O Instagram anunciou uma novidade: agora, adolescentes terão contas especiais, com conteúdo verificado e apropriado para a idade.
À primeira vista, parece uma ótima notícia. Afinal, quem é pai ou mãe sabe o alívio que é imaginar um ambiente mais seguro para os filhos na internet — sem acesso a conteúdos violentos, sexualizados ou inadequados.Mas será que é mesmo assim tão simples?
A boa intenção ficou evidente (será?), mas a pergunta que não quer calar é: será que os adolescentes precisam estar nas redes sociais?
Em tempos de “scroll infinito”, comparações constantes e pressão por curtidas, até os adultos têm dificuldade em lidar com os efeitos das redes. O que dizer então de quem ainda está formando a própria identidade?
O Instagram promete cuidado e responsabilidade, mas também tem interesse em manter essa geração conectada — e consumindo. A fronteira entre proteger e prender é tênue.
Pais e mães continuam sendo o verdadeiro filtro — e talvez o mais difícil de aplicar não esteja no aplicativo, mas em casa: o tempo de qualidade offline, as conversas, os limites e o exemplo.
Criar contas “seguras” para adolescentes pode ser um passo positivo, mas nunca substitui o papel de quem educa. Porque, no fim das contas, o melhor conteúdo para os nossos filhos continua sendo o mundo real — aquele que não precisa de curtidas para valer a pena.
Até mais,
Leia Alberti


