no setor de software.
O cenário indica uma transição: após um rali impulsionado por fluxo, os fundamentos corporativos tendem a reassumir papel central na precificação dos ativos nas próximas semanas.
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-crescimento-mais-forte-inflacao-mais-baixa/ https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-sobe-a-medida-que-a-rotacao-para-fora-das-acoes-de-tecnologia-dos-eua-ganha-forca/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119



