Flores murcham, respeito não deveria
Homenagem bonita não substitui dignidade
Março chegou. E com ele, aquela avalanche de mensagens, flores virtuais, posts cor-de-rosa, promoções “especialmente para elas” e o inevitável “parabéns, mulheres!”.
Obrigada. Mas vou ser sincera: pode guardar.
Não é ingratidão. É cansaço mesmo.
Porque, no fundo, muitas de nós já entenderam que flores murcham rápido. O que não deveria murchar nunca é o respeito.
Todo mês de março aparece alguém distribuindo elogios genéricos: “guerreiras”, “maravilhosas”, “capazes de tudo”. Parece bonito. Mas às vezes soa como aquelas palmas protocolares no final de uma reunião: todo mundo bate, mas poucos prestaram atenção de verdade no que foi dito.
Ser mulher não é sobre ser heroína o tempo todo. Nem sobre dar conta de tudo com um sorriso impecável. A vida real passa longe desse comercial de margarina.
Ser mulher é trabalhar, cuidar, resolver, decidir, acolher, resistir — muitas vezes tudo no mesmo dia. De salto, de tênis, de chinelo ou descalça mesmo, porque a pressa não permite escolher o sapato.
Então, neste mês da mulher, se for para me dar alguma coisa, eu faço um pedido bem simples.
Troque as flores por respeito.
Troque o “parabéns” por escuta.
Troque o elogio bonito por atitudes que realmente façam diferença.
Respeito quando uma mulher fala.
Respeito quando ela decide.
Respeito quando ela diz sim — e principalmente quando diz não.
E tem mais uma coisa que não deveria nem precisar ser dita, mas ainda precisa: parem de nos matar.
Nada do que uma mulher faça — absolutamente nada — merece tiro, facada ou soco. Nenhuma discussão, nenhum ciúme, nenhuma separação, nenhuma frustração pode terminar em violência. Ainda assim, termina. Com uma frequência assustadora.
Por isso, neste mês cheio de flores e discursos bonitos, talvez valha lembrar do básico: queremos viver.
Porque o que nós queremos não cabe num buquê.
Não precisa de laço, nem de embalagem bonita.
Precisa só de uma coisa que deveria ser básica o ano inteiro: dignidade.
Se vier com isso, pode ter certeza — não importa se estou de salto ou de tênis — eu agradeço.


