Ventos que ultrapassaram os 300 km/h devastaram o interior do Paraná na última sexta-feira (7), em um dos tornados mais fortes já registrados no Brasil. O fenômeno causou destruição em diversas cidades, deixou sete mortos, centenas de feridos e interrompeu o fornecimento de energia em amplas regiões do estado. As equipes de resgate seguem mobilizadas para atendimento às vítimas e reconstrução das áreas atingidas.
O desastre ambiental reacendeu o debate sobre os efeitos da crise climática no país, que tem registrado eventos extremos com frequência cada vez maior. Especialistas alertam que tempestades severas, secas prolongadas e ondas de calor já fazem parte de uma nova realidade imposta pelo aquecimento global.
O episódio ocorre justamente no momento em que começa, nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30). O encontro reúne chefes de Estado, negociadores, cientistas, ambientalistas e representantes da iniciativa privada para discutir estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
A ausência oficial dos Estados Unidos, segundo maior emissor de gases de efeito estufa do planeta, chamou a atenção. O governo do presidente Donald Trump decidiu não enviar representantes federais à conferência. O mandatário norte-americano, crítico de políticas ambientais, afirmou em discurso recente na ONU que considera as mudanças climáticas “a maior farsa do mundo”.
Para especialistas, essa postura representa um risco à cooperação internacional. Em entrevista concedida à revista Trip no fim de 2024, o climatologista Carlos Nobre classificou o momento como “uma emergência climática sem precedentes” e criticou o retrocesso de grandes potências.
“É preciso reduzir emissões rapidamente, fortalecer a resiliência das populações e proteger a biodiversidade”, afirmou. Segundo Nobre, a política dos EUA sob Trump segue na direção contrária. “Ao incentivar o aumento da produção de combustíveis fósseis, o país pressiona o restante do mundo a fazer o mesmo por razões econômicas. Isso pode nos empurrar para um ecocídio, um suicídio ecológico.”
Com o Sul do país ainda contabilizando prejuízos e a comunidade internacional reunida no Pará, a COP 30 começa sob a urgência de respostas concretas para um cenário climático cada vez mais crítico.



