PIB mostra desaceleração, mas governo aposta em estímulos
A economia brasileira perdeu ritmo no segundo trimestre. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,4% entre abril e junho, após crescer 1,3% nos três primeiros meses do ano. O desempenho mais fraco reflete o peso das condições financeiras apertadas — juros ainda elevados e alto endividamento das famílias.
Apesar disso, alguns setores mostraram resiliência. A safra recorde de grãos e a solidez do mercado de trabalho garantiram fôlego a segmentos mais ligados à renda. Para o terceiro trimestre, a expectativa é de novo crescimento de 0,4%, sustentado principalmente por transferências fiscais — cerca de R$ 40 bilhões em precatórios foram liberados pelo governo e devem reforçar o consumo. A projeção de crescimento para 2025 foi mantida em 2,2%.
A inflação também deu sinais de arrefecimento. O IPCA recuou para 4,5% em agosto, e as expectativas de médio prazo começaram a ceder. Ainda assim, a convergência à meta de 3% segue difícil: a valorização do real perdeu força e o mercado de trabalho continua aquecido. A previsão da XP é de IPCA em 4,8% neste ano.
O Banco Central deve manter a política monetária restritiva por mais tempo. A estimativa é de que o ciclo de cortes de juros comece apenas em 2026, com a Selic podendo encerrar o ano em 12%.
No exterior, Fed ganha espaço para cortar juros
Nos Estados Unidos, os números do mercado de trabalho vieram mais fracos que o esperado. Foram criadas 22 mil vagas em julho, contra projeção de 75 mil. O relatório JOLTS mostrou, pela primeira vez desde a pandemia, mais desempregados do que vagas abertas.
A indústria segue pressionada pelas tarifas. O índice ISM industrial avançou para 48,7 pontos em agosto, abaixo de 50, o que indica retração pelo sexto mês consecutivo. Executivos ouvidos citaram os custos maiores decorrentes das tarifas como principal fator de queda.
O quadro reforça a expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve ainda em setembro. O mercado precifica 90% de chance de redução de 0,25 ponto percentual.
Tarifas seguem no centro da disputa comercial
No campo político, a Justiça americana considerou ilegais parte das tarifas impostas pela administração Trump, mas decidiu mantê-las em vigor até julgamento definitivo. O governo deve recorrer à Suprema Corte em outubro. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou acreditar na manutenção das medidas, mas já prepara alternativas caso contrário.
Enquanto isso, a Índia ofereceu retirar tarifas sobre produtos dos EUA, após ter sido alvo de sobretaxas de 50% devido à compra de petróleo russo. Trump comemorou, mas disse que a iniciativa pode ter vindo “tarde demais”.
Europa mantém cautela
Na zona do euro, a inflação voltou a 2,1% em agosto, levemente acima da meta. O Banco Central Europeu deve manter a taxa de juros de referência em 2,0% na próxima reunião, postura vista como prudente diante do recuo da inflação de serviços para o menor nível desde março de 2022.
O recente acordo comercial assinado com os Estados Unidos ajudou a reduzir parte da incerteza em torno de tarifas, mas a expectativa é que os juros permaneçam estáveis por um período prolongado.
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-mercado-de-trabalho-mais-fraco-reforca-queda-de-juros-nos-eua/



