Inflação recua e governo busca recompor receitas
A prévia da inflação de outubro trouxe boas notícias. O IPCA-15 avançou apenas 0,18% em relação a setembro — abaixo das expectativas de mercado — e acumulou alta de 4,94% em 12 meses, recuando frente aos 5,32% anteriores. A desaceleração veio principalmente da queda dos preços de serviços subjacentes, alimentos e bens industriais, compensando o impacto da energia elétrica, que subiu 0,24%, e da gasolina, com alta de 0,99%.
Com esse alívio inflacionário e a redução de R$ 0,14 por litro no preço da gasolina anunciada pela Petrobras, a projeção para o IPCA de 2025 foi revista para 4,6%.
Ajustes fiscais voltam à pauta
Com o fim da Medida Provisória 1303/25, que tratava da tributação de investimentos, o governo tenta reconstruir sua estratégia de arrecadação. O ministro Fernando Haddad informou que enviará dois novos projetos de lei ao Congresso: um com medidas de contenção de gastos e outro com aumento de receitas. Entre as propostas, estão novas regras para o uso de créditos tributários, elevação de tributos sobre fintechs, Juros sobre Capital Próprio (JCP) e apostas online.
O cenário fiscal, ainda indefinido, levou o governo a adiar mais uma vez a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, que define a meta de resultado primário.
Contas externas voltam ao vermelho
O déficit em conta corrente somou US$ 9,8 bilhões em setembro, o pior resultado desde 2015. Em 12 meses, o saldo negativo chegou a US$ 78,9 bilhões (3,6% do PIB), superando os ingressos de Investimento Direto no País (US$ 72,6 bilhões, ou 3,2% do PIB). A tendência preocupa: com a recuperação do consumo interno prevista para 2026, o país deve importar mais e aumentar remessas ao exterior, ampliando o desequilíbrio. Ainda que as exportações sigam firmes, as despesas com renda primária — como lucros e dividendos enviados a fora — devem neutralizar o ganho comercial.
Arrecadação cresce, mas ainda é insuficiente
A arrecadação federal atingiu R$ 216,7 bilhões em setembro, alta real de 1,4% ante o ano anterior. No acumulado de 2025, somou R$ 2,13 trilhões, crescimento de 3,5%. O avanço veio principalmente de tributos ligados à folha de pagamento, renda fixa e IOF, cuja alíquota foi ampliada neste ano. Já os impostos mais sensíveis à atividade econômica, como PIS/Cofins e IRPJ/CSLL, começam a desacelerar. A projeção é que a receita total cresça 3,8% em termos reais, alcançando R$ 2,88 trilhões — insuficiente, contudo, para zerar o déficit primário.
Cenário internacional
Nos Estados Unidos, o CPI de setembro avançou 3,0% em 12 meses, levemente abaixo das previsões, reforçando a expectativa de novos cortes de juros pelo Federal Reserve. Ainda assim, tarifas sobre produtos chineses começaram a pressionar preços de bens industriais, como móveis e vestuário. O presidente Donald Trump confirmou reuniões com Lula e Xi Jinping, buscando aliviar tensões comerciais — enquanto negocia um acordo com a Índia, que prevê redução de tarifas de 50% para 15% em troca de menor importação de petróleo russo. Já o cancelamento do encontro com Vladimir Putin reacendeu temores no mercado de petróleo, elevando o Brent para US$ 66 por barril.
No Japão, Sanae Takaichi assumiu o cargo de primeira-ministra prometendo mais gasto público, redução de impostos e aproximação com os EUA, em meio à desaceleração da economia local.
Bolsa e câmbio reagem a alívio externo
O Ibovespa avançou 1,9% na semana, acompanhando o otimismo global (S&P 500 +1,7%; Nasdaq +2,5%), enquanto o real se valorizou 2%, fechando a R$ 5,41 por dólar. O movimento refletiu o tom mais moderado do Fed e a trégua temporária nas tensões comerciais.
Entre as ações, destaque positivo para Usiminas (+14,4%), beneficiada pela expectativa de medidas antidumping sobre o aço chinês, e queda para Brava (-2,6%), em linha com o recuo do petróleo.
FONTE:https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-inflacao-benigna-reforca-corte-de-juros-nos-eua/ https://conteudos.xpi.com.br/acoes/relatorios/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-lidera-mercados-globais-com-tom-mais-brando-do-fed-e-desvalorizacao-do-dolar/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
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