Panorama de Mercado

5 de novembro de 2024
3 mins read

Real em Queda: Desvalorização entre Países Emergentes

Na última semana, o real atingiu R$ 5,87, o maior valor desde maio de 2020, representando o pior desempenho entre moedas emergentes. Internacionalmente, o dólar enfraqueceu com o aumento das chances de vitória de Donald Trump nos EUA, favorecendo o “Trump trade”—valorização de ativos beneficiados por um governo republicano. No Brasil, a pressão sobre o real veio da deterioração na percepção de risco fiscal, devido às incertezas sobre o pacote de cortes de despesas que o governo pretende anunciar.

Expectativas sobre o Ajuste Fiscal

O mercado está atento às medidas de ajuste fiscal. Os ministros Fernando Haddad e Rui Costa se reuniram para discutir a revisão de gastos. A ministra Simone Tebet informou que o presidente Lula ainda não decidiu sobre o pacote, embora conheça as propostas.

Mercado de Trabalho Forte no Brasil

O mercado de trabalho brasileiro mostra robustez. A taxa de desemprego ajustada caiu para 6,2% em setembro, a mais baixa desde 2012. Os rendimentos reais tiveram leve queda, mas seguem elevados. Projeta-se um aumento de 4,5% no rendimento médio em 2024 e uma desaceleração para 3% em 2025, alinhada à redução do estímulo fiscal. Em setembro, foram criados 247,8 mil empregos formais, acima do esperado, com quase todos os setores apresentando saldo positivo.

Pressão Inflacionária pelas Carnes

Essas condições sustentam a demanda doméstica, favorecendo as projeções do PIB, previsto para crescer 3,1% em 2024 e 1,8% em 2025. No entanto, aumentam as preocupações com a inflação futura, especialmente em serviços. O IPCA para 2024 foi revisado de 4,50% para 4,55%, influenciado pelo aumento nos preços de alimentos, principalmente carnes. O preço do boi gordo subiu quase 20% em São Paulo em outubro, refletindo a inversão do “ciclo do boi”, seca nos pastos e forte demanda. Nossa projeção para o IPCA é de 4,6%, com viés de alta.

Economia dos EUA Afastando Risco de Recessão

Nos Estados Unidos, o PIB cresceu 2,8% entre o segundo e o terceiro trimestre de 2024, confirmando a força da economia. O consumo das famílias avançou 3,7%, impulsionado pelo mercado de trabalho resiliente e pela valorização do mercado acionário. As importações aumentaram, refletindo a forte demanda interna. Espera-se desaceleração gradual nos próximos trimestres, acompanhando o reequilíbrio do mercado de trabalho e a manutenção da alta de juros.

Inflação e Mercado de Trabalho nos EUA

A inflação, medida pelo núcleo do PCE, mantém-se estável em torno de 2,7% em 12 meses, indicando desinflação gradual. Contudo, riscos como consumo forte e estímulos chineses podem pressionar os preços. O mercado de trabalho americano mostra equilíbrio, com criação de 12 mil vagas e taxa de desemprego em 4,1%. Eventos como furacões e greves influenciaram os números. Mantemos a projeção de cortes de 0,25 ponto percentual na taxa de juros nas próximas reuniões do Federal Reserve.

Eleições Americanas e Impactos Econômicos

As eleições nos EUA estão próximas, com pesquisas indicando empate entre Donald Trump e Kamala Harris. No mercado de apostas, Trump é o favorito. Uma vitória de Trump pode levar a um dólar mais forte e a conflitos comerciais. Ambos os candidatos têm propostas que podem aumentar o déficit público, dificultando a desinflação.

China Avalia Novos Estímulos

A China considera emitir mais de 10 trilhões de yuans em dívida adicional para estimular a economia. Medidas como essa podem influenciar a valorização das commodities brasileiras, beneficiando o real. Uma vitória de Trump poderia levar a China a intensificar estímulos, respondendo a possíveis tarifas sobre seus produtos.

Petróleo Influenciado por Geopolítica e OPEP+

O petróleo Brent fechou a semana em torno de US$ 73 por barril, influenciado por tensões geopolíticas e possíveis mudanças na produção da OPEP+. Variações no preço do petróleo impactam a inflação global.

Zona do Euro: Crescimento e Inflação

O PIB da zona do euro cresceu 0,4%, acima do esperado, impulsionado por eventos como os Jogos Olímpicos na França. A inflação subiu para 2,0% em 12 meses, com o núcleo estável em 2,7%. Esses dados afastam temores de recessão, mas indicam que a convergência sustentável da inflação ainda não foi alcançada. É esperado um corte gradual de juros pelo Banco Central Europeu.

Bolsas

O Ibovespa caiu 1,6% em reais em outubro e 1,4% na semana, fechando aos 128.121 pontos. Globalmente, empresas de tecnologia tiveram resultados mistos no terceiro trimestre. No Brasil, o risco fiscal permaneceu em foco, com decepção pela falta de detalhes sobre cortes de gastos. A EZTEC destacou-se positivamente com alta de 10,9%, enquanto a Hypera caiu 13,3% após a retirada de uma proposta de aquisição.

 

Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119

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