Panorama de Mercado

27 de janeiro de 2026
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Tarcísio confirma plano de reeleição em São Paulo
O governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, confirmou que será pré-candidato à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Em declarações recentes, reforçou sua defesa de uma direita unificada e reiterou fidelidade política ao ex-presidente Jair Bolsonaro, sinalizando alinhamento estratégico para o ciclo eleitoral de 2026.
Haddad propõe ampliar papel do Banco Central na supervisão de fundos
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a transferência da regulação e fiscalização dos fundos de investimento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o Banco Central. A proposta ganhou força após as revelações envolvendo o caso Banco Master.
Segundo Haddad, o BC deveria ampliar seu perímetro regulatório, dada a crescente interseção entre fundos e o sistema financeiro. A mudança depende de aprovação legislativa e está sendo discutida com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, além da Advocacia-Geral da União. O debate ocorre em meio às investigações da Polícia Federal sobre o uso de fundos em fraudes, que resultaram em liquidações e ampliaram a pressão por ajustes regulatórios.

Arrecadação perde ritmo e reforça desafio fiscal para 2026
A arrecadação federal somou R$ 2.886,7 bilhões em 2025, com crescimento real de 3,7%, desacelerando de forma relevante frente ao avanço de 9,6% registrado em 2024. No acumulado do ano, os principais vetores foram contribuições previdenciárias (+3,3%), PIS/Cofins (+3,0%) e IOF (+20,5%).
A expectativa é de nova moderação no ritmo de crescimento, acompanhando a desaceleração da atividade econômica e da inflação. Para 2026, projeta-se arrecadação de R$ 3.082,3 bilhões, com crescimento real de 2,8%. Apesar das medidas recentes de elevação de receitas como limitação da compensação tributária, aumento da tributação sobre juros sobre capital próprio e redução de renúncias fiscais, o montante ainda é insuficiente para o cumprimento da meta de resultado primário, exigindo receitas extraordinárias, como leilões de petróleo e dividendos de estatais.

Cenário Internacional

Trump sinaliza acordo estratégico envolvendo Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu governo definiu uma estratégia para um futuro acordo com a OTAN envolvendo a Groenlândia e a região do Ártico. A proposta inclui bases militares e acesso a terras raras. Trump também afirmou que não aplicará tarifas a oito países europeus contrários à anexação da Groenlândia e descartou o uso da força para tomar o território.
A sinalização reduziu tensões em um momento em que a União Europeia avaliava retaliações comerciais, embora o Parlamento Europeu tenha decidido suspender os trabalhos sobre o acordo comercial com os Estados Unidos.
Mesmo com o alívio pontual, o ambiente global permaneceu marcado por elevada incerteza, com aumento da aversão ao risco diante da imprevisibilidade da política econômica americana. Houve realocação de portfólios, com saída de capitais de ativos dos EUA e valorização de ativos considerados porto seguro, como o ouro. O índice DXY recuou ao menor nível desde setembro, indicando perda de força do dólar. No Brasil, esse movimento favoreceu os ativos locais, com apreciação do real e alta de aproximadamente 7,7% do Ibovespa, que renovou máximas históricas.

Inflação nos EUA reforça postura cautelosa do Fed
A inflação ao consumidor medida pelo índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) subiu 0,2% entre outubro e novembro, levando a variação em 12 meses a 2,8%. O núcleo do PCE também avançou 0,2% no mês e 2,8% no acumulado anual, permanecendo acima da meta de 2% do Federal Reserve.
Os dados devem ser analisados com cautela, já que a paralisação do governo americano afetou a coleta de informações. Ainda assim, o mercado projeta reaceleração da inflação em dezembro, reforçando a expectativa de que o Fed mantenha os juros entre 3,50% e 3,75% na próxima reunião.

