PIB brasileiro cresce 1,4% no 1º trimestre, impulsionado por safra recorde
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou crescimento de 1,4% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior, resultado pouco abaixo das expectativas (XP: 1,6%; Mercado: 1,5%). Comparado ao mesmo período de 2024, o PIB cresceu 2,9%. O desempenho foi liderado pela Agropecuária, que apresentou forte expansão de 12,2%, especialmente devido à safra recorde de soja.
Para o segundo trimestre, projetamos um crescimento preliminar de 0,5% na comparação trimestral (2,4% na comparação anual). Mantemos nosso cenário de desaceleração gradual da economia em 2025, com sustentação da demanda doméstica impulsionada pelo mercado de trabalho robusto e por medidas recentes anunciadas pelo governo. Com isso, nossa previsão para o crescimento econômico de 2025 permanece em 2,3%, com leve possibilidade de revisão para cima.
Inflação desacelera e traz alívio generalizado em maio
O IPCA-15 de maio mostrou alta de 0,36% ante abril, abaixo do previsto pelo mercado (XP: 0,47%; consenso: 0,44%), reduzindo a inflação anual de 5,49% para 5,40%. A desaceleração foi ampla, com destaque para núcleos importantes para o Banco Central. O núcleo de serviços subiu apenas 0,45%, abaixo das estimativas, refletindo menores aumentos em aluguéis e taxas condominiais. Os serviços intensivos em mão de obra tiveram alta de 0,49%, também abaixo do esperado.
A média dos núcleos, excluindo itens voláteis, aumentou 0,40%, sinalizando moderação futura. Bens industriais tiveram alta de 0,41%, enquanto alimentos subiram 0,30%, ambos inferiores às expectativas. Diante disso, revisamos para baixo nossa projeção para a inflação de 2025, atualmente em 5,7%.
Mercado de trabalho supera expectativas novamente
Em abril, o relatório do CAGED registrou criação líquida de 257,5 mil empregos formais, superando significativamente a mediana esperada de 170 mil vagas. A taxa de desemprego também surpreendeu, recuando para 6,6% no trimestre encerrado em abril. Além disso, o rendimento real do trabalhador avançou 3,2% em relação a abril de 2024, confirmando tendência positiva que sustenta o consumo doméstico.
Esperamos a geração líquida de 1,45 milhão de empregos formais em 2025, refletindo a força contínua do mercado de trabalho, que mantém pressão sobre os custos do trabalho e inflação de serviços elevada.
Governo registra superávit primário, mas dívida cresce
O governo federal apresentou superávit primário de R$ 14,1 bilhões em abril, abaixo do previsto (XP: R$ 18,6 bilhões; Mercado: R$ 18,8 bilhões). Em 12 meses, há um déficit acumulado de R$ 6 bilhões (0,1% do PIB), com resultado nominal deficitário de R$ 934 bilhões (7,9% do PIB). Assim, a Dívida Bruta do Governo Geral avançou para 76,2% do PIB.
Prevemos um déficit primário de R$ 57,4 bilhões (0,4% do PIB) em 2025, com déficit nominal de R$ 1,115 trilhão (9% do PIB) e aumento da dívida bruta para 79,7% do PIB ao final do ano.
Conta corrente fecha abril com déficit de US$ 1,3 bilhão
Em abril, a conta corrente registrou déficit de US$ 1,3 bilhão, alinhado às expectativas do mercado.
Cenário Internacional: Justiça dos EUA mantém tarifas de Trump
Nos Estados Unidos, o Tribunal de Apelações reverteu uma decisão anterior que suspendia tarifas impostas pelo governo Trump, restabelecendo as alíquotas mínimas globais e contra China, México e Canadá. Adicionalmente, Trump adiou para 9 de julho a imposição de tarifas de 50% sobre produtos da União Europeia, após conversas com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A inflação nos EUA, medida pelo PCE, avançou 2,1% em abril na base anual, em linha com as expectativas, enquanto o núcleo recuou para 2,5%. Com isso, o Federal Reserve mantém espaço limitado para cortes de juros em 2025, projetando-se até duas reduções no segundo semestre.
Confiança do consumidor americano melhora com redução nas tensões comerciais
A confiança do consumidor nos EUA subiu significativamente para 98,0 pontos em maio, beneficiada pela redução das tensões comerciais entre EUA e China. Apesar disso, famílias seguem cautelosas devido aos efeitos das tarifas e aumento dos preços.
Ibovespa fecha em baixa com PIB abaixo do esperado
O Ibovespa fechou a semana com queda de 0,6%, a 137.027 pontos, após divulgação do PIB brasileiro abaixo das expectativas. Em maio, acumulou alta de 1,5%. Globalmente, mercados encerraram com alta (S&P 500 +1,9%; Nasdaq +2,0%), impulsionados pelo adiamento de tarifas contra a UE e bons resultados corporativos, como os da Nvidia. No Brasil, Azul (AZUL4) caiu 13,5%, enquanto Vamos (VAMO3 +20,6%), Azzas (AZZA3 +14,1%) e Assaí (ASAI3 +11,6%) se destacaram positivamente.
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/acoes/relatorios/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-cai-com-dados-economicos-e-guerra-comercial-no-radar-dos-investidores/ https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-pib-acelera-no-inicio-de-2025/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119



