PANORAMA DE MERCADO

16 de dezembro de 2025
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Juros seguem no patamar atual e Copom reforça cautela
O Comitê de Política Monetária manteve a taxa Selic em 15,00%, decisão amplamente antecipada pelo mercado. O comunicado trouxe poucas alterações em relação ao texto de novembro, mas manteve um tom firme ao reiterar que a estratégia de preservar os juros nesse nível “por um período bastante prolongado” continua adequada. A sinalização indica ausência de mudanças no curto prazo, embora não implique, necessariamente, imobilidade por um horizonte excessivamente longo. O Banco Central segue descrevendo o cenário externo como incerto, exigindo prudência adicional de economias emergentes. Internamente, reconhece moderação da atividade e alguma melhora inflacionária, ainda insuficiente para convergência plena à meta. Mantemos a expectativa de seis cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual, levando a Selic a 12,00% ao final do ano.

Inflação volta ao intervalo da meta após mais de um ano
O IPCA registrou alta de 0,18% em novembro, em linha com as projeções. No acumulado de 12 meses, a inflação recuou de 4,68% para 4,46%, retornando ao intervalo de tolerância da meta após 13 meses acima de 4,5%. O resultado refletiu sobretudo descontos associados à Black Friday, que derrubaram preços de bens industrializados, além de nova deflação nos alimentos, pelo sexto mês consecutivo. O quadro confirma que o processo desinflacionário tem sido mais intenso em alimentos e bens, enquanto os serviços seguem pressionados. As projeções permanecem em 4,3% para 2025 e 4,2% para 2026, com viés de baixa.

Atividade desacelera, mas encontra amortecedores importantes
A economia brasileira perdeu fôlego ao longo do semestre, em linha com a política monetária restritiva. Ainda assim, os indicadores recentes mostram alguma resiliência. As vendas no varejo restrito avançaram 0,5% em outubro, superando as estimativas e marcando o quarto resultado positivo consecutivo. Nove dos dez segmentos pesquisados registraram alta no mês. No setor de serviços, houve crescimento de 0,3% na comparação mensal, o nono avanço seguido, com desempenho positivo em todas as principais categorias. O mercado de trabalho segue robusto, apesar de sinais de estabilização do emprego, e a massa de renda real das famílias cresce em torno de 5% neste ano. Esses fatores devem sustentar o setor terciário. Projetamos crescimento do PIB de 2,3% em 2025 e vemos viés altista para a expansão de 1,7% estimada para 2026, impulsionada por medidas de estímulo que podem adicionar cerca de 0,8 ponto percentual.

Reaproximação diplomática entre Brasil e Estados Unidos
Os Estados Unidos decidiram retirar as sanções impostas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, aplicadas em julho de 2025 com base na Lei Magnitsky. A medida, embora sem explicação oficial, representa um gesto relevante no contexto da normalização das relações bilaterais. O movimento se soma à retirada parcial de tarifas sobre produtos brasileiros anunciada no fim de novembro, reforçando um ambiente diplomático e comercial mais favorável entre os dois países.

Fed corta juros novamente e adota postura de espera
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,50% e 3,75%, no terceiro corte consecutivo. A decisão contou com nove votos favoráveis, duas dissidências pela manutenção e um voto por corte mais agressivo. As projeções indicam mais um corte em 2026 e outro em 2027, além de revisão altista para o crescimento do PIB, estimado em 2,3% em 2026, e inflação mais baixa, em torno de 2,4% ao fim do período. Em coletiva, Jerome Powell destacou sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho e afirmou que o banco central opera em modo de espera, com decisões dependentes dos dados.

México eleva tarifas e afeta exportações brasileiras
O Senado mexicano aprovou um pacote que eleva tarifas de importação para até 35% em 17 setores, com impacto sobre países como Brasil, China e Índia a partir de 2026. A proposta recebeu 76 votos favoráveis, cinco contrários e 35 abstenções. Em 2024, o México foi o sétimo maior destino das exportações brasileiras, com destaque para automóveis, aço e produtos químicos. No setor automotivo, as tarifas podem alcançar 50%, o teto previsto pelo pacote, o que acende um alerta para a indústria nacional.

China convive com inflação baixa e deflação industrial
Na China, a inflação ao consumidor subiu de 0,2% em outubro para 0,7% em novembro, ainda em níveis modestos. Já os preços ao produtor seguem em queda, com deflação de 2,2% em 12 meses, o 38º mês consecutivo de retração. O quadro reflete excesso de capacidade produtiva e demanda interna fraca, aumentando a expectativa por novos estímulos monetários e fiscais em 2026, especialmente em setores estratégicos como o imobiliário.

Mercado acionário oscila com política e juros no radar
O Ibovespa encerrou a semana em queda de 1,1% em reais e 2,5% em dólares, aos 157.369 pontos. Até quinta-feira, o índice acumulava alta de 3,4%, impulsionado por dados mais fracos de atividade e pela expectativa de início do ciclo de cortes de juros no Brasil, além do bom desempenho de setores ligados a commodities.
Na sexta-feira, porém, o noticiário político ganhou protagonismo após a confirmação de Flávio Bolsonaro como candidato da oposição em 2026, provocando forte correção: o índice caiu 4,3%, o dólar subiu para R$ 5,45 e os juros longos abriram, com o DI janeiro de 2034 avançando 56 pontos-base.
No exterior, as bolsas tiveram desempenho moderadamente positivo, sustentadas pela expectativa de novo corte de juros pelo Fed, hoje precificado com probabilidade próxima de 87%. Entre os destaques negativos da semana estiveram ações sensíveis aos juros, como varejo, enquanto empresas de mineração e siderurgia se beneficiaram da alta de 1,2% no preço do minério de ferro.

FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-banco-central-mantem-selic-em-15-e-reforca-postura-cautelosa/
https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-cai-com-cenario-politico-em-foco-no-brasil/

Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119

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