Acompanhada ou sozinha, ainda sou eu
O que realmente define uma mulher inteira.
Sempre fui uma mulher independente.
Desde muito cedo, aprendi que liberdade e responsabilidade andam juntas — e que ter o próprio sustento é um dos caminhos mais diretos para conquistar o direito de decidir por si mesma. Nunca me faltou vontade de viver vínculos leais e duradouros, mas os meus sempre nasceram da satisfação, não da necessidade. Talvez por isso, sem perceber, eu tenha construído uma imagem de mulher que caminha sozinha — e, de certa forma, é verdade.
Recentemente, ouvi uma conversa em que uma mulher pública era criticada por estar sempre acompanhada do marido em todos os eventos, sociais ou políticos. Diziam que ele a “sufocava”, que ela parecia “menos dona de si”. Na hora, me peguei pensando: e eu, que vou sozinha a praticamente tudo? Já ouvi o oposto — que meu marido “não se importa”, como se minha autonomia fosse uma ausência de cuidado. É curioso como, em qualquer cenário, a mulher parece precisar se justificar: se está acompanhada, é dependente; se está só, é descuidada.
A verdade é que nem um extremo nem outro definem amor, parceria ou liberdade.
Eu gosto da companhia do meu marido, mas nossas agendas raramente se alinham — e, mesmo que se alinhassem, não acredito que eu precisasse da presença dele para validar o que sou ou o que faço.
Essa reflexão não tem ponto final, apenas me fez pensar sobre como ainda somos medidas pelo modo como dividimos (ou não) a cena com quem amamos.
E talvez o equilíbrio não esteja em estar sempre com ou sem alguém — mas em estar inteira, seja qual for o lado da mesa.
Até a próxima
Leia Alberti


