Comissão de Agricultura discute crise da cebola em Santa Catarina

25 de fevereiro de 2026
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A crise que envolve a cadeia produtiva da cebola em Santa Catarina foi debatida pela Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (25). Durante a reunião, parlamentares, produtores, representantes de municípios e entidades discutiram ações para o fortalecimento da produção e para o enfrentamento dos prejuízos.

Presidente do colegiado, o deputado Altair Silva (PP) lamentou a situação que, segundo ele, já se arrasta há dois anos. “Assim como na cadeia produtiva do leite, os agricultores que produzem cebola também estão pagando para trabalhar, com relatos de prejuízos de cerca de 50 centavos por quilo, pois gastam mais para produzir do que recebem na venda. Temos recordes de produção, mas isso não se traduz em retorno financeiro para os produtores e, se eles desistirem do cultivo, logo o produto vai encarecer para o consumidor final”, explicou.

Ituporanga, no Alto Vale do Itajaí, é reconhecida como Capital Nacional da Cebola. O prefeito do município, Geison Kurtz, destacou que “temos receio de perder essa distinção porque nossos produtores estão desistindo da atividade. Além disso, a cebola movimenta a nossa economia. Se o agricultor acumula prejuízos, o comércio sente, o município sente na arrecadação e isso impacta diretamente os serviços públicos”.

Para o prefeito e produtor Marcelo Spautz, de Lebon Régis, município da região Oeste, a situação é preocupante, uma vez que “a cebola representa 40% da arrecadação anual dos produtos agrícolas da cidade. Esse número chega a 70% quando se considera apenas a cultura de inverno. A esta altura do ano, já deveríamos ter atingido 60% da produção vendida, mas conseguimos comercializar apenas 40%”.

O encontro também contou com a presença de produtores de cebola de Ituporanga. De acordo com Odinei Israel, a situação está se tornando insustentável e muitos produtores devem deixar o cultivo a partir do próximo ano. Para Arny Mohr, apenas a renegociação das dívidas junto às instituições financeiras não é suficiente, já que esse processo precisou ser feito na última safra e os débitos acabaram se acumulando.

O presidente da Facisc, Elson Otto, colocou a entidade à disposição dos agricultores e afirmou que irá atuar em conjunto com os deputados na busca por medidas que ajudem a superar a crise.

Ao final do encontro, Altair Silva propôs a elaboração de um documento a ser encaminhado ao Banco Central e ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), solicitando a renegociação das dívidas com juros competitivos, que leve em consideração a capacidade de pagamento do produtor, com prazos adequados e sem bloquear a possibilidade de novos financiamentos para o plantio.

“Um desafio que deixamos para a Epagri é a pesquisa para o armazenamento adequado da cebola, que é um produto perecível. Precisamos manter a integridade do produto por mais tempo para que os produtores tenham a possibilidade de negociar valores com mais tranquilidade. Também vamos solicitar o apoio do governo estadual para que elabore um programa de apoio financeiro, como já foi feito com a cadeia produtiva do leite”, ressaltou o parlamentar.

Audiência pública
A Comissão de Agricultura também aprovou a realização de uma audiência pública para debater a crise da cadeia produtiva da cebola. A data e o local ainda serão definidos.

 

Larissa Martinelli
Assessoria de Imprensa

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