Mercado de trabalho segue aquecido, com desemprego em mínima histórica
Os dados mais recentes do mercado de trabalho reforçam a leitura de aquecimento, ainda que em ritmo mais moderado. Em novembro, o Caged registrou a criação líquida de 85,9 mil vagas formais, superando as expectativas. Apesar do bom resultado, o número confirma a desaceleração gradual da atividade: a média mensal de geração de empregos recuou de 140 mil no primeiro semestre para cerca de 85 mil no segundo semestre de 2025.
A PNAD Contínua mostrou novo recuo da taxa de desemprego, de 5,4% para 5,2% no trimestre móvel encerrado em novembro. Em termos dessazonalizados, nossas estimativas indicam queda de 5,5% para 5,1%, o menor patamar da série histórica. Os rendimentos seguem avançando: o rendimento médio real habitual cresceu 4,5% em relação a novembro de 2024, e 3,7% no acumulado de 12 meses. Como resultado, a massa de renda aumentou praticamente 6,0%, sustentando a demanda interna, mas mantendo pressão relevante sobre a inflação de serviços.
Reajustes no transporte público entram em vigor em grandes capitais
As tarifas de transporte público serão reajustadas no início de janeiro nas principais capitais do país. Em São Paulo, os ônibus municipais passam de R$ 5,00 para R$ 5,30 (alta de 6%) a partir de 6 de janeiro, enquanto metrô e CPTM sobem de R$ 5,20 para R$ 5,40 (3,85%). No Rio de Janeiro, as tarifas de ônibus, BRT, VLT e vans avançam de R$ 4,70 para R$ 5,00 (6,38%) a partir de 4 de janeiro, sem reajuste nos trens da SuperVia. Em Belo Horizonte, a passagem de ônibus sobe 8,6%, de R$ 5,75 para R$ 6,25, já a partir de 1º de janeiro.
Os reajustes já estavam incorporados ao nosso cenário base, e mantemos a projeção de inflação de 4,2% para 2026.
Dívida pública mantém trajetória de alta e reforça alerta fiscal
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 14,4 bilhões em novembro, acima do resultado negativo de R$ 6,6 bilhões no mesmo mês de 2024. O governo central e as estatais apresentaram déficits de R$ 16,9 bilhões e R$ 2,9 bilhões, respectivamente, enquanto os governos regionais tiveram superávit de R$ 5,3 bilhões.
A Dívida Bruta do Governo Geral alcançou 79,0% do PIB, enquanto a dívida líquida avançou para 65,2% do PIB. Para o fechamento de 2025, projetamos déficit de R$ 54,5 bilhões no governo central, superávit de R$ 13,6 bilhões nos entes regionais e déficit de R$ 10,2 bilhões nas estatais — o pior da série histórica. O déficit consolidado deve atingir R$ 51,1 bilhões (0,4% do PIB), com déficit nominal estimado em R$ 1,035 trilhão (8,1% do PIB) e dívida bruta próxima de 78,9% do PIB.
China impõe cotas à carne bovina e afeta exportações brasileiras
A China anunciou a adoção de cotas para importação de carne bovina a partir de 2026, com tarifa de 55% sobre volumes que excederem os limites estabelecidos. As cotas totais começam em 2,69 milhões de toneladas em 2026 e avançam gradualmente até 2,8 milhões em 2028. O Brasil, maior exportador, ficará com a maior fatia: 1,1 milhão de toneladas, abaixo das 1,52 milhão exportadas entre janeiro e novembro de 2025.
Cerca de 70% das exportações brasileiras permanecerão dentro da cota. Em um cenário extremo, o impacto máximo seria da ordem de US$ 2,5 bilhões, com efeito desinflacionário estimado em -0,15 ponto percentual no IPCA. Ainda assim, a oferta global apertada de proteína animal tende a mitigar impactos mais severos.
Bolsa fecha 2025 com forte valorização, apesar de semana morna
O Ibovespa encerrou a última semana do ano com leve queda de 0,2% em reais, mas alta de 1,9% em dólares, aos 160.539 pontos. No acumulado de 2025, o índice avançou 34,0% em reais e 50,9% em dólares, o melhor desempenho anual desde 2016.
A semana foi marcada por baixa liquidez e noticiário reduzido. Dados do mercado de trabalho reforçaram o cenário de desaceleração gradual da atividade, ao mesmo tempo em que confirmaram um mercado ainda bastante apertado. Para 2026, os investidores devem acompanhar de perto os indicadores de atividade, fundamentais para calibrar o ritmo do ciclo de queda de juros.
Apesar da Bolsa mais contida, outros ativos tiveram desempenho positivo: a curva de juros fechou e o dólar recuou 2,1%, encerrando o período a R$ 5,42, mesmo com a valorização do DXY. No exterior, as bolsas americanas recuaram na semana, mas fecharam 2025 com ganhos expressivos: S&P 500 (+16,4%) e Nasdaq (+20,4%), impulsionados pelo tema da inteligência artificial.
Entre os destaques, CVC (+6,3%) avançou com o fechamento da curva de juros, enquanto Minerva (-6,1%) recuou após o anúncio das restrições chinesas à carne bovina.
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-desemprego-volta-a-recuar-em-novembro/https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-cai-ligeiramente-em-semana-de-baixa-liquidez/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
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