Brasil perde fôlego: PIB do 3º trimestre confirma desaceleração
A economia brasileira registrou um avanço tímido de 0,1% no terceiro trimestre, abaixo das projeções de 0,2% e bem distante da média de 0,9% das leituras anteriores. O resultado reforça o quadro de perda de impulso no curto prazo.
Setores sensíveis ao ciclo econômico como indústria de transformação e comércio voltaram a mostrar fraqueza diante de juros elevados e maior endividamento de famílias e empresas. Já atividades menos dependentes da política econômica local, como agropecuária e indústria extrativa, seguiram sustentando a expansão no acumulado do ano.
O consumo das famílias ficou praticamente estável e, apesar da surpresa baixista do trimestre, revisões positivas na série histórica levaram a XP a elevar sua projeção de crescimento para 2,3% em 2025, mantendo 1,7% para 2026.
Atividade moderada e Copom ainda cauteloso
O governo deve cumprir a meta fiscal em 2025, mas ainda carece de novas fontes de receita para atender ao intervalo de tolerância de 2026. A dívida pública deve subir para 83,7% do PIB no próximo ano.
A inflação corrente mais baixa com projeção revisada de 4,5% para 4,3% — e o arrefecimento da atividade sugerem que a política monetária pode começar a perder rigidez. A XP mantém a expectativa de início do ciclo de cortes da Selic em março, embora não descarte um movimento já em janeiro.
Bolsonaro escolhe Flávio como candidato à Presidência em 2026
O ex-presidente Jair Bolsonaro confirmou o apoio ao senador Flávio Bolsonaro como nome da direita para disputar o Planalto em 2026. A escolha antecipada pelo portal Metrópoles busca apresentar um perfil visto como mais moderado e previsível, com maior capacidade de diálogo político.
Flávio deverá iniciar viagens pelo país na tentativa de ampliar sua visibilidade, apoiado por governadores como Tarcísio de Freitas e Cláudio Castro. Michelle Bolsonaro tende a concorrer ao Senado pelo Distrito Federal. No governo, o movimento não altera a expectativa de que a chapa Lula–Alckmin busque a reeleição.
Câmbio se aproxima de R$ 5,50 em meio às incertezas
A volatilidade tomou conta dos mercados. O dólar voltou a rondar R$ 5,50, depois de semanas de relativa estabilidade. O movimento reflete incertezas políticas internas, dúvidas sobre a tributação de dividendos a partir de 2026 e a deterioração das contas externas.
O Ibovespa, que havia atingido máximas históricas, recuou cerca de 4% na sexta-feira, enquanto juros de longo prazo avançaram 0,60 ponto percentual. A projeção para o câmbio ao fim de 2026 permanece em R$ 5,50, diante de riscos externos e fiscais persistentes.
Relação Brasil–EUA dá sinais de distensão
O diálogo recente entre Lula e Donald Trump sugere uma possível reaproximação entre os dois países, após meses marcados por tarifas e sanções. Além de comércio, a conversa tratou de segurança e combate ao crime organizado. Equipes técnicas devem iniciar tratativas sobre tarifas e sanções, e há expectativa de um encontro presencial até 2026. A intenção é encaminhar um acordo preliminar ainda este ano.
PLDO permite uso do piso da meta fiscal
O Congresso aprovou o PLDO de 2026, autorizando o governo a utilizar o piso da meta fiscal como referência para contingenciamentos, e não o centro. O texto também criou uma exceção de R$ 10 bilhões para o déficit das estatais federais. O governo se comprometeu a liberar 65% das emendas obrigatórias até julho de 2026 e projetou R$ 14 bilhões em receitas extras via medidas de defesa comercial, ainda sem detalhamento dos setores afetados.
Indústria segue praticamente parada
A produção industrial subiu apenas 0,1% em outubro, abaixo do consenso. Paralisações no setor de petróleo e restrições regulatórias na indústria farmacêutica puxaram o resultado para baixo. A manufatura mostra fraqueza, enquanto a indústria extrativa sustenta parte do crescimento. Para os próximos meses, o setor deve seguir praticamente estável, com recuperação mais nítida somente em 2026.
Cenário Internacional
EUA: mercado projeta novo corte de juros
O relatório ADP indicou destruição de 32 mil vagas em novembro, surpreendendo negativamente. Em contraste, os pedidos de seguro-desemprego caíram para 191 mil, abaixo do esperado. Mesmo com dados divergentes, o diagnóstico predominante é de desaceleração gradual, e o mercado atribui 90% de probabilidade a um corte de juros pelo Fed já na próxima semana.
Eleição para a presidência do Fed traz incerteza
Ganha força o nome de Kevin Hassett, assessor próximo de Donald Trump, para suceder Jerome Powell no comando do Federal Reserve. Sua eventual indicação levanta dúvidas sobre a independência da autoridade monetária e poderia levar a cortes de juros mais agressivos. Trump deve anunciar sua escolha no início do próximo ano.
Bolsa brasileira: forte rali seguido de correção brusca
O Ibovespa recuou 1,1%, aos 157.369 pontos, mas a semana teve dois capítulos distintos:
De segunda a quinta: alta acumulada de 3,4%, impulsionada por expectativas de corte da Selic e valorização de setores de commodities.
Na sexta-feira: a revelação da candidatura de Flávio Bolsonaro provocou forte aversão ao risco:
Ibovespa -4,3%
Dólar +2,6%, a R$ 5,45
DI jan/34 +56 bps, maior salto desde 2022
No exterior, o desempenho foi levemente positivo (S&P 500 +0,3%; Nasdaq +1,0%) à espera da decisão do Fed.
Baixas
C&A (-19,7%), Renner (-11,9%), Azza (-11,4%)
Altas
CSN (+5,6%), Usiminas (+4,4%), Vale (+4,2%), favorecidas pelo minério de ferro (+1,2%)
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-pib-do-terceiro-trimestre-confirma-desaceleracao-da-economia/
https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-cai-com-cenario-politico-em-foco-no-brasil/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
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