Acordo entre União Europeia e Mercosul avança mas ainda enfrenta obstáculos
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul deu um passo relevante ao receber aval político provisório do bloco europeu. A decisão ainda depende de validação técnica pelos governos nacionais, mas a presidente da Comissão Europeia deve formalizar a assinatura em cerimônia simbólica no Paraguai, prevista para a próxima segunda-feira (12).
Apesar do avanço, a resistência interna permanece significativa, sobretudo entre produtores agrícolas europeus. França e Polônia lideram a oposição, argumentando que o texto não reflete adequadamente as exigências ambientais mais recentes. Para reduzir essas tensões, a União Europeia incluiu salvaguardas contra aumentos abruptos de importações e mecanismos de apoio aos produtores locais. O processo de ratificação será longo e envolverá o Parlamento Europeu, parlamentos nacionais e os Congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Há, contudo, a possibilidade de aplicação provisória de capítulos ligados à liberalização tarifária antes da aprovação definitiva.
Inflação fecha 2025 abaixo do teto da meta, mas serviços seguem pressionados
A inflação oficial medida pelo IPCA avançou 0,33% em dezembro e encerrou 2025 em 4,26%, permanecendo abaixo do limite superior da banda de tolerância da meta, fixado em 4,5%. O resultado confirma a trajetória de desinflação observada ao longo do ano, embora com sinais mistos na composição do índice.
Os preços de alimentos e bens industrializados apresentaram comportamento mais benigno, enquanto os serviços continuaram pressionados. Os serviços intensivos em mão de obra avançaram quase 8% recentemente, considerando a média móvel de três meses anualizada. Esse movimento reflete um mercado de trabalho ainda aquecido, com desemprego em níveis historicamente baixos e salários reais em elevação, fatores que dificultam uma convergência mais rápida da inflação ao centro da meta.
Cortes de juros dependerão do avanço das reformas fiscais
No Brasil Macro Mensal, o cenário traçado aponta para um ambiente externo ainda desafiador, marcado por incertezas geopolíticas e dúvidas sobre a próxima liderança do Federal Reserve. No plano doméstico, o mercado de trabalho apertado e estímulos fiscais devem sustentar o crescimento do PIB em 1,7% em 2026. A inflação, por sua vez, tende a girar em torno de 4,0%, favorecida por preços ao atacado mais comportados e cotações mais baixas do petróleo.
Nesse contexto, a expectativa é de início do ciclo de cortes de juros em março, com a taxa Selic atingindo 12,50% no terceiro trimestre, seguido por uma pausa para avaliação. Para 2027, assume-se a implementação de medidas fiscais pelo próximo governo, ainda insuficientes para estabilizar a dívida pública. Assim, o espaço para novas reduções de juros parece limitado, com a taxa básica projetada em 11,00% ao final do próximo ano.
Presidente veta PL da Dosimetria e reacende debate político-jurídico
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o Projeto de Lei da Dosimetria (PL 2.162/2023), aprovado pelo Congresso em dezembro de 2025. O texto previa a redução de penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito cometidos no mesmo contexto, como os atos de 8 de janeiro de 2023, além de flexibilizar critérios de progressão de regime.
A proposta poderia reduzir condenações já impostas, inclusive a do ex-presidente Jair Bolsonaro. O veto será agora analisado pelo Congresso em até 30 dias e pode gerar judicialização no Supremo Tribunal Federal, caso seja derrubado.
Importações ganham protagonismo apesar da força das exportações
O superávit comercial brasileiro somou US$ 68,3 bilhões em 2025, abaixo dos US$ 74,2 bilhões registrados no ano anterior. O desempenho das exportações foi robusto, impulsionado por safra recorde de grãos, recuperação da economia argentina, aumento das vendas de carne bovina e preços elevados do café. Ainda assim, o avanço das importações foi mais intenso, com crescimento dos volumes em todas as categorias econômicas.
Para 2026, projeta-se relativa estabilidade do saldo comercial, em torno de US$ 66,7 bilhões. O cenário considera a retomada do crescimento econômico doméstico, que tende a sustentar as importações em patamar elevado, além de preços internacionais do petróleo mais baixos.
EUA capturam Maduro e ampliam tensão geopolítica na América Latina
Os Estados Unidos capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro, que será julgado em Nova Iorque sob acusações de tráfico de drogas. O presidente Donald Trump afirmou que pretende “administrar” a transição política no país, com foco no controle das reservas de petróleo e no reforço das sanções.
A operação gerou protestos internos nos EUA e críticas de países como Brasil, Rússia e China, que classificaram a ação como violação da soberania venezuelana. Trump também indicou que poderá adotar medidas adicionais caso a presidente interina, Delcy Rodríguez, não coopere, além de mencionar possíveis ações contra Cuba, Colômbia e México. Apesar da escalada retórica, os mercados financeiros reagiram de forma relativamente contida.
Mercado de trabalho dos EUA desacelera, mas atividade segue resiliente
Em 2025, o mercado de trabalho americano mostrou perda de dinamismo. Em dezembro, foram criados 50 mil empregos, abaixo da expectativa de 73 mil, e a média mensal do ano ficou em 49 mil, bem inferior aos 168 mil observados em 2024. A taxa de desemprego encerrou o ano em 4,4%.
Apesar disso, a atividade econômica manteve resiliência, especialmente no setor de serviços. O PMI de Serviços do ISM avançou de 52,6 para 54,4 em dezembro, superando as expectativas. O componente de novos pedidos saltou de 52,9 para 57,9, e o indicador de emprego voltou a crescer após seis meses de queda. Esse conjunto reforça a expectativa de manutenção dos juros pelo Fed na faixa de 3,50% a 3,75%, com novo corte apenas em meados de 2026.
Inflação chinesa segue em patamar historicamente baixo
Na China, a inflação ao consumidor subiu 0,8% em dezembro de 2025 na comparação anual, em linha com as projeções. No acumulado do ano, o índice permaneceu estável, registrando o resultado mais fraco desde 2009. A inflação ao produtor recuou 2,6% em 2025, mantendo-se em território deflacionário desde o fim de 2022.
O quadro reflete excesso de capacidade industrial e demanda interna enfraquecida, reforçando a expectativa de novos estímulos econômicos por parte das autoridades chinesas.
Bolsa brasileira inicia 2026 em alta, com apoio do cenário monetário
O Ibovespa encerrou a semana em alta de 1,8% em reais e 2,9% em dólares, aos 163.370 pontos. O início de 2026 foi marcado por tom positivo nos ativos domésticos, com o dólar recuando 1,1% para R$ 5,37 e manutenção das tendências observadas ao longo de 2025.
Setores cíclicos seguiram entre os destaques, como Educação, que avançou 9,8%, e Construção Civil, com alta de 2,6%. Os fluxos estrangeiros permaneceram positivos, com entradas líquidas de R$ 1,4 bilhão na semana. A expectativa de início do ciclo de afrouxamento monetário em março segue como um dos principais vetores para o mercado acionário ao longo de 2026.
No destaque corporativo, Cogna subiu 17,6% após elevação de recomendação por um banco de investimentos. Na ponta negativa, C&A recuou 13,1%, refletindo preocupações com os resultados do quarto trimestre, previstos para fevereiro.
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-comeca-2026-em-alta/ https://conteudos.xpi.com.br/economia-em-destaque/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
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