Na corda bamba do crescer
Existe uma corda bamba que toda mãe aprende a atravessar — e ninguém nos ensina como. É o delicado equilíbrio entre a felicidade de ver nossos filhos crescendo fortes, saudáveis e cheios de personalidade, e a triste constatação de que eles estão crescendo, mesmo. Que aquele cheirinho de bebê ficou nas lembranças e nas fotos amareladas do celular.
De repente, percebemos que eles já têm opiniões firmes, argumentos próprios, vontades que não pedem mais tanta tradução. E, aos 7 ou 8 anos, já mostram traços de quem serão no futuro — e isso é lindo e assustador ao mesmo tempo. Porque é ali, naquele jeitinho de falar, de reagir, de escolher o que vestir ou o que assistir, que a gente vislumbra o adulto que está nascendo dentro da criança que ainda amamos colocar pra dormir.
Ser mãe é isso: bater palmas para o crescimento e esconder as lágrimas da saudade. É sorrir ao ver a independência e ao mesmo tempo desejar que eles precisem de um colo — só mais um pouquinho. É um exercício diário de desprendimento e amor maduro, aquele que entende que criar é deixar ir, mesmo com o coração pedindo pra ficar.
Talvez essa seja a verdadeira arte da maternidade: seguir firme na corda bamba, com o coração dividido entre o ontem e o amanhã, torcendo para que, no fim, o amor continue sendo o chão seguro que eles sempre terão pra voltar.
Até a próxima,
Léia Alberti
Por Léia Alberti
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@agencia_bora


