Varejo reage em novembro, enquanto serviços perdem ritmo
Os dados de novembro trouxeram sinais mistos para a atividade econômica brasileira. As vendas no varejo ampliado avançaram 0,7% no mês, superando levemente as projeções e registrando a quinta alta consecutiva após o desempenho bastante fraco observado em junho. No varejo restrito, o crescimento foi ainda mais expressivo, de 1,0%, com expansão disseminada: oito dos dez segmentos apresentaram alta frente a outubro. A Black Friday teve papel relevante nesse resultado.
Apesar da reação pontual do consumo, o quadro geral segue de perda de fôlego na segunda metade de 2025, em linha com os efeitos acumulados da política monetária contracionista.
No setor de serviços, o desempenho foi mais fraco. A receita real recuou 0,1% em novembro na comparação mensal, levemente abaixo das expectativas. Ainda assim, na comparação anual, o crescimento foi de 2,5%, levando o avanço acumulado em 12 meses a 2,7%. O setor terciário segue em expansão, embora com sinais crescentes de heterogeneidade entre seus segmentos.
Para os próximos trimestres, estímulos de renda e crédito devem adicionar cerca de 0,8 ponto percentual ao crescimento do PIB. Nossa projeção de 1,7% para 2026 mantém viés altista.
Indicador do Banco Central aponta crescimento moderado no fim do ano
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma proxy mensal do PIB, avançou 0,7% em novembro, em linha com as estimativas. Na comparação com o mesmo mês de 2024, o crescimento foi de 1,2%, elevando a alta acumulada em 12 meses para 2,4%.
A recuperação foi relativamente ampla entre os setores. A indústria cresceu 0,8%, revertendo duas quedas consecutivas. Os serviços avançaram 0,6%, acelerando após meses de estabilidade. O componente de impostos teve forte alta de 1,1%, após dois meses fracos. A exceção foi a agropecuária, que recuou 0,3% no mês, mas ainda acumula expansão expressiva de 13,5% no ano, impulsionada pela safra recorde do primeiro semestre.
Risco institucional nos EUA eleva demanda por ativos de proteção
No cenário internacional, aumentou a percepção de risco institucional nos Estados Unidos após o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, receber intimações do Departamento de Justiça relacionadas a estouros de orçamento na reforma da sede do banco central. Powell afirmou que o episódio levanta uma questão central: se a política monetária continuará baseada em critérios técnicos ou se passará a sofrer pressão política.
O presidente Donald Trump declarou não ter conhecimento da investigação. Ainda assim, o episódio elevou a busca por ativos de proteção, impulsionando o preço do ouro a novas máximas históricas, acima de US$ 4.618 por onça, movimento também reforçado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
EUA ampliam pressão sobre o Irã e elevam volatilidade do petróleo
Os Estados Unidos anunciaram a imposição de uma tarifa de 25% sobre qualquer país que mantenha relações comerciais com o Irã. A medida entrou em vigor imediatamente e busca intensificar a pressão econômica sobre Teerã em meio a protestos internos.
Países como China, Índia, Emirados Árabes, Turquia, Rússia, Brasil e Iraque podem ser afetados. No caso da China, a tarifa total pode alcançar cerca de 45% ao se somar às já existentes. A decisão antecede o julgamento da Suprema Corte americana sobre a legalidade de tarifas impostas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
O aumento das tensões trouxe volatilidade aos preços do petróleo Brent ao longo da semana, refletindo o risco geopolítico crescente na região.
Inflação americana segue comportada e reforça cautela do Fed
A inflação ao consumidor nos Estados Unidos subiu 2,7% em 12 meses até dezembro, em linha com as expectativas. O núcleo da inflação avançou 2,6%, levemente abaixo do projetado. Já o núcleo da inflação ao produtor ficou estável em novembro, contrariando a expectativa de alta de 0,2%.
Esse conjunto de dados reforça a avaliação de que o Federal Reserve deve manter a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% na próxima reunião. A inflação segue sob controle, enquanto a atividade econômica permanece resiliente, sustentada principalmente pelo consumo das famílias.
Acordo entre Mercosul e União Europeia entra na fase final
Após 25 anos de negociações, a União Europeia aprovou provisoriamente o acordo comercial com o Mercosul. A maioria dos 27 países votou a favor, com oposição de França, Polônia, Irlanda, Áustria e Hungria, além da abstenção da Bélgica.
O texto prevê a eliminação gradual de tarifas sobre produtos agropecuários e industriais, com prazos que podem chegar a dez anos. A assinatura está prevista para 17 de janeiro, seguida pela análise dos parlamentos dos dois blocos. Caso avance, parte das medidas poderá entrar em vigor antes da ratificação completa.
Europa reduz tensão com a China no setor automotivo
A União Europeia anunciou a aceitação de compromissos propostos por montadoras chinesas de veículos elétricos como alternativa às tarifas impostas desde 2024. O modelo prevê preços mínimos acordados, evitando concorrência considerada desleal via subsídios estatais.
As condições precisam gerar efeito equivalente ao das tarifas atuais e evitar brechas operacionais. A UE também avaliará investimentos realizados pelas montadoras no bloco, buscando equilibrar abertura comercial e proteção à indústria local.
Juros no Japão alcançam maior nível em 25 anos
Os rendimentos dos títulos públicos japoneses de 10 anos atingiram 2,18%, o maior patamar em mais de duas décadas. O movimento reflete expectativas de maior gasto público sob o novo governo e preocupações com o elevado endividamento do país.
O iene se desvalorizou frente ao dólar, e a alta dos juros japoneses passou a pressionar os mercados globais, dado o papel do país como fonte tradicional de financiamento para operações internacionais.
Bolsa brasileira sobe com apoio das commodities e do capital externo
O Ibovespa encerrou a semana em alta de 0,9% em reais e 0,7% em dólares, aos 164.800 pontos. Nos Estados Unidos, os principais índices tiveram desempenho levemente negativo, com rotação para fora de ações ligadas à inteligência artificial e fortalecimento das small caps.
No Brasil, o desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelos setores de commodities. Óleo & Gás avançou 4,6%, enquanto Mineração & Siderurgia subiu 5,4%, com forte contribuição de Petrobras e Vale. Em contrapartida, setores mais domésticos, como Construção Civil, Saúde e Educação, registraram desempenho inferior.
Os fluxos estrangeiros seguiram robustos, com entradas líquidas de R$ 3,3 bilhões na semana e R$ 4,6 bilhões no acumulado do ano. No campo macroeconômico, as vendas no varejo surpreenderam positivamente, enquanto o IBC-Br confirmou um cenário de desaceleração gradual. A expectativa permanece de que o Banco Central inicie o ciclo de cortes de juros em março.
Entre os destaques corporativos, Vamos teve alta de 9,1% após divulgar sua prévia operacional do quarto trimestre. Na ponta negativa, Smart Fit recuou 10,6%, refletindo maior cautela dos investidores quanto às perspectivas da companhia para 2026.
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-tensoes-geopoliticas-e-pressao-sobre-fed-elevam-risco-global/ https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-sobe-impulsionado-por-commodities-e-fluxos-estrangeiros/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119


