Brasil e EUA ensaiam reaproximação diplomática
Em um movimento que sinaliza distensão após meses de atritos, os chanceleres do Brasil e dos Estados Unidos — Mauro Vieira e Marco Rubio — reuniram-se na Casa Branca para discutir temas comerciais e políticos. Em nota oficial, Washington descreveu o encontro como “positivo” e confirmou que ambos os governos trabalham para viabilizar uma reunião entre os presidentes Lula e Donald Trump “o mais breve possível”. A iniciativa ocorre em meio às tensões causadas pelas tarifas impostas pelos EUA a exportações brasileiras, com impacto direto em setores como aço e alimentos.
Gasolina pode ficar mais barata e pressionar o IPCA
A Petrobras avalia reduzir o preço da gasolina entre 5% e 10% nas refinarias, segundo apuração da agência Broadcast. O alívio decorre da queda do barril de Brent, que recuou para US$ 61, acumulando baixa de 18% em um ano diante do excesso de oferta global. A medida poderia reduzir o IPCA entre 0,08 e 0,16 ponto percentual, com impacto adicional via etanol. Com isso, cresce a possibilidade de revisão baixista da projeção de inflação para 2025, atualmente em 4,7%.
Serviços perdem ritmo, varejo mostra fraqueza
Os dados divulgados na semana reforçam o cenário de desaceleração gradual da economia. O volume de serviços avançou 0,1% em agosto, no sétimo mês de alta, mas com desaceleração perceptível. Na comparação anual, o setor cresceu 2,5%, sustentado por serviços de informação e comunicação.
Já o varejo apresentou expansão de 0,9% no mês, porém queda de 2,1% em 12 meses, reflexo da perda de fôlego em segmentos dependentes de crédito, penalizados pelos juros elevados e pelo endividamento das famílias.
Para o segundo semestre de 2025, espera-se moderação da atividade, com maior impacto sobre serviços associados à renda. Ainda assim, políticas fiscais e expansão do crédito privado devem sustentar a demanda em 2026. A projeção de crescimento do PIB permanece em 2,1% para 2025.
Cenário Internacional
Trump sinaliza encontro com Xi Jinping em meio a ameaça tarifária
Donald Trump anunciou a intenção de aplicar tarifas de até 100% sobre produtos chineses a partir de 1º de novembro, incluindo restrições a softwares estratégicos. Entretanto, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, revelou que o presidente americano pretende se reunir com Xi Jinping antes da implementação das medidas, abrindo espaço para uma negociação. O movimento indica que, apesar da retórica agressiva, há margem para acordo e contenção de uma nova escalada comercial.
FMI melhora projeção para a economia global
O Fundo Monetário Internacional elevou a previsão de crescimento global de 3,0% para 3,2% em 2025, mantendo 3,1% para 2026. O avanço reflete um impacto menor das tarifas e condições financeiras mais acomodatícias. Para os EUA, o FMI projeta expansão de 2,0% em 2025 e 2,1% em 2026; para o Brasil, crescimento de 2,4% em 2025, desacelerando para 1,9% em 2026. A instituição alerta, porém, para riscos ligados à fragmentação comercial e tensões geopolíticas.
China permanece em zona deflacionária
A inflação ao consumidor chinês recuou 0,3% em 12 meses até setembro, abaixo da expectativa de -0,2%. No mês, houve leve alta de 0,1%, sinalizando demanda doméstica fraca. O índice de preços ao produtor caiu 2,3%, completando 36 meses consecutivos em território negativo. A persistência do quadro deflacionário reforça os desafios da segunda maior economia do mundo, ainda afetada pelo setor imobiliário e pela pressão tarifária externa.
Mercados
O Ibovespa encerrou a semana aos 143.399 pontos, em alta de 1,9% em reais e 3,3% em dólares, acompanhando o movimento positivo das bolsas globais (S&P 500 +1,7%; Nasdaq +2,5%). O alívio veio após sinais de que Trump não pretende ampliar tensões com a China e declarações moderadas de Jerome Powell sobre o mercado de trabalho nos EUA.
No mercado doméstico, a melhora no apetite ao risco favoreceu a valorização do real, que se recuperou 2,0%, fechando a semana em R$ 5,41.
Entre os destaques corporativos, Usiminas (USIM5) subiu 14,4% com expectativas de medidas antidumping contra o aço chinês. Na ponta negativa, Brava (BRAV3) caiu 2,6%, acompanhando a queda do petróleo Brent (-2,3%).
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/acoes/relatorios/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-lidera-mercados-globais-com-tom-mais-brando-do-fed-e-desvalorizacao-do-dolar/ https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-trump-sinaliza-encontros-com-xi-e-lula/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
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