Nós, mulheres, temos esse dom quase genético de querer agradar. Como se fôssemos eternas candidatas a uma vaga de “ser amada e aceita”, estamos sempre entregando mais do que pedem, superando expectativas, sorrindo mesmo quando a vontade é dar uma resposta atravessada. Tudo com a doce ilusão de que, em troca, virá amor, reconhecimento e reciprocidade. Mas a vida — essa debochada — às vezes nos entrega apenas frustração embrulhada em papel de presente.
É aí que percebemos a cruel diferença entre ser útil e ser querida. Útil é quem resolve, quem conserta, quem organiza, quem sempre dá um jeito. Querida é quem pode simplesmente existir sem precisar provar nada, sem check-list de produtividade emocional. Só que muitas vezes, em nome da aprovação, abrimos mão dos espaços onde somos queridas para insistir nos lugares onde só servimos como ferramenta multifuncional de conveniência.
Depois de alguns tropeços (e muitas noites de terapia ou vinho, dependendo do bolso), a gente começa a treinar um olhar mais afiado. E descobre que vale muito mais sentar à mesa com quem celebra nossa presença do que implorar lugar na mesa de quem só se lembra de nós quando precisa de ajuda. Que a gente tenha serenidade — e um toque de ousadia — para reconhecer esses espaços e ficar neles. Porque ser útil até pode ter seu valor, mas ser querida… ah, isso não tem preço.
Até a próxima!
Léia Alberti
Comunicadora
@leiaalberti
@agencia_bora