Alta histórica dos juros no Japão reflete piora das expectativas fiscais
Os rendimentos dos títulos públicos japoneses subiram fortemente após o anúncio de que o governo pretende eliminar o imposto de 8% sobre alimentos, medida que pode reduzir a arrecadação em cerca de 5 trilhões de ienes por ano. O movimento ocorre às vésperas da eleição antecipada convocada pela primeira-ministra Sanae Takaichi, elevando a percepção de expansão fiscal.
O rendimento do título de 10 anos atingiu 2,38%, maior nível em quase 30 anos, enquanto o papel de 30 anos chegou a 3,88%. O Banco do Japão manteve a taxa básica em 0,75% e reforçou viés mais duro, condicionando novas altas à confirmação do cenário de crescimento e inflação. A autoridade também revisou para cima as projeções de crescimento para 2025 e 2026 e elevou a inflação subjacente de 2026 para 1,9%.

Acordo Mercosul–União Europeia avança, mas enfrenta novo entrave
O acordo entre Mercosul e União Europeia avançou após a conclusão da revisão legal, com assinatura formal dos instrumentos jurídicos. As estimativas indicam impactos moderadamente positivos para a economia brasileira, com ganhos concentrados no agronegócio e benefícios adicionais para setores como calçados, metais não ferrosos e produtos de madeira.
No entanto, o Parlamento Europeu decidiu suspender a tramitação e encaminhar o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para revisão de legalidade. No Brasil, o acordo ainda depende de aprovação pelo Congresso Nacional.

China cumpre meta de crescimento, apesar de desaceleração
A economia chinesa cresceu 4,5% no quarto trimestre de 2025, levemente acima do esperado, mas no ritmo mais fraco em três anos. No acumulado do ano, o PIB avançou 5%, exatamente em linha com a meta oficial.
Apesar da desaceleração, o banco central manteve as taxas de empréstimo em 3,0% (1 ano) e 3,5% (5 anos), completando oito decisões consecutivas de estabilidade. A estratégia segue focada em estímulos direcionados, com ampliação de crédito para pequenas empresas, setor agrícola, inovação tecnológica e mercado imobiliário comercial. Ainda assim, a demanda por crédito permaneceu fraca, com novos empréstimos no menor nível em sete anos.

Bolsa

Ibovespa dispara com rotação global e forte entrada de capital estrangeiro
O Ibovespa encerrou a semana com alta expressiva de 8,5% em reais e 10,3% em dólares, aos 178.859 pontos, registrando a melhor performance semanal desde abril de 2020 e renovando máximas históricas.
O movimento foi impulsionado pela rotação global para fora dos Estados Unidos. Enquanto ações americanas e o dólar apresentaram desempenho fraco, os metais preciosos avançaram com força (ouro +8,5%; prata +14,5%). A temporada de resultados nos EUA segue sólida: 62 empresas do S&P 500 já divulgaram balanços, com 81% superando as estimativas de lucro, em média, em 8,1%.
O Brasil foi um dos principais beneficiados pela realocação global de portfólios. Segundo dados da B3, investidores estrangeiros aportaram R$ 5,0 bilhões no mercado à vista e R$ 4,6 bilhões em futuros, totalizando R$ 9,6 bilhões na semana. No acumulado do ano, os fluxos já somam R$ 19,2 bilhões, superando todo o volume registrado em 2025.
Diferentemente da semana anterior, setores domésticos e cíclicos também tiveram forte desempenho, com destaque para Educação (+15,6%), Saneamento (+9,0%) e TMT (+8,4%). O dólar recuou 1,6%, para R$ 5,29, menor nível desde novembro de 2025, enquanto a curva de juros fechou, com o DI jan/36 caindo 13 bps.
A Cogna foi o principal destaque positivo, com alta de 20,2%, impulsionada pelo fechamento da curva de juros e elevação de recomendação. Na ponta negativa, a Raízen recuou 1,2%, interrompendo a sequência positiva registrada no início de 2026.

FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-dolar-enfraquece-com-ameacas-de-trump-a-groelandia/ https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-renova-recordes-com-forte-entrada-de-fluxo-estrangeiro/

 

Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119

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