Panorama de Mercado

21 de outubro de 2025
3 mins read

Brasil e EUA ensaiam reaproximação diplomática
Em um movimento que sinaliza distensão após meses de atritos, os chanceleres do Brasil e dos Estados Unidos — Mauro Vieira e Marco Rubio — reuniram-se na Casa Branca para discutir temas comerciais e políticos. Em nota oficial, Washington descreveu o encontro como “positivo” e confirmou que ambos os governos trabalham para viabilizar uma reunião entre os presidentes Lula e Donald Trump “o mais breve possível”. A iniciativa ocorre em meio às tensões causadas pelas tarifas impostas pelos EUA a exportações brasileiras, com impacto direto em setores como aço e alimentos.

Gasolina pode ficar mais barata e pressionar o IPCA
A Petrobras avalia reduzir o preço da gasolina entre 5% e 10% nas refinarias, segundo apuração da agência Broadcast. O alívio decorre da queda do barril de Brent, que recuou para US$ 61, acumulando baixa de 18% em um ano diante do excesso de oferta global. A medida poderia reduzir o IPCA entre 0,08 e 0,16 ponto percentual, com impacto adicional via etanol. Com isso, cresce a possibilidade de revisão baixista da projeção de inflação para 2025, atualmente em 4,7%.

Serviços perdem ritmo, varejo mostra fraqueza
Os dados divulgados na semana reforçam o cenário de desaceleração gradual da economia. O volume de serviços avançou 0,1% em agosto, no sétimo mês de alta, mas com desaceleração perceptível. Na comparação anual, o setor cresceu 2,5%, sustentado por serviços de informação e comunicação.
Já o varejo apresentou expansão de 0,9% no mês, porém queda de 2,1% em 12 meses, reflexo da perda de fôlego em segmentos dependentes de crédito, penalizados pelos juros elevados e pelo endividamento das famílias.
Para o segundo semestre de 2025, espera-se moderação da atividade, com maior impacto sobre serviços associados à renda. Ainda assim, políticas fiscais e expansão do crédito privado devem sustentar a demanda em 2026. A projeção de crescimento do PIB permanece em 2,1% para 2025.

Cenário Internacional

Trump sinaliza encontro com Xi Jinping em meio a ameaça tarifária
Donald Trump anunciou a intenção de aplicar tarifas de até 100% sobre produtos chineses a partir de 1º de novembro, incluindo restrições a softwares estratégicos. Entretanto, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, revelou que o presidente americano pretende se reunir com Xi Jinping antes da implementação das medidas, abrindo espaço para uma negociação. O movimento indica que, apesar da retórica agressiva, há margem para acordo e contenção de uma nova escalada comercial.

FMI melhora projeção para a economia global
O Fundo Monetário Internacional elevou a previsão de crescimento global de 3,0% para 3,2% em 2025, mantendo 3,1% para 2026. O avanço reflete um impacto menor das tarifas e condições financeiras mais acomodatícias. Para os EUA, o FMI projeta expansão de 2,0% em 2025 e 2,1% em 2026; para o Brasil, crescimento de 2,4% em 2025, desacelerando para 1,9% em 2026. A instituição alerta, porém, para riscos ligados à fragmentação comercial e tensões geopolíticas.

China permanece em zona deflacionária
A inflação ao consumidor chinês recuou 0,3% em 12 meses até setembro, abaixo da expectativa de -0,2%. No mês, houve leve alta de 0,1%, sinalizando demanda doméstica fraca. O índice de preços ao produtor caiu 2,3%, completando 36 meses consecutivos em território negativo. A persistência do quadro deflacionário reforça os desafios da segunda maior economia do mundo, ainda afetada pelo setor imobiliário e pela pressão tarifária externa.

Mercados
O Ibovespa encerrou a semana aos 143.399 pontos, em alta de 1,9% em reais e 3,3% em dólares, acompanhando o movimento positivo das bolsas globais (S&P 500 +1,7%; Nasdaq +2,5%). O alívio veio após sinais de que Trump não pretende ampliar tensões com a China e declarações moderadas de Jerome Powell sobre o mercado de trabalho nos EUA.
No mercado doméstico, a melhora no apetite ao risco favoreceu a valorização do real, que se recuperou 2,0%, fechando a semana em R$ 5,41.
Entre os destaques corporativos, Usiminas (USIM5) subiu 14,4% com expectativas de medidas antidumping contra o aço chinês. Na ponta negativa, Brava (BRAV3) caiu 2,6%, acompanhando a queda do petróleo Brent (-2,3%).

FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/acoes/relatorios/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-lidera-mercados-globais-com-tom-mais-brando-do-fed-e-desvalorizacao-do-dolar/ https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-trump-sinaliza-encontros-com-xi-e-lula/

Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

Publicação anterior

Panorama de Mercado

Próxima publicação

Panorama de Mercado

Última publicação de Mateus H. Passero

PANORAMA DE MERCADO

Real no melhor nível desde maio de 2024 e Bolsa amplia ganhos O câmbio encerrou fevereiro na casa de R$ 5,13 por dólar, o menor

FINANÇAS

O Grande Ajuste: Repressão Financeira O que significa esse termo? Quando governos acumulam dívidas elevadas, precisam encontrar formas de reduzir esse peso ao longo do

FINANÇAS

Imóveis, FIIs e o tempo: o que dez anos de Brasil nos ensinaram Existe um traço cultural forte no investidor brasileiro: a associação imediata entre

PANORAMA DE MERCADO

Atividade fecha 2025 com crescimento moderado e impulso previsto para 2026 O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia mensal do

FINANÇAS

Imóveis, FIIs e o tempo: o que dez anos de Brasil nos ensinaram Existe um traço cultural forte no investidor brasileiro: a associação imediata entre
Vá para oTopo