Atividade fecha 2025 com crescimento moderado e impulso previsto para 2026
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia mensal do Produto Interno Bruto (PIB), encerrou 2025 com alta acumulada de 2,45%. Em dezembro, o indicador registrou recuo de 0,2% frente a novembro, mas, na comparação com dezembro de 2024, avançou 3,1%. O desempenho é compatível com nossa estimativa de crescimento de 2,3% da economia brasileira no ano passado.
Para 2026, projetamos expansão de 2,0% do PIB. A sustentação virá, principalmente, da renda das famílias. O mercado de trabalho ainda apertado, o aumento das transferências fiscais e os efeitos da reforma do Imposto de Renda da Pessoa Física devem impulsionar o poder de compra. Nossa estimativa aponta para crescimento de 4,5% da renda real disponível das famílias neste ano.
Além disso, esperamos forte expansão dos gastos dos governos estaduais, ampliação do crédito direcionado às empresas com protagonismo dos bancos públicos e aceleração do crédito consignado para trabalhadores do setor privado. Em nossa avaliação, esses vetores devem compensar, com folga, os efeitos ainda restritivos da política monetária.
Suprema Corte limita tarifas impostas por Trump
No cenário internacional, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por 6 votos a 3, que o ex-presidente Donald Trump violou a legislação federal ao impor tarifas emergenciais de forma unilateral, utilizando indevidamente a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A Corte entendeu que cabe ao Congresso, constitucionalmente, a definição de tarifas e tributos.
Com a decisão, foram invalidadas as tarifas recíprocas de 10% e as sobretaxas adicionais que, no caso brasileiro, chegavam a 40%. Permanecem válidos, no entanto, os tributos baseados na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, que afetam setores como aço, alumínio e parte da indústria automotiva.
A decisão representa uma das mais relevantes derrotas jurídicas do segundo mandato de Trump e impõe limites claros à atuação presidencial em política comercial. O impacto direto sobre o Brasil tende a ser limitado, já que nossas projeções para a balança comercial deste ano não contemplavam efeitos dessas tarifas.
Inflação resistente e economia ainda sólida nos EUA
Nos Estados Unidos, a inflação medida pelo índice PCE avançou de 2,8% para 2,9% em dezembro, resultado acima das previsões e que reforça a percepção de pressões inflacionárias persistentes. O núcleo do indicador segue sendo a principal referência para o Federal Reserve.
O crescimento do PIB no quarto trimestre foi de 1,4% em termos anualizados, abaixo da projeção de 2,8%, impactado sobretudo pela redução dos gastos públicos em razão da paralisação parcial da máquina federal (shutdown). Ainda assim, a economia americana cresceu 2,2% em 2025.
A ata da última reunião do Fed indicou que novos cortes de juros poderão ocorrer caso a inflação evolua conforme esperado. No entanto, parte dos dirigentes defendeu manter aberta a possibilidade de alta de juros se os preços permanecerem pressionados. O mercado hoje projeta que o próximo corte só deverá ocorrer em junho, refletindo o entendimento de que a combinação de atividade resiliente e inflação resistente limita o espaço para afrouxamento monetário no curto prazo.
Bolsa avança em semana encurtada
No Brasil, o Ibovespa encerrou a semana com alta de 2,2% em reais e 2,8% em dólares, aos 190.534 pontos, em período de menor liquidez devido ao Carnaval. O movimento acompanhou o cenário internacional, onde o S&P 500 e o Nasdaq subiram 1,1%, impulsionados principalmente pela decisão da Suprema Corte americana.
No campo macro, o PCE de dezembro surpreendeu para cima, atingindo 3,0% em termos anuais e permanecendo acima da meta de 2% do Fed, enquanto o PIB do quarto trimestre ficou abaixo do esperado. O petróleo também avançou na semana diante do reforço militar americano no Oriente Médio, em meio às negociações com o Irã.
A temporada de resultados do quarto trimestre de 2025 segue sólida: das 425 empresas do S&P 500 que já divulgaram balanços, 75% superaram as estimativas, com surpresa média positiva de 7,7%.
No mercado doméstico, setores mais ligados à economia interna lideraram os ganhos, com Saúde (+4,0%) e Educação (+3,7%), enquanto Óleo & Gás (+2,9%) acompanhou a alta do petróleo. O IBC-Br de dezembro recuou, mas ficou acima do esperado, e o Boletim Focus registrou a sexta revisão consecutiva para baixo nas projeções de IPCA.
Entre os destaques corporativos, Axia Energia avançou 4,7% (AXIA3) e 7,9% (AXIA6) após anunciar proposta de migração para o Novo Mercado. Na ponta negativa, Pão de Açúcar recuou 11,9%, refletindo movimento técnico e maior cautela do mercado quanto aos resultados da companhia.
Com crescimento de aproximadamente 2,5% em 2025 e perspectiva de avanço de 2,0% em 2026, a economia brasileira mantém trajetória positiva, sustentada por estímulos de renda e crédito, mesmo em ambiente ainda desafiador do ponto de vista monetário.
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-crescimento-dos-eua-se-acomoda-em-torno-do-potencial/ https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-mantem-trajetoria-positiva-em-semana-mais-curta-na-bolsa/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
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