Quando presenteamos alguém com um livro, estamos convidando essa pessoa a caminhar com a cabeça. Quando presenteamos com um tênis, estamos convidando a caminhar com os pés. Ambos têm seu valor. O problema começa quando uma sociedade passa a investir mais nos pés do que na mente.
O tênis nos leva a lugares físicos. O livro nos leva a lugares que os pés jamais alcançarão. O tênis se desgasta com o uso. O livro fortalece com o uso. Um protege o corpo do chão. O outro protege a mente da superficialidade. Um mostra aparência. O outro constrói essência.
Vivemos o tempo do imediato, do visível e do descartável. O tênis impressiona. O livro transforma. O tênis aparece aos olhos. O livro aparece nas atitudes, nas decisões e na capacidade de pensar. E pensar exige esforço, disciplina e silêncio, virtudes cada vez mais raras.
O reflexo disso aparece nas escolas, universidades e no trabalho. Multiplicam-se diplomas, mas escasseiam ideias. Cresce o número de formados, mas diminui a capacidade de interpretar, escrever e argumentar. Forma-se para o mercado, mas não para a vida. Certifica-se, mas não se qualifica.
Desde cedo, muitos pais investem mais na aparência do que na formação. O presente que brilha vale mais que o presente que constrói. Sem perceber, criamos gerações preparadas para consumir, mas não para refletir. Observe no aniversário de alguém. Quem presenteia com livros?
Uma sociedade que lê pouco pensa pouco. E uma sociedade que pensa pouco aceita tudo, questiona pouco e depende sempre de alguém que pense por ela. Não se trata de condenar o tênis. Precisamos caminhar. Mas é a mente que decide o destino. O tênis conduz o corpo. O livro conduz a vida.
Talvez o maior presente não seja aquilo que colocamos nos pés de nossos filhos, mas aquilo que colocamos dentro de sua mente. Porque o tênis acompanha passos. O livro constrói caminhos.
Reflitamos sobre este tema durante esta semana.
Até a próxima.


