Real no melhor nível desde maio de 2024 e Bolsa amplia ganhos
O câmbio encerrou fevereiro na casa de R$ 5,13 por dólar, o menor patamar desde maio de 2024. No acumulado do ano, o real já se valorizou 6,6% e, em 12 meses, o ganho chega a 13,5%. O movimento não é isolado: reflete o enfraquecimento global do dólar e a reprecificação de riscos nos Estados Unidos, que levou investidores a redirecionarem capital para mercados emergentes entre eles, o Brasil.
A melhora do fluxo externo tem sido decisiva. O ambiente internacional mais cauteloso em relação aos EUA aumentou o apetite por ativos de maior retorno, favorecendo moedas e bolsas emergentes. O Ibovespa, em níveis recordes, acumula alta de 19% no ano. Para efeito de comparação, o principal índice do México sobe 11%, enquanto a Bolsa da Colômbia avança 15,7%.
Inflação surpreende em fevereiro, mas tendência segue moderada
O IPCA-15 de fevereiro registrou alta de 0,84%, acima da projeção de 0,60% e do consenso de 0,56%. Ainda assim, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,50% para 4,10%. O choque concentrou-se principalmente em serviços.
As passagens aéreas subiram acima do esperado, impactadas pelo Carnaval, o que sugere correção parcial nos meses seguintes. O seguro de automóveis, que havia recuado mais de 10% no fim de 2025, voltou a subir 5% em fevereiro. Em contrapartida, bens industrializados e alimentos mantiveram trajetória desinflacionária.
Mesmo diante da surpresa pontual, o cenário de curto prazo permanece benigno. A expectativa segue sendo de início do ciclo de cortes da Selic em março, com redução de 0,50 ponto percentual. A projeção para o IPCA de 2026 permanece em 3,8%.
Mercosul-União Europeia avança, mas enfrenta resistências
A Câmara dos Deputados aprovou o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, agora sob análise do Senado. O governo prepara decreto de salvaguardas para proteger indústria e agronegócio frente às exigências europeias. A regulamentação deve ser enviada à Casa Civil antes da votação final.
Do lado europeu, a aplicação provisória do acordo poderá ocorrer dentro de aproximadamente dois meses, após troca formal de notificações. O tema, porém, enfrenta resistência de países como a França, que teme impactos sobre carne, açúcar e frango. Alemanha e Espanha defendem o pacto como instrumento estratégico para reduzir dependência da China e compensar tarifas impostas pelos EUA.
Governo ajusta tarifas e mantém meta de arrecadação
O Executivo zerou o Imposto de Importação de 105 bens de capital e itens de informática e telecomunicações no regime de ex-tarifários. Também reviu parte da alta recente sobre smartphones e notebooks, restabelecendo alíquotas anteriores — 16% para celulares e 20% para notebooks.
Apesar dos ajustes, a equipe econômica mantém a projeção de arrecadar entre R$ 15 bilhões e R$ 17 bilhões em 2026 com as medidas tarifárias já implementadas, estimativa compatível com o PLOA, que previa ganho adicional de cerca de R$ 14 bilhões.
Superávit de janeiro não altera tendência fiscal
O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 103,7 bilhões em janeiro, ligeiramente abaixo dos R$ 104,1 bilhões do mesmo mês de 2025. O governo central respondeu por R$ 87,3 bilhões, estados e municípios por R$ 21,3 bilhões, enquanto estatais tiveram déficit de R$ 4,9 bilhões.
Para 2026, projeta-se déficit de R$ 48,9 bilhões (0,4% do PIB) ou superávit de R$ 1,5 bilhão (0,0% do PIB) considerando exclusões da meta. Estados e municípios devem apresentar superávit de R$ 5 bilhões (0,0% do PIB), enquanto estatais tendem a déficit de R$ 12,3 bilhões (0,1% do PIB). A dívida bruta deve avançar de 78,7% para 83,5% do PIB.
EUA elevam incerteza comercial com nova tarifa
Após a Suprema Corte invalidar tarifas baseadas na IEEPA, o presidente americano anunciou nova tarifa global de 15%, amparada em outro instrumento legal. A decisão ampliou a incerteza comercial e levou a União Europeia a congelar temporariamente o acordo firmado com Washington. A China solicitou a revogação das medidas, enquanto outros países avaliam respostas.
Tensões no Oriente Médio sustentam petróleo
Nesta segunda-feira, os futuros nos Estados Unidos abrem em forte queda (S&P 500: -1,0%; Nasdaq 100: -1,4%) após aumento da percepção de risco geopolítico global deflagrada pelo conflito entre EUA e Israel contra o Irã, que tomou grandes proporções nesse fim de semana, especialmente após operação que matou o líder Ali Khamenei. A resposta do Irã atingiu diversos países que abrigam bases militares americanas, e também incluiu o fechamento do estreito de Ormuz, corredor de extrema importância para escoamento do petróleo produzido no Oriente Médio, em especial a Arábia Saudita. Os eventos levam a uma escalada dos preços do petróleo, que saltam cerca de 7% e ultrapassam os US$ 77 por barril.
Ao redor do mundo, o clima também é de aversão ao risco.
China mantém juros estáveis
O Banco Central da China manteve as LPRs pelo nono mês consecutivo: 3,0% para um ano e 3,5% para cinco anos. A decisão reflete cautela diante da pressão cambial e da necessidade de estabilidade financeira, mesmo com desaceleração econômica e fragilidade do setor imobiliário.
Bolsa brasileira mantém trajetória positiva
O Ibovespa avançou 2,2% em reais e 2,8% em dólares na semana, encerrando aos 190.534 pontos, em período de menor liquidez devido ao Carnaval. No exterior, S&P 500 e Nasdaq subiram 1,1%, enquanto 75% das 425 empresas do índice americano que já divulgaram resultados superaram estimativas, com surpresa média de 7,7%.
No Brasil, setores domésticos lideraram: Saúde (+4,0%) e Educação (+3,7%), enquanto Óleo & Gás (+2,9%) acompanhou o petróleo. Axia Energia avançou 4,7% (AXIA3) e 7,9% (AXIA6) após anunciar proposta de migração para o Novo Mercado. Pão de Açúcar recuou 11,9%, refletindo movimento técnico e cautela do mercado.
O conjunto dos dados confirma um ambiente de forte entrada de capital externo, inflação sob controle relativo e maior protagonismo dos ativos brasileiros no cenário internacional, ainda que o quadro fiscal e geopolítico permaneça desafiador.
Fonte: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-ambiente-global-segue-favoravel-para-paises-emergentes/ https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-mantem-trajetoria-positiva-em-semana-mais-curta-na-bolsa/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
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